Gestão eficaz na cloud

Agora que a cloud está aqui e a sua adopção está a aumentar, temos de nos afastar e aferir a capacidade de a gerir eficazmente.

Por Bartlomiej Plotka, Principal Software Engineer, Red Hat

Num mundo de recursos de computação cloud abstraídos, virtualizados, efémeros e sempre dinâmicos, a necessidade de alcançar uma gestão contínua é essencial. Todavia, a cloud não foi criada tendo em vista a observação dos sistemas internos, foi essencialmente promovida como uma solução para a agilidade das TI através da flexibilidade dos recursos e da facilidade de gestão das despesas.

Agora que a cloud está aqui e a sua adopção está a aumentar, temos de nos afastar e aferir a capacidade de a gerir eficazmente. Além disso, agora que as implementações nativas da cloud abrangem instâncias públicas, privadas, híbridas e multi-cloud (multimarca), podemos começar a pensar na poly cloud, onde diferentes partes de uma aplicação e volumes de trabalho são distribuídos por vários prestadores de serviços cloud (CSPs). 

Com raízes na teoria do controlo, a observabilidade na era moderna da cloud manifesta-se de várias formas. Como tal, que factores chave estão a moldar a forma como nos posicionamos na cloud para a ver melhor?

APM ajuda na gestão

Muitos perguntam qual a diferença entre a observabilidade da cloud e a APM (Application Performance Monitoring). Anteriormente tínhamos simplesmente máquinas virtuais, o que significava que as instâncias de computação podiam ser facilmente expostas à observabilidade. Mas agora vivemos num mundo de virtualização, infra-estruturas definidas por software (SDI) e serviços cloud. Os volumes de trabalho das nossas aplicações estão frequentemente rodeados por camadas de software: sistemas operativos, proxies, software de orquestração, motores de container, máquinas virtuais, serviços externos e muito mais. 

À medida que a APM se torna quase sinónimo da observabilidade, assistimos agora ao seu alargamento a cada escalão e estrutura ao longo da cadeia TI. Precisamos da APM para as aplicações, obviamente, mas também precisamos de APM de infra-estrutura (chamemos-lhe iAPM) e esta precisa de ser orientada para qualquer das estrelas na galáxia virtualizada em que agora existimos.

Uma visão centralizada e orquestrada 

Num mundo em que temos múltiplos fornecedores de cloud e muitas instâncias distintas de cloud de diferentes CSPs, precisamos de um nível de gestão orquestrado com uma visão centralizada e a capacidade de filtrar e agregar através de múltiplas clouds em múltiplos clusters, caso queiramos conseguir manter o controlo. Federar dados num local centralizado é uma técnica e um processo comum nos nossos dias. Comprovou-se que esta é a melhor forma de olhar para sobrecargas da cloud, mau aprovisionamento e desperdício da cloud. Quando juntamos todos estes sinais, podemos conduzir recursos cloud mais eficientes para servir as nossas Content Delivery Networks (por exemplo) e trabalhar a um nível global mais inteligente.

Crescimento exponencial da IoT

A quantidade de dados que estamos a consumir e a produzir de momento permite-nos obter muitos mais sinais para rastrear os nossos requisitos de observabilidade. Se pensarmos no facto de a Internet das Coisas (IoT) estar a aumentar exponencialmente os nossos pontos de dados, estamos perante um grande desafio. Precisamos de pensar na correlação conectada. Quando procuramos analisar métricas, registos e vestígios do sistema, precisamos de conseguir saltar entre procedimentos e tarefas rapidamente para trabalhar de forma dinâmica em diferentes partes do ambiente TI. Por haver tanta coisa a observar, a correlação conectada ajuda a fornecer ligações vitais entre as fontes de dados que são, na realidade, críticas para a missão quando se trata do funcionamento das TI.

Caracterização contínua

Os nossos objectivos de observabilidade fazem-nos procurar continuamente optimizações que irão melhorar a eficiência do desempenho. Isto significa que teremos de procurar, rastrear e analisar diferentes fontes de dados. Uma das melhores formas de o fazer é através da caracterização. Esta técnica permite-nos saber que parte da aplicação está a usar quantos recursos informáticos (tempo de processador, memória, disco ou IO da rede) sem ter de o adivinhar quando olhamos para o uso total de recursos do nosso processo.

A caracterização contínua permite-nos olhar para as aplicações e ver para além das características de desempenho durante casos interessantes. É muito útil se estiver prestes a ficar sem memória… Se podemos olhar para perfis da aplicação a cada 60 segundos (ou talvez com uma regularidade ainda maior), então podemos ver qual a função do código fonte da aplicação que precisa de ser optimizada ou aumentada.




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