Sete coisas que é preciso saber sobre NFT

Com o recente anúncio por parte da Binance, o maior exchange de criptomoeda do mundo, de que irá lançar um marketplace global de NFTs já em junho próximo, vale a pena abordarmos o “elefante na sala”: mas, afinal, o que são NFTs?

NFT significa, literalmente, “token não-fungível” – itens “tokenizados” e colecionáveis cujo valor deriva do facto de serem únicos e raros, sendo populares na Binance Smart Chain (BSC) e na Ethereum. O valor dos NFTs reside na sua autenticidade e escassez, pelo que é útil olharmos mais de perto para o token num “blockchain explorer”.

Os NFTs têm mais cenários de utilização do que apenas “cripto arte” e a BSC oferece agora um ecossistema de tokens não fungíveis – e, a partir de junho, um marketplace dedicado aos NFTs. Devido à recente popularidade dos NFT nos media e aos seus enormes preços de venda, é fácil encontrarmos semelhanças com o grande boom de ofertas iniciais de criptomoeda (ICO) de 2017. Mas trata-se de coisas muito diferentes.

Para percebermos melhor, vamos neste artigo cobrir os aspetos básicos dos NFTs tomando por base os equívocos mais comuns e as questões mais frequentes.

Quando falamos de tokens não-fungíveis (NFTs), as obras de arte e os itens colecionáveis nunca estão muito longe. Estes tokens únicos estão a agitar as águas com vendas mediáticas por parte de designers gráficos e artistas visuais. Mike Winkelmann, mais conhecido pelo nome artístico “Beeple”, é um excelente exemplo: em março deste ano vendeu um NFT por 69 milhões de dólares, através da Christie’s.

Os NFTs são extremamente populares, mas este tema transcende em muito as manchetes. Para os que pretendem ir mais além, compreender e explorar o mundo dos NFTs é o próximo passo a dar. Vamos então explicar, um por um, sete pontos essenciais sobre os NFTs:

1. O que é um NFT?

Um NFT é um ativo criptográfico (“cryptoasset”) que representa algo único e colecionável, usando tecnologia blockchain. O NFT poderá ter procura porque foi criado por um artista famoso ou composto por um músico de renome mundial. O token poderá também ser útil num videojogo ou procurado para completar uma dada coleção.

Já poderá ter ouvido falar no NBA Top Shot, uma coleção de cromos digitais de basquetebol. Os cromos funcionam como os seus homólogos físicos colecionáveis, mas a sua autenticidade é garantida através de tecnologia blockchain. E, tal como nos cromos em papel, alguns são mais raros do que outros e cada um tem um valor diferente. 

Simplificando, um token não-fungível não pode ser falsificado nem copiado. Se virmos qual a definição de fungível podemos começar a perceber um pouco melhor o que torna um NFT especial: fungível é o “que pode ser substituído por outro do mesmo género, da mesma qualidade ou quantidade”.

Neste contexto, devemos lembrar-nos de que também uma bitcoin é igual e negociável por outra bitcoin. Já um cromo digital “#1/99 Keldon Johnson Holo Icon Top Shot” não é intercambiável, pois só existe um.

2. O que posso fazer com um NFT? São negociáveis?

Os NFTs podem tomar diferentes formas, tamanhos ou até mesmo casos de uso. NFTs de pura arte digital colecionável são bastante limitados em termos do que podemos fazer com eles. Podemos negociá-los, claro, mas um NFT de uma fotografia, por exemplo, não é muito diferente de uma foto normal em termos de utilidade.

No entanto, alguns NFTs têm casos de uso interessantes em videojogos, como é o caso dos famosos CryptoKitties na blockchain Ethereum (numa altura em que poucos ainda tinham ouvido falar em NFTs…) Neste caso, um “gato” colecionável pode “procriar” de forma a passar os seus traços característicos para novos gatos.

Os NFTs são também usados regularmente por plataformas financeiras. Existe um enorme mercado para NFTs de PancakeSwaps artísticos e convertíveis em criptomoedas. Esta combinação única significa que as pessoas podem especular no seu valor futuro.

O que todos estes NFTs têm em comum é a sua capacidade em serem negociados e trocados por diferentes ativos digitais. Ou seja, podemos comprar ou vender NFTs com Bitcoin e outras criptomoedas. No entanto, cada peça de NFT é, por definição, única – ou seja, não pode ser trocada por outra.

3. Como é determinada a raridade do NFT?

Determinar quanto vale um NFT depende do que ele representa. Quando se trata de arte criptográfica, é bastante semelhante a qualquer outro tipo de arte. Precisamos de pensar em quem a criou, no valor artístico da peça e em como ela pode interessar a outros colecionadores.

