“As expectativas para 2021 são positivas. Esperamos que o próximo ano seja globalmente positivo para o mercado das tecnologias de informação”

O “annus horribilis” de 2020, já lá vai, deixando a esperança ao fundo do túnel. Claramente marcado pelos efeitos da pandemia, o exercício deste ano empresarial caracterizou-se pela entrada em cena de uma nova forma de operar por parte de empresas e instituições, que se viram obrigadas a dar o último salto para o mundo digital. João Moreira, CEO da Abaco Consulting, falou com o Computerworld sobre o ano que encerrou, mas essencialmente analisou o que nos reserva 2021.

Por João Miguel Mesquita

João Moreira, CEO da Abaco Consulting

Em termos de negócio, que balanço faz de 2020? De que forma a pandemia influenciou o negócio da Abaco e quais as consequências?

O ano de 2020, foi sem dúvida, o mais desafiante, sobretudo, pela constante incerteza com que nos deparámos, mas, apesar desta situação, a Abaco Consulting teve uma evolução positiva na sua faturação, em 2020, em grande parte devido ao crescimento consolidado dos projetos internacionais em que a empresa se encontra envolvida, soma-se ainda o lançamento de diversas iniciativas de negócio que têm como objetivo reforçar as operações da empresa nos verticais de mercados em que opera diretamente, ou naqueles para os quais exporta serviços.

Desde sempre que convivemos com a mudança e a flexibilidade e, por isso, a Abaco é uma empresa que se adapta rapidamente. Por inerência dos serviços que presta já tinha, desde sempre, Equipas a trabalhar no escritório ligadas remotamente a alguns dos seus Clientes, bem como alguns Colaboradores já trabalhavam a partir de casa, em atividades de suporte num modelo nearshore. Por isso, já dispúnhamos de algumas ferramentas de software, sistemas e infraestruturas de comunicação para apoio a trabalho remoto, o que nos permitiu encarar esta situação de uma forma mais rápida e proactiva, colocando de imediato os nossos Colaboradores em home office.  No entanto, aplicar esse modelo a toda a organização, rapidamente, e sem preparação, apesar de estarmos habituados a conviver com processos de mudança, foi necessário suprir algumas dificuldades criadas por esta situação de emergência.

Quais as expectativas para 2021? O negócio vai crescer? Quais as áreas mais relevantes?

As expectativas para 2021 são positivas. Esperamos que o próximo ano seja globalmente positivo para o mercado das tecnologias de informação, e muito também para os sistemas de gestão, que terão de se adaptar para responder aos novos desafios de negócio das empresas, mais flexíveis, móveis e imediatos. Neste contexto, esperamos manter a evolução positiva registada nos últimos anos e consolidar a nossa presença internacional. Aumentar a faturação em 2021 é uma das prioridades de negócio da empresa. Contudo, a Abaco, não foca apenas a sua atividade em função do aumento da faturação, no qual pretendemos continuar a crescer a dois dígitos no volume global de negócios e, para a prossecução deste objetivo, contamos com o apoio do Brasil e Suíça que são mercados muito grandes e interessantes para a empresa. No caso do Reino Unido ainda existe alguma indefinição sobre as consequências do Brexit e qual a reacção do mercado a este novo cenário. Contudo, agora há pelo menos uma decisão que é melhor do que a incerteza que acompanhou todo este processo.  

Por outro lado, sentimos por parte do mercado um acelerar dos processos de transformação digital nas organizações o que constitui uma oportunidade de crescimento. No decorrer deste ano de 2020, apesar do contexto da pandemia e do impacto económico em alguns sectores conquistámos novos Clientes o que nos permite encarar o futuro com optimismo.

Tendo em conta a necessidade de criação de emprego em Portugal a Abaco tem previsto contratar em 2021? Com quantos colaboradores fecham em 2020, e quantos pensam ter no final de 2021? 

