“2020 foi, acima de tudo, um ano de mudanças repentinas e adaptações ao segundo”

O “annus horribilis” de 2020, já lá vai, deixando a esperança ao fundo do túnel. Claramente marcado pelos efeitos da pandemia, o exercício deste ano empresarial caracterizou-se pela entrada em cena de uma nova forma de operar por parte de empresas e instituições, que se viram obrigadas a dar o último salto para o mundo digital. Renato Oliveira, CEO da ebankIT , falou com o Computerworld sobre o ano que encerrou, mas essencialmente analisou o que nos reserva 2021.

Por João Miguel Mesquita

Renato Oliveira, CEO da ebankIT

Em termos de negócio, que balanço faz de 2020? De que forma a pandemia influenciou o negócio e quais as consequências?

2020 foi, acima de tudo, um ano de mudanças repentinas e adaptações ao segundo. Acredito que ainda não conheçamos todas as consequências e será o próximo ano também de adaptação a elas. 

O contexto de isolamento social que fomos forçados a viver, alterou também os processos de negócio e gestão que passaram a ser mais – ou completamente – digitais. Assim, é inegável afirmar que todo o contexto que vivenciamos neste último ano, potenciou a adoção mais alargada de canais digitais por parte das instituições financeiras. E afirmou a importância dessa mesma transformação digital, que é a base do nosso trabalho e do nosso negócio. 

Com esta necessidade de capacitar os clientes a efetuarem a maioria das operações financeiras de forma remota e fácil, passou a existir ainda mais necessidade das instituições financeiras adquirirem a nossa plataforma omnicanal e proporcionarem aos seus clientes uma experiência de utilizador rápida, eficaz e sobretudo segura. 

Quanto vale o negócio em Portugal e qual a percentagem que representa no negócio global na Europa?

A empresa foi concebida para estar no mercado internacional, com um objectivo claro à partida de alargar o seu âmbito de atuação e entrar nos mercados mais influentes internacionalmente. Este objetivo tem sido claramente atingido sendo a faturação da ebankIT predominantemente internacional com mais de 98% de faturação para fora de Portugal. O mercado Europeu é uma mercado fundamental com clientes no Reino Unido, Suíça, Roménia para além de Portugal.

 A nossa vontade e ambição de crescer tinha de se consubstanciar com os mercados globais. Assim, a ebankIT tem vindo a registar um crescimento acelerado da sua operação nacional e internacional, fruto do reconhecimento das suas competências pela adesão dos clientes. 

 Quais as expectativas para 2021? O negócio vai crescer? Quais as áreas mais relevantes?

Nos últimos anos a ebankIT refinou o seu posicionamento no mercado e é atualmente líder e é esse o caminho que queremos e iremos continuar a seguir. Impulsionado com o crescimento que conseguimos obter mesmo num ano tão peculiar como foi o de 2020.  Para 2021 o objetivo é continuar com um crescimento de 2 dígitos, e abordagem passa pela consolidação dos mercados em que atuamos e uma aposta ainda mais forte, no mercado da América do Norte.

Uma das áreas na qual temos apostado é a de onboarding. É importante conseguir responder aos pedidos das pessoas de maneira simples e digital para garantir que desde o primeiro contacto ficam familiarizadas com a plataforma e que não desistem. A nossa aplicação mobile oferece uma interface simples e user friendly onde os potenciais clientes do banco podem criar uma conta digital ou subscreverem um novo produto bancário em simples passos sem nunca sair da aplicação.

Tendo em conta a necessidade de criação de emprego em Portugal têm previsto contratar em 2021? Com quantos colaboradores fecham em 2020, e quantos pensam ter no final de 2021? 

Prevemos para 2021 um crescimento sustentado através da angariação de novos clientes, na formação contínua e especializada das nossas equipas e na contratação de novos recursos. Tal como temos feito nos últimos anos, desde a nossa criação.

Durante o período de teletrabalho, não deixamos de contratar, reforçando o know-how da empresa contratando 25 novos colaboradores e prevemos continuar a ampliar as equipas em 2021. Um dos pilares que mais nos distingue é a qualidade dos nossos recursos humanos, prestamos serviços de excelência aos nossos clientes acompanhando-os na sua jornada de sucesso. E é isso que torna as nossas soluções únicas.

Quais as principais dificuldades que encontram, no mercado português, neste momento, no que respeita a abordagem a digitalização das empresas? 

Antes de tudo houve uma necessidade rápida de adaptação mas também de espera pela reorganização dos nossos clientes, derivado da nossa relação de trabalho mútuo. 

O que se tornou mais exigente foi mesmo o ato de vender, que passou a ser fisicamente distante. O primeiro obstáculo surgiu logo aí, o tipo de transações em que a ebankIT está envolvida, depende muito da relação social com os presidentes dos bancos e do grau de confiança que eles vêm a desenvolver em relação ao produto – o que está igualmente muito dependente da presença física. 

Prevemos que os efeitos da paragem da economia nos meses de confinamento e o arranque lento e demorado da atividade tenham um impacto – ainda não totalmente conhecido – mas que poderá ser mais evidente na banca com o fim das moratórias e possível entrada dos clientes em incumprimento. Este acontecimento poderá precipitar mais ainda o recurso à tecnologia por parte deste setor. Mas como disse no início, este ano de 2021 vai ser feito de descobertas do real impacto do que vivemos e ainda estamos a viver. Sendo que a grande aprendizagem que tiramos do ano transacto foi a de que é difícil fazer grandes projeções. Em particular no mercado nacional a nossa presença não é tão relevante como nos mercados internacionais.

Que conselhos dão às empresas para ultrapassarem os difíceis momentos que passamos?  

Relativamente às equipas, que em grande parte do tempo estavam habituadas a um contacto presencial no escritório, com a pandemia tentamos sempre criar um ambiente de normalidade, ou pelo menos uma sensação. Na ebankIT criámos, dentro daquilo que era o nosso horário, alguns momentos de team buildinghappy hoursworkshops temáticos, aulas de ioga e ginástica e até formações de línguas, através de videochamada.

No nosso caso foi ainda mais peculiar porque 2020 foi também o ano em que mudamos para as instalações do Porto Office Park as quais sentimos que ainda não conseguimos usufruir na totalidade. Esperamos conseguir em breve manter o nosso espírito de equipa e o nosso entusiasmo, mas desta vez um pouco mais próximos e a usufruir das excelentes condições que temos no novo edifício. 

Face ao processo de venda, investimos ainda mais na presença digital, com a substituição da presenças em feiras e eventos internacionais por eventos digitais (webinares, conferências, publicações nas redes sociais e media). Tal é fundamental para se poder manter a notoriedade da empresa e garantir que podemos alcançar mais empresas.




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