Se os dados são o ADN de uma empresa, então a centralização humana é o código para o sucesso

Para os líderes empresariais, o processo de transformação digital é dificultado pelo facto de não haver um modelo singular ou um manual que possam seguir. Pelo contrário, a transformação mais inteligente tem de vir de dentro para fora, refletindo os valores e as características únicas da organização. Neste artigo, Giovanni Di Filippo, EMEA President da Lenovo’s Infrastructure Solutions Group, apresenta cinco áreas-chave onde os líderes podem concentrar a sua atenção para chegar à origem do ADN único da sua empresa e tornarem-se mais ‘data-centered.’

Por Giovanni Di Filippo, President EMEA, ISG Lenovo

A mudança tende a vir em duas formas: gradual e repentina. Um ano após o início da pandemia mundial, ambas são igualmente aplicáveis à força da mudança que vivemos. Para aqueles que estão na indústria de TI há muitos anos, a economia de dados, que se tornou cada vez mais evidente, tem-se materializado a partir do desenvolvimento gradual da tecnologia, de processos e de competências humanas necessárias para implementar um negócio baseado em dados em escala. No entanto, foi preciso o surto repentino da pandemia para catalisar a mudança e colocar a transformação digital no topo da agenda de todas as organizações. 

À medida que vemos as empresas a reagirem a uma velocidade sem precedentes, de forma a garantirem que têm as capacidades de TI de que precisam para competir nesta nova economia de dados, é fácil perder de vista o que realmente sustenta o valor da tecnologia: as competências humanas e a habilidade. É a combinação de capacidades humanas e de máquinas e, consequentemente, as sinergias entre as mesmas, que se manifesta ao sustentar o que torna o seu negócio único na sua área ou setor – o ADN da sua empresa. 

O ADN da sua empresa reflete os seus trabalhadores, o negócio em geral e as tecnologias que possui. É como um código que determina os resultados que se podem esperar do negócio e do capital humano. Reconhecer o que torna o seu negócio distinto e alavancar estas qualidades dá forma e direção ao modo de como inova e cresce. 

Como líder de negócios, pode ajudar a cultivar e direcionar o ADN da sua empresa. Fazê-lo requer foco nos colaboradores, nos dados e na forma como estas duas forças se relacionam. Gostaria de destacar cinco prioridades fundamentais que podem ajudar a desbloquear o código para o ADN da sua empresa e apoiar a procura do equilíbrio ideal entre ser data-centric e human-centric, tudo com o objetivo de proteger o que torna a sua organização única. 

5 prioridades para melhorar o ADN da sua empresa: 

1. Apoiar a alfabetização de dados e o desenvolvimento de hard e soft skills 

Existem poucos papéis dentro de uma organização que não beneficiariam de algum grau de ‘hard’ skills de dados. Quase todas as funções requerem agora, pelo menos, uma capacidade básica de analisar, medir, visualizar ou compreender dados para promover um resultado definível. O crescimento do negócio e a tomada de decisões corporativas são exemplos de áreas que dependem cada vez mais do impacto persuasivo dos argumentos quantitativos e orientados para os dados. 

No entanto, numa visão mais técnica, competências como a ciência dos dados, a inteligência empresarial e o desenvolvimento de aplicações, têm sido, pelo menos, percetíveis e preservadas pelos que estão em funções especializadas. É natural que algumas pessoas se afastem ou desviem as tarefas mais técnicas para aquelas a quem as skills vêm mais naturalmente. 

Nos últimos anos, porém, temos visto uma mudança acentuada, tanto a nível de hardware como de software, permitindo que especialistas em non-data trabalhem com dados e inteligência artificial, de forma a integrá-los com as suas tarefas diárias. Estas capacidades técnicas devem ser reforçadas a nível de processos que permitam e incentivem um vasto leque de stakeholders internos, através de back office, middle e front office, com o objetivo de integrarem e participarem em iniciativas de dados. 

