“As organizações, de forma geral, têm a noção da necessidade de acelerar a transformação digital e a transformação dos processos tradicionais”

O “annus horribilis” de 2020, já lá vai, deixando a esperança ao fundo do túnel. Claramente marcado pelos efeitos da pandemia, o exercício deste ano empresarial caracterizou-se pela entrada em cena de uma nova forma de operar por parte de empresas e instituições, que se viram obrigadas a dar o último salto para o mundo digital. Carlos Lourenço, Senior Vice-President Portugal da CGI, falou com o Computerworld sobre o ano que encerrou, mas essencialmente analisou o que nos reserva 2021.

Por João Miguel Mesquita

Carlos Lourenço, Senior Vice-President Portugal da CGI

 Em termos de negócio, que balanço faz de 2020? De que forma a pandemia influenciou o negócio e quais as consequências?

O ano de 2020 terminou, apesar da pandemia e de todo o contexto socioeconómico, com um balanço bastante positivo, embora os desafios se tenham multiplicado em consequência dos impactos já referidos. A gestão das equipas, a manutenção de uma cultura empresarial forte como é a nossa, a comunicação reforçada com os clientes, tudo isso foram aspetos muito importantes que tiveram de ser endereçados e resolvidos, maioritariamente, num contexto não presencial. Ao nível do negócio, a CGI tem uma operação extremamente diversificada em termos de setores de atividade e de oferta, e temos vindo a diversificar e a crescer nestas duas dimensões, o que é um excelente sinal da vitalidade e resiliência da operação. Todos estes resultados são uma consequência natural de termos uma equipa motivada, profissional e de excelência, com capacidade de responder aos desafios tecnológicos e de negócio dos nossos clientes – on time, on budget e com inovação. 

Quanto vale o negócio em Portugal e qual a percentagem que representa no negócio global na Europa?

A CGI não separa os dados da sua operação local. 

Quais as expectativas para 2021? O negócio vai crescer? Quais as áreas mais relevantes?

Ainda estamos numa fase inicial, mas os sinais que nos chegam dos nossos clientes e do mercado são, globalmente, positivos. Esta nova realidade em que vivemos levou a mudanças que, em alguns casos, irão sedimentar-se no futuro. Identificar quais serão é um desafio e acredito que teremos uma real dimensão da mudança somente daqui a algum tempo, sendo claro que será transversal a setores e atividades. 

Vamos fugir ao cliché da transformação digital acelerada que aconteceu, e que é um facto inquestionável, e focarmo-nos antes nas mudanças que estas trazem para os negócios dos nossos clientes, adaptando a nossa oferta a essa nova realidade, mais desmaterializada, mais automatizada e com crescente relevância dos dados e da informação. 

Acreditamos que todos os nossos principais setores de atuação a nível global, desde a administração pública às Utilities, ao setor financeiro, retalho e saúde, irão atravessar períodos de mudança assentes em novas tecnologias e isso dá-nos perspetivas de crescimento muito positivas para o próximo ano, tanto globalmente como na operação local. 

Tendo em conta a necessidade de criação de emprego em Portugal têm previsto contratar em 2021? Com quantos colaboradores fecham em 2020, e quantos pensam ter no final de 2021? 

De outubro de 2019 a setembro de 2020, juntaram-se a nós mais de 300 novos talentos para reforçar diversas áreas da organização. Ou seja, apesar do contexto adverso, mantivemos as ambições que tínhamos para o ano de 2020 e, neste momento, o número total de funcionários da CGI, em Portugal, supera os 1600. Em 2021 esperamos continuar a crescer a nossa operação local no pressuposto de que não haverá nenhuma perturbação como a de 2020 que possa alterar esta previsão.

Quais as principais dificuldades que encontram, no mercado português, neste momento, no que respeita a abordagem à digitalização das empresas? 

Não diria propriamente dificuldades, mas sim condicionantes. As organizações, de forma geral, têm a noção da necessidade de acelerar a transformação digital e a transformação dos processos tradicionais, e este é um caminho nem sempre fácil ou evidente. 

Cabe às empresas com esse conhecimento, como a CGI, apoiar os clientes na identificação dos caminhos mais rápidos e mais eficientes para esta transformação. Equilibrar a capacidade de investimento e o seu retorno, a par da reconversão dos recursos humanos existentes, serão os maiores desafios para a digitalização das empresas.

Business Analytics, cloud, a mobilidade, a automatização de processos, em conjunto com a inteligência artificial, serão, certamente, os temas mais prementes nas agendas dos nossos clientes. 

Que conselhos dão às empresas para ultrapassarem os difíceis momentos que passamos?  

É fundamental focarem-se na criação de valor apostando no desenvolvimento de três áreas: a agilidade empresarial, repensar as cadeias de fornecimento e incorporar as mudanças que permitem os novos modelos de trabalho, mais digitais e altamente produtivos. 




Deixe um comentário

O seu email não será publicado