O ritmo da vacinação Covid-19 condiciona estratégias de líderes empresariais

Potencial falta de vacina para força de trabalho faz CEO repensarem estratégias de “retorno ao normal”, indica estudo da KPMG.

Um estudo mostra que os CEO das empresas mais influentes do mundo estão a planear como será o “retorno ao normal”, cientes de que a potencial falta de acesso de suas forças de trabalho a uma vacina contra a Covid-19 pode forçá-los a repensar suas estratégias. Inclusive, 45% dos 500 CEO entrevistados não acreditam que o retorno ocorra este ano. O relatório da KPMG apresenta estratégias dos CEO para o retorno pós-Covid-19, incluindo decisões sobre as prioridades da força e o local de trabalho, digitalização e modelo de negócios.

Os executivos estavam focados em estabilizar os seus negócios no meio de incógnitas imediatas, no entanto, o relatório “2020 CEO Outlook COVID-19 Pulse”, conduzido em fevereiro e março, indica que os CEO têm uma estratégia mais clara, de curto a médio prazo. Com apenas um terço (31%) a prever um retorno ao normal em 2021, quase metade (45%) espera que a normalidade seja retomada em 2022. Significativamente, 24% dos líderes dizem que seus negócios mudaram para sempre.

“Antes de qualquer decisão importante ser tomada, os CEO querem ter a certeza de que a sua força de trabalho está protegida contra este vírus. O lançamento da vacina contra a Covid-19 está a proporcionar aos líderes uma dose de otimismo enquanto se preparam para uma nova realidade. Os CEO estão a palmear cenários para determinados mercados-chave que podem enfrentar escassez de vacinas, o que poderia impactar as suas operações, cadeias de suprimentos e pessoas, levando a uma recuperação económica desigual”, Bill Thomas, Presidente e CEO global da KPMG.

Embora muitos fatores possam influenciar as previsões de um CEO, o ritmo percebido de distribuição da vacinação é proeminente. Mais da metade (55%) dos líderes empresariais afirmam que temem que nem todos os seus funcionários tenham acesso a uma vacina contra a Covid-19, o que poderá colocar as suas operações ou determinados mercados em desvantagem competitiva.

Como resultado, quase dois terços (61%) das empresas aguardarão uma implementação bem-sucedida da vacina nos principais mercados antes de pedirem aos seus trabalhadores que retornem ao escritório. Prudentemente, 76% das empresas esperarão que os governos em mercados importantes incentivem as empresas a voltar ao normal, enquanto apenas 5% o farão com base nas ações de seus concorrentes ou empresas semelhantes.

Uma maioria significativa (90%) dos CEO pretende pedir aos funcionários que regressem aos escritórios quando forem vacinados. No entanto, cerca de um terço (34%) dos executivos globais estão preocupados com a desinformação sobre a segurança da vacina e o potencial que isso pode ter sobre os funcionários que optam por não tomá-la.

Regras à “nova realidade

A segurança das equipas domina os planos dos CEO de operar no novo cenário de negócios. Por exemplo, 21% das empresas perguntarão aos clientes e visitantes das suas instalações se foram vacinados e 26% planeiam reduzir as viagens internacionais até o fim da pandemia. Mais da metade (57%) planeia conduzir os compromissos e consultas dos clientes predominantemente através de plataformas eletrónicas, com bots. por telefone, web e redes sociais.

Quanto ao espaço dos escritórios, apenas 17% dizem que reduzirão a pegada física de sua empresa, enquanto 69% dos entrevistados, em agosto de 2020, disseram que o fariam. E apenas 30% terão a maioria dos funcionários em teletrabalho entre 2 a 3 dias por semana. Além disso, quase dois terços (61%) afirmam que irão desenvolver as suas próprias ferramentas de comunicação e colaboração digital.

À luz da maior conscientização sobre o stress da força de trabalho e problemas sociais durante a pandemia, 50% das empresas aumentarão seus recursos de RH para ajudar a gerir o bem-estar e a saúde mental dos funcionários e 14% examinarão os espaços de escritórios partilhados para aumentar a flexibilidade do local de trabalho dos funcionários.

Confiança elevada

De acordo com o estudo, os CEO estão um pouco mais confiantes sobre sua empresa, setor e país no horizonte de três anos do que no ano passado. A confiança adicional pode ser atribuída ao momento positivo do lançamento da vacina contra a Covid-19, diz o relatório, mas outros bloqueios tiveram um impacto negativo sobre as perspectivas económicas globais. Em contraste, a confiança dos CEO na economia global está com o nível mais baixo desde 2017.

Os CEO também identificaram o maior risco para o crescimento das empresas nos próximos três anos. Entre as principais tendências, o risco de cibersegurança emergiu como o risco número um, subindo drasticamente do quinto lugar observado em agosto de 2020. Além do risco regulatório e risco tributário empatado em segundo lugar, e o risco da cadeia de suprimentos, que subiu do oitavo para o terceiro lugar.

Digitalização

Embora a pandemia tenha levado muitas organizações a repensar as suas estratégias existentes, só serviu para intensificar o compromisso dos líderes empresariais com a digitalização, destaca o relatório.

Três quartos (74%) dos líderes de negócios relatam que a digitalização de suas operações e a criação de um modelo operacional de próxima geração aceleraram em questão de meses, ante 50% em agosto de 2020. Uma maioria considerável dos líderes relatou a aceleração de novos modelos de negócios digitais e fluxos de receita (69%) e para desenvolver uma experiência digital perfeita para o cliente (56%).

Este ano, os CEO planeiam gastar mais em tecnologias digitais do que no ano passado, com 52% a darem prioridade as medidas de segurança de dados, 50% focados em tecnologias centradas no cliente e 49% comprometidos com comunicações digitais, como videoconferência e recursos de mensagens.

O também procurarão vários caminhos para aumentar seus recursos digitais, uma vez que 61% afirmam que seu apetite por fusões e aquisições nos próximos 3 anos será impulsionado principalmente pelo desejo de adquirir tecnologia digital para transformar a experiência do cliente ou proposta de valor, segundo o relatório.

Embora poucos líderes de negócios prevejam um rápido retorno ao normal, estes têm um forte entendimento dos requisitos para “restaurar a normalidade” na maneira como trabalham, diz o estudo da KPMG. Também têm uma visão clara das ações necessárias para reafirmarem a sua competitividade num mercado que mudou para sempre, incluindo o desenvolvimento de suas atividades digitais e ESG aceleradas no ano passado. A grande maioria (89%) dos líderes empresariais está focada em garantir os ganhos de sustentabilidade e mudança climática que suas empresas obtiveram como resultado da pandemia. Quase todos (96%) os executivos globais estão a procura de aumentar o seu foco em direção a componente social dos seus programas ESG.




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