2. Democratizar a acessibilidade e a utilização dos dados em toda a organização 

Os dados são um esforço colaborativo, e nenhuma empresa pode colher o valor dos seus dados sem que todos participem. Isto aplica-se em todas as fases do ciclo de vida dos dados, desde identificar fontes de dados úteis, recolher dados e criar padrões em torno do formato e da qualidade, passando pela aplicação de protocolos de governamentação, permitindo acessibilidade e incorporando uma abordagem liderada por dados em todos os processos empresariais. Se os seus colaboradores conseguirem gerir cada vez melhor os dados, todos ficarão a beneficiar mais, na medida em que, o valor e a utilidade de aplicações de dados e processos, aumentam ao longo do tempo, levando-o para o objetivo final de se tornar uma organização baseada em dados.  

Como líder, deve pensar cuidadosamente na forma de como pode conceber sistemas e processos em torno da sua equipa para ajudar nesta democratização. Ao colocar as pessoas no centro, pode ajudá-las a extrair informações valiosas e a tomar decisões mais informadas que as conduzam ao cumprimento dos seus objetivos. É importante recolher o feedback do utilizador e monitorizar a sua experiência com base em métricas definíveis, utilizando posteriormente esta inteligência de forma a orientar se a escolha da tecnologia e dos processos de embarque estão, de facto, a agir como um facilitador para uma maior adoção. 

3. Identificar e contrariar a tendência 

Cada avanço tecnológico cria um novo conjunto de considerações para os responsáveis pelas tomadas de decisão que podem fazer ou destruir o seu sucesso. A utilização generalizada de IA e de dados pôs em evidência riscos que, de outra forma, poderiam ter sido negligenciados; embora as próprias aplicações possam ser neutras, tanto os dados que estão a consumir, como os que os utilizam, podem trazer tendenciosidades inesperadas e potencialmente perigosas. 

Isto está a tornar-se uma preocupação cada vez maior, uma vez que as tendenciosidades podem servir para desfazer os benefícios dos dados e da IA – em vez de criar equidade, pode servir para proteger o status quo, colocando demasiado valor em dados passados. Inúmeras notícias nos últimos anos revelam onde é que os modelos de dados têm reforçado o preconceito de género, por exemplo, em anúncios de emprego para enfermeiras direcionados exclusivamente às mulheres, ou priorizando os homens para funções de CEO. Isto apresenta muito mais do que apenas um risco de reputação, uma vez que vai contra ao seu objetivo, o de tornar uma organização mais diversificada e inclusiva. 

Em vez de encarar isto como um desafio intratável, pode procurar soluções a partir dos próprios dados. Contrariar o risco de distorção começa com a autoconsciência da sua organização e dos dados que detém, o que por sua vez ajuda a direcionar os procedimentos que o ajudam a garantir se está a fazer as perguntas certas, verificando ativamente se há parcialidade, adotando processos de revisão por pares e aprendendo com questões passadas. Esta abordagem pode então ser reforçada com salvaguardas tecnológicas para ajudar a neutralizar o risco de distorção ou alertar os utilizadores para os casos em que isto possa estar presente. 

4. Impulsionar a inovação e encontrar a sua vantagem competitiva 

Um dos presentes mais valiosos que os desenvolvimentos de IA e as aplicações de dados têm para oferecer passa pelo desbloqueio da capacidade humana na inovação. Convencionalmente, esta capacidade teve de ser contra-balançada com restrições no tempo, recursos e riscos, o que significa que as oportunidades de melhoria de processos, melhorias dos produtos e recriação de modelos de negócio, muitas vezes não têm sido devidamente exploradas. 

