A dupla relação entre inteligência artificial e plano verde carece de medidas

Tal foi defendido por Salvador Estevan, diretor-geral de Digitalização e IA do Governo de Espanha, durante o evento ‘Algoritmos Verdes, o futuro sustentável da Inteligência Artificial’, da DigitalES.

Por Irene Iglesias Álvarez

O dupla sustentabilidade e inteligência artificial (IA) dominou a reunião promovida pela Associação Espanhola para a Digitalização, DigitalES. Sob o título “Algoritmos verdes, o futuro sustentável da Inteligência Artificial”, foi aberto um debate no qual os atores envolvidos foram instados a tomar medidas sobre o assunto. No evento, participaram a ComputerWorld, representantes da Secretaria de Estado da Digitalização e IA, Fujitsu, IBM, Lexmark, Sopra Steria, Telefónica e a Universidade de Castilla-La Mancha, entre outros. Neste cenário, foi apresentado um decálogo de desafios que devemos enfrentar para promover e desenvolver uma IA mais sustentável.

O documento visa dar certeza ao ambiente emergente de algoritmos “verdes”, começando por consolidar uma definição dos mesmos e oferecendo propostas específicas destinadas às empresas e administrações, no quadro do desenvolvimento do Plano Nacional de Algoritmos Verdes do Governo. Um programa que verá a luz do dia “nos próximos meses”, segundo Salvador Estevan, diretor-geral da Digitalização e Inteligência Artificial, um organismo do Ministério dos Assuntos Económicos e da Transformação Digital do Governo espanhol. O objetivo, como indicou, responde a uma manobra estratégica para “colocar Espanha na vanguarda da própria investigação” na Europa, “procurando um contexto ético e verde, para promover esta IA inovadora, resiliente e sustentável”. 

Propostas firmes

Entre as propostas da DigitalES estão ferramentas para a redução do consumo de energia de software e hardware; modelos para a governação da IA sustentável nas organizações; apoio governamental para o desenvolvimento da IA responsável através de incentivos fiscais; apoio financeiro para a formação de modelos ‘verdes’ de IA na rede espanhola de supercomputação; e o estabelecimento de uma regulamentação para promover a I&D neste campo.

“A DigitalES está convencida de que Espanha tem muito a dizer sobre aquilo a que chamamos ‘IA responsável’. O nosso país tem conduzido debates construtivos sobre a digitalização humanística e a IA ética, que de certa forma englobam o nível ambiental. Mas acreditamos que a sustentabilidade requer um enfoque exclusivo, que complementa e reforça os valores em torno dos quais devemos construir a IA”, disse Sara Hernández, consultora em regulação e sustentabilidade da DigitalES. “Temos a oportunidade de colocar a Espanha na vanguarda da investigação para construir uma economia que não só seja mais robusta e resiliente financeiramente, mas também social e ambientalmente”, concluiu Salvador Estevan.

Ameaças de contenção

A inteligência artificial representa, para além de uma série de benefícios, certas ameaças ambientais. Estevan salientou o facto de que este “representa entre 5 e 9% do consumo mundial de eletricidade, o que, traduzido em emissões, significaria 1,3 gigatoneladas de CO2 na atmosfera em 2020”. Por conseguinte, a dualidade de inteligência artificial e sustentabilidade deve ser abordada de uma perspetiva crítica, ética e responsável, permitindo o desenvolvimento e a inovação de uma forma respeitosa e amiga do ambiente.




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