Desafios e oportunidades para modernizar a universidade

Por Elisa Martínez, da Commvault

Há mais de um ano que o sistema educativo português, da creche e escola primária aos graus universitários, foi forçado a passar por um processo abrupto de transformação digital. O gatilho, como aconteceu com muitos outros setores, foi a pandemia COVID-19, que forçou professores, alunos e funcionários administrativos a trabalhar e a aprender em casa via aulas online.

Tal como já aconteceu no meio empresarial e laboral, o que parecia ser uma solução temporária acabou por se impor como um novo modelo educacional. Atualmente, as universidades estão a implementar um sistema híbrido em que alguns alunos se revezam para frequentar as aulas, enquanto os restantes acedem às mesmas por videoconferência.

Isto levanta várias questões. A primeira é se voltaremos realmente às aulas totalmente presenciais. Parece difícil que assim seja. A universidade está a transformar-se para permitir um acesso mais amplo aos estudantes e esta é uma vantagem que não pode ser ignorada, já que jovens localizados em território nacional ou internacional podem aceder a qualquer universidade sem a necessidade de mudar de local de residência. Isto facilitaria o acesso à universidade para estudantes que, hoje em dia, não podem assumir uma carreira longe de casa ou que precisam de permanecer com as suas famílias por motivos de acompanhamento ou ajuda em zonas rurais.

Estará a informação a ser protegida?

A próxima pergunta que colocamos é: estará a universidade a ser transformada digitalmente da forma mais correta? Por outras palavras, além de cobrir as necessidades de acesso online, estarão a ser habilitadas soluções que permitam proteger informações, privacidade e dados de alunos e professores?

Durante os primeiros meses da pandemia, e dado que a situação foi inesperada a nível mundial, o corpo docente teve de começar a utilizar ferramentas às quais não estava habituado, muitas delas fora das plataformas educativas, e que em inúmeras ocasiões apresentavam problemas de segurança. Porém isso ajudou-os a cumprir o seu objetivo prioritário: o ensino online.

Precisamente pela falta de previsão e pela forma precipitada com que o trabalho remoto foi adotado, houve quem decidisse aproveitar-se da situação, levando a um aumento exponencial de ataques de ransomware. Os principais alvos: hospitais, empresas que começaram a trabalhar em regime de teletrabalho e universidades.

Muitos centros educativos foram vítimas de ciberataques a nível mundial. Aqui ao lado, em Espanha, no início deste ano, a Universidade de Granada sofreu um ataque de denegação de serviço, o que, em anos anteriores, já teria sido um sério problema, mas em janeiro passado, com as aulas presenciais suspensas, o impacto verificado foi ainda maior.

O roubo de informação é também um problema que preocupa as universidades e que deve ser tido em conta, especialmente para garantir o cumprimento de normas como o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD).

Áreas prioritárias para o departamento de TI

Atualmente, são várias as instituições de ensino que adotaram medidas e que estão a realizar processos de modernização tecnológica para oferecer aos seus funcionários e alunos soluções que lhes proporcionem um ensino online seguro e de qualidade.

Uma parte importante dos fundos de recuperação da União Europeia vai ser usada para modernizar as infraestruturas dos centros educativos, facilitar o acesso a ferramentas de colaboração seguras, apoiando desta forma a digitalização do setor, e melhorar as competências tecnológicas dos professores. Irão também ser implementados projetos de big data que ajudem a analisar a situação e os problemas das instituições de ensino.

As universidades têm diante de si uma boa oportunidade para garantir que a tecnologia que vão implementar pode oferecer a proteção, acessibilidade e as ferramentas necessárias que lhes permitem adaptar-se ao futuro e às novas necessidades que possam surgir. Hoje e amanhã.




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