Transformação Digital: o caminho inevitável

Existe uma parte do tecido empresarial português, formado sobretudo por Pequenas e Médias Empresas, que tende a subsistir com base em sistemas legados e formas tradicionais de trabalhar, algo muitas vezes justificado com um menor poder económico, em comparação com outros países mais prósperos da União Europeia.

Por Inês Oliveira, IT Solutions Product Specialist da Konica Minolta Portugal

Creio que é unânime dizer que assistimos nos últimos dois anos, com a pandemia, à maior aceleração digital de que há memória nas empresas portuguesas. A obrigatoriedade do teletrabalho trouxe desafios tecnológicos globais às organizações e obrigou gestores e departamentos de IT a tomar decisões rápidas e eficientes, não poucas vezes sob grande pressão e responsabilidade: a de garantir a sua sobrevivência.

Em novembro de 2021, numa fase de algum alívio das restrições pandémicas, a Konica Minolta levou a cabo um estudo sobre o tema da Transformação Digital em dez países europeus. Realizado em parceria com a Keypoint Intelligence, o estudo analisou o caso português. As conclusões acerca da maturidade das nossas empresas expõem alguns resultados que importa conhecer para definir um caminho futuro.

Começo por suportar a minha afirmação inicial: 35% das empresas viram nas exigências associadas ao trabalho remoto o maior desafio do último ano, quer no que toca à infraestrutura e dispositivos de IT, quer a aplicações e software (27%). Exigências relacionadas com a segurança de dados e proteção contra ataques (33%) e conformidade (28%) completam o topo das dificuldades. As preocupações com segurança foram, aliás, intensificadas pela pandemia.

O que este quadro destaca é que os desafios na área de IT foram os maiores desafios postos às empresas neste período. Uma informação que não será surpreendente, porque poucos estariam preparados para migrar toda a sua organização para a cloud em dias e para disponibilizar computadores a todos os funcionários. Mas não é apenas de hardware e software que falamos.

Existe uma parte do tecido empresarial português, formado sobretudo por Pequenas e Médias Empresas, que tende a subsistir com base em sistemas legados e formas tradicionais de trabalhar, algo muitas vezes justificado com um menor poder económico, em comparação com outros países mais prósperos da União Europeia. E com este argumento, dia após dia, se vai adiando o investimento na transição digital.

Olhando, simplesmente, para a lista que as PME fazem dos seus problemas e dificuldades, é possível conhecer o seu ponto de maturidade digital. Entre os maiores desafios identificados de IT, em específico, continuam a estar a otimização de processos e manter-se a par das novas tecnologias (30%), assim como situações de crash de servidores, má ligação à Internet, falta de conectividade entre tecnologias e workflows pouco fluidos, bem como software ultrapassado (22%).

Daqui, posso depreender que muitos dos problemas das PME continuam relacionados com as bases de um escritório digital. As preocupações com a cloud, por exemplo, estão no fundo da tabela. Será isto um bom sinal? No meu entender, não: significa apenas que a computação na cloud ― que permite recorrer a soluções informáticas mais intuitivas e com menores custos, como as soluções as a Service ― ainda é pouco utilizada, e que muitas empresas estão a perder oportunidades. Porque embora 71% afirme já utilizar a cloud, 42% ainda partilha documentos através de múltiplos serviços (One Drive, Google Docs e Dropbox, entre outros), o que reflete uma utilização inconsistente.

Mais do que um certo investimento, a pandemia de covid-19 veio impor uma mudança de mindset. Porque importa dizer que a transformação digital é, muitas vezes, uma questão de mentalidade, e é o mindset das empresas que vai pô-las no caminho da digitalização, da globalização e do futuro, e não a sua melhor ou pior infraestrutura informática. Esta é a mudança efetivamente deixada pela pandemia: a base para uma nova mentalidade das empresas.

Uma nova mentalidade que anda a par com o melhor para os seus Recursos Humanos e que valoriza as vantagens do teletrabalho e do trabalho colaborativo online ― e, portanto, que valoriza e investe nas plataformas que os viabilizam. Felizmente, 48% aponta a transformação digital como uma prioridade de topo na sua organização. Inclino-me para concordar com os 53% que admitem que já foi feito algum progresso, mas que ainda há muito trabalho por fazer.




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