Num ambiente orientado por dados, as organizações têm uma capacidade maior no que diz respeito à modelação e à previsão em escala, dando aos colaboradores mais margem de manobra para experimentarem coisas novas. A IA e os processos de dados funcionam como um ciclo virtuoso autorreforçado, permitindo aos colaboradores testar novas ideias e receber um feedback rápido sobre se os resultados são positivos e se as melhorias são viáveis. Esta experimentação não deve ser um apêndice para a função de trabalho de um funcionário, deve sim, na verdade, ser uma parte central das suas responsabilidades. 

Para incorporar isto no seu local de trabalho, comece pela perspetiva de definir no que é que os seus colaboradores são melhores – mesmo sendo insubstituíveis – e considere como os dados e a IA podem ajudá-los a fazê-lo melhor, mais rápido e com maior precisão. É importante realçar nos trabalhadores que o julgamento e o erro fazem parte do trabalho. Não existe tal coisa como “fracasso” se as experiências forem feitas de forma controlada pelo risco e as aprendizagens forem apreendidas para melhorias contínuas. 

 5. Implementar a estratégia de dados de cima para baixo 

Embora não exista uma única estratégia de dados ou abordagem que possa ser aplicada em organizações de diferentes tamanhos e sectores, há uma característica comum entre aqueles que o fazem bem: tornar-se uma organização baseada em dados começa no topo. Desde o nível do conselho de administração até às operações, finanças, TI e todos os outros departamentos, os dados devem ser fundamentais para o funcionamento da organização e para a forma de como as decisões são tomadas. 

À medida que o mundo empresarial se adapta à incerteza global, a tecnologia tem o poder de superar a volatilidade e ambiguidade, e ajudar as empresas a manterem-se ligadas aos seus clientes, a inovarem e a prosperarem. A origem desta transformação são os dados, e está na altura de as empresas se tornarem ‘data-centered’ e capitalizarem a crescente economia de dados. Nesta nova economia, todas as empresas são empresas de dados, e cada trabalhador trabalha num ecossistema de dados. Uma estratégia de dados, focada nas competências, na alfabetização e na análise, deve, portanto, ser colocada no centro da sua organização de forma a colher o valor das tecnologias transformadoras, protegendo ao mesmo tempo o que realmente impulsiona a vantagem competitiva – as suas pessoas. 

Neste sentido, as pessoas e a tecnologia precisam de se encontrar no meio, pois é neste cruzamento onde os colaboradores qualificados e habilitados encontram os sistemas inteligentes, onde, no fundo, a magia é feita. 

Tornar-se ‘data-centered 

O biólogo evolucionário, Richard Dawkins, disse uma vez que “o ADN não se importa nem sabe. O ADN é. E nós dançamos ao ritmo da sua música”. Os elementos que constituem o ADN da sua organização podem não ser óbvios – desde a infraestrutura de centros de dados e servidores que gerem os seus dados, até às pessoas que o abraçam e o transformam em vitórias de negócios. No entanto, em todos os dias de trabalho, estes elementos agem como instruções genéticas para o desenvolvimento, função, crescimento e reprodução das suas operações comerciais. E é esta dança subtil que os separa de todas as outras organizações.  

Manter uma função saudável requer, em primeiro lugar, um amplo consenso organizacional sobre o que torna o ADN da sua empresa único – o que pode a sua organização oferecer que mais ninguém pode, e que papel desempenham os seus dados na reedição desta vantagem? Em segundo lugar, é vital ter um patrocínio executivo, de forma a fazer do avanço de IA e dos dados, uma prioridade em toda a organização, sempre com a garantia de que ninguém é deixado para trás. Mais importante ainda, os seus líderes precisam de encorajar ativamente os colaboradores a nivelar a sua alfabetização em dados, construindo uma base estável de autoconfiança e uma responsabilidade de dados em todo o negócio. 

Não são considerações a curto prazo; é necessária uma visão a longo prazo para atuar de forma ‘data-centered’. Com a centralização no ser humano e nos dados, ambos a trabalharem em conjunto, as mudanças iterativas e os benefícios podem vir gradualmente antes de se tornarem evidentes – repentinamente. 




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