Fábricas sem chips até meados de 2022

CEO da Cisco, Chuck Robbins, acredita que o impacto da Covid-19 na produção de semicondutores deverá ser sentido ainda nos próximos seis meses.

A cadeia de suprimentos foi altamente afetada com a pandemia de Covid-19. As empresas que dependem de semicondutores foram uma das mais afetadas na distribuição global. Ainda há poucos dias conversamos sobre isto com José Correia da HP Portugal, aqui no Computerworld. Esta semana foi Chuck Robbins, CEO da Cisco, que em entrevista a BBC, disse acreditar que o impacto afetará as cadeias de suprimentos globais por mais seis meses. A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), por sua vez, prevê que a escassez continue até 2022.

Segundo o CEO da Cisco, Chuck Robbins, a crise global de chips foi um choque para a indústria e deverá durar a maior parte deste ano. “Achamos que temos mais seis meses para superar o curto prazo”, disse o executivo à BBC. “Os fornecedores estão construindo mais capacidade. E isso ficará cada vez melhor nos próximos 12 a 18 meses”.

Segundo Robbins, a indústria não calculou a demanda com a chegada da Covid-19. Os fabricantes enviaram sinas de menor demanda aos provedores, que reduziram a capacidade. “(…) O que aconteceu foi que, quando a Covid chegou, todos pensaram que o lado da demanda cairia significativamente e na verdade vimos o contrário”, disse ele. “O que foi um choque completo para muitos de nós”

Esperamos que o mercado se recomponha e que o choque fica só do lado dos fabricantes, e que não venha a digitalização dos negócios a ser impactada com a falta de previsão dos fabricantes de forma a comprometer o importante avanço tecnológicos que alguns setores estão a abraçar.

A TSMC, fabricante de chips, disse no início deste mês que espera que a escassez no fornecimento de chips continue até 2022. Da mesma forma, a AMD espera que a escassez impactará a indústria por mais algum tempo.

As interrupções na cadeia de suprimentos de semicondutores, no entanto, afetaram diferentes setores da indústria. Pat Gelsinger, CEO da Intel, disse no início deste mês que a sua empresa estava em negociações com fabricantes de semicondutores para preencher a escassez de silício que paralisou a produção de novos automóveis.

De acordo com o Financial Times, a escassez global de chips está a espalhar-se nos fabricantes de smartphones, televisores e eletrodomésticos, com Samsung Electronics e LG Electronics com atrasos na fabricação que devem durar até 2022.

Além disto, 75% da capacidade de fabricação global está no Leste da Ásia, segundo a Semiconductor Industry Association, associação do setor, dos Estados Unidos. A TSMC, de Taiwan, e a Samsung, da Coréia do Sul, são os playres dominantes e as relações entre os EUA e a China, também afetaram o abastecimento.

Em fevereiro, o presidente norte-americano, Joe Biden, assinou uma ordem executiva que visava resolver a escassez de chips semicondutores. quer que o Congresso autorize 37 mil milhões de dólares para garantir que os EUA possam abastecer os fabricantes.

Intel, IBM, Broadcom, Qualcomm, Nvidia e AMD também pressionaram Biden, em fevereiro, para apoiar a indústria de chips da América como parte de seu plano de recuperação.


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