Se um NFT fizer parte de uma série ou série limitada, os números específicos são muitas vezes mais valiosos do que outros. Normalmente vemos o número #1 como desejável e outros números que as pessoas consideram colecionáveis como #13 ou #7. O valor e a raridade dependem de uma combinação de fatores, como os acima mencionados. 

Para NFTs baseados em jogos, pode haver benefícios financeiros de itens ou criaturas NFT específicas. Se eles lhe fornecerem 100€ em prémios, então valerá pelo menos 100€, mesmo sem ter em conta o seu valor artístico.

Os NFTs de PancakeSwaps são ligeiramente diferentes. Alguns dos seus tokens podem ser convertidos para CAKE – a criptomoeda da plataforma. Por isso se, por exemplo, o seu coelhinho digital lhe der 10 CAKE e o preço do CAKE for de $20 (USD) por token, então o seu NFT valerá, pelo menos, $200.

4. Onde podemos encontrar NFTs?

Se pretende explorar o mundo dos NFTs, existem vários locais onde poderá começar a procurar. Os marketplaces NFT têm uma variedade de tokens não-fungíveis à venda quer de artistas famosos, quer de amadores. Há imensos por onde escolher, sendo que alguns dos maiores são o OpenSea (para NFTs baseados em Ethereum) e Treasureland ou BakerySwap para Binance Smart Chain.

O número de marketplaces continua a crescer, sendo que uns são mais especializados do que outros. Caso tenha interesse em comprar algo produzido por um artista famoso, certifique-se de que o marketplace que tem o NFT à venda é genuíno. Poderá também encontrar NFTs ao participar em jogos blockchain ou em projetos tipo DeFi (“decentralized finance”).

A Binance anunciou esta semana que, partir de junho de 2021, irá lançar o seu próprio marketplace de NFTs.

5. Os NFTs são os novos ICO?

Numa palavra, não – apesar de existirem semelhanças, no dinheiro captado através dos NFTs e a sua recente popularidade, elas ficam por aí. Uma ICO (Initial Coin Offering, ou oferta inicial de [cripto]moeda) é um método usado para o lançamento de projetos através da venda de tokens do projeto. Os ICO tornaram-se populares por volta de 2017 mas foram também envoltos em polémica dado o número de fraudes e projetos falhados.

É fácil perceber porque é que algumas pessoas podem pensar que os NFTs são similares a ICOs. Recentemente, estes colecionáveis digitais foram vendidos por milhões de dólares. Os NFTs receberam também atenção dos media como sendo uma oportunidade de fazer “dinheiro fácil” com criptomoeda.

Mas estes dois pontos são os únicos onde podemos encontrar semelhanças. Ainda assim, é importante que faça as suas próprias diligências antes de arriscar investir em NFTs, uma vez que nem todos os projetos são legítimos.

6. Como podemos verificar a autenticidade de um NFT?

Provar que o seu NFT é legítimo pode ser um pouco complicado, dependendo daquilo que procura. Sem dúvida de que há pessoas a fazer upload de obras de outros artistas como sendo suas. Neste caso, teria de contactar o artista original de forma a confirmar de que é ele mesmo que está a vender NFTs do seu próprio trabalho.

O criador de um NFT deverá fornecer ao comprador uma forma de provar que se trata de um artigo genuíno e da sua autoria. A maior parte do trabalho envolverá verificar o seu NFT num “blockchain explorer” tal como o BscScan. No que diz respeito ao blockchain, a abordagem deverá ser “não confie, verifique”.

Informação útil poderá incluir a data de “cunhagem” (minting date) e o endereço da carteira digital que cunhou o NFT. Poderá também usar o ID do histórico de transações para verificar o NFT. Este é um método melhor do que apenas verificar a imagem ou ficheiro associado ao seu colecionável.

Se virmos a recente venda do artista Beeple anteriormente referida, a Christie’s, que leiloou o NFT, tinha em seu poder, para validação, o ID do token, o contrato do token e o endereço da carteira.

Por vezes, existe um URL para o ficheiro ou uma ligação IPFS para verificação do conteúdo subjacente. Ambos, contudo, podem ser usados por outra pessoa qualquer ao criar um token falso. Na maior parte dos casos, o melhor mesmo é verificar a autenticidade junto do autor.

7. Como irão evoluir os NFTs?

No que diz respeito aos NFTs, estão a surgir constantemente novos desenvolvimentos e cenários de utilização. É fácil esquecermos de que a tecnologia nasceu apenas em 2017 e está ainda na sua infância. 

Antes de começar a investir dinheiro nestes tokens, certifique-se de que compreende exatamente o que está a fazer e como poderá usá-los. Podemos pensar nos NFTs apenas como arte, mas há um mundo inteiro de projetos ainda por explorar de diferentes formas.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado