Entrevista da semana: “a empresa estar em Braga é uma vantagem”

A Eurotux, é uma empresa especializada na implementação de soluções de tecnologias de informação à medida, revela-se alinhada com as principais tendências do mercado para 2021, definidas pela IDC e Gartner. Com base no cenário imposto pela pandemia COVID-19 e a Eurotux implementou estratégias para responder assertivamente aos desafios que o mercado e as empresas enfrentam este ano. A somar a esta resposta que a empresa procurou dar as condicionantes do mercado, a empresa apresentou resultados positivos de 15% em 2020. Fomos conversar com António Coutinho, CEO do Grupo Eurotux.

A Eurotux apresentou resultados positivos de 15% em 2020. A que se ficam a dever estes resultados num cenário particularmente exigente?

Esses resultados dizem respeito a valores não repetíveis – em 2019 houve um negócio de grandes dimensões que nos permitiu um encaixe com um elevado volume. O crescimento do ano passado foi orgânico e reflete também o facto de a pandemia ter aumentado a utilidade dos serviços oferecidos pela Eurotux. Face ao novo normal, as empresas viram-se na necessidade de reforçar a sua capacidade de trabalho remoto e as componentes online – que a Eurotux faculta – aumentaram consideravelmente de relevância.

Que adaptações foram necessárias na empresa para enfrentar a pandemia e quais os resultados?

A Eurotux inaugurou novas instalações no início de 2020, mas logo desde que surgiram as primeiras notícias sobre COVD-19 mantivemo-nos especialmente atentos ao cenário. Antes mesmo de a pandemia se tornar numa preocupação geral, o grupo já tinha formulado um plano de contingência em Fevereiro e deslocalizámos a nossa força de trabalho logo no início de março, adotando trabalho remoto. Adaptámos a preocupação com as nossas equipas a algo que está no ADN da empresa – a facilidade de trabalho remoto. Além disso, este novo modus operandi – que implementámos antes da generalidade do mercado – permitiu-nos uma capacidade extra quando foi necessário fazê-lo nos nossos clientes: já sabíamos as contingências, os desafios, as implicações técnicas do processo.

Houve exigências específicas dos vossos clientes face ao cenário de COVID 19? Quais?

Nos primeiros meses sentimos um aumento nos pedidos relacionados com o novo cenário: a necessidade de trabalhar com máquinas portáteis, as preocupações com as medidas de segurança inerentes ao trabalho em casa e a aceleração de transição para modelos cloud no que respeita a storage, acesso a serviços como email ou aplicações críticas.

Houve naturalmente uma preocupação acrescida com a infraestrutura de servidores ou cloud que permitissem aos nossos clientes a prestação de serviços online durante todo o período de confinamento. As considerações de segurança e de fiabilidade de infraestruturas (mais robustas e sem necessidade de assistência no local) foram ainda argumentos que ouvimos amiúde.

Quais as perspetivas para 2021? Quais serão as áreas de maior crescimento?

Esperamos um aumento de 15% na faturação com reforço de componente de serviços e consequente aumento da rentabilidade. As áreas de Cloud e DevOps deverão ser as de maior crescimento.

Que perspetivas existem para a contratação de colaboradores?

A Eurotux está sempre à procura de novos talentos com as competências e características necessárias para integrar a nossa equipa. Esperamos contratar mais 10% de colaboradores no ano de 2021.

Como podem as empresas nacionais de TIC fazer frente às multinacionais no que respeita a angariação e retenção de talento?

Em termos gerais, temos que acompanhar as condições oferecidas – o mercado de TIC é bem pago e está sobretudo cada vez mais globalizado. As empresas de TIC e os seus clientes devem adaptar-se a este cenário. Todas as condições salariais têm de ser previstas e devem ser preocupação, mas o ambiente de trabalho tem de ser convidativo. A Eurotux orgulha-se da sua nossa capacidade de reter colaboradores durante muitos anos e o nosso mais recente investimento em instalações e atividades testemunha esse facto.

O tecido empresarial português compreende a importância das políticas de cibersegurança? O que está a faltar neste campo?

Considero que as empresas nacionais vão compreendendo cada vez melhor a importância destas políticas, dependendo naturalmente da dimensão das empresas e do seu grau de maturidade e profissionalização das equipas que trabalham IT – seja internamente ou através de outsourcing, com prestadores de serviço como a Eurotux. O grande motor desta consciencialização são os incidentes que vão acontecendo e de que temos conhecimento, e que aumentam o awareness para os perigos das falhas de segurança nas empresas.

O facto de a empresa se encontrar em Braga – longe dos principais centros empresariais como Lisboa e Porto – é uma desvantagem? Como fazem frente a este argumento?

A meu ver, a empresa estar em Braga é uma vantagem. Desde sempre que esta localização nos obrigou a termos um modo de funcionamento que nos permitiu estarmos muito bem preparados para por exemplo fazermos frente às implicações da pandemia. Se até ao ano passado éramos capazes de trabalhar remotamente com os nossos clientes (absorvendo o custo da distância, já que nunca nenhum cliente o pagou), a verdade é que a adaptação para o trabalho remoto foi mais simples e eficaz. Estamos há mais tempo neste modelo com os nossos clientes, pelo que não sentimos – ainda mais agora – que seja uma desvantagem não estarmos em cidades como Lisboa ou Porto.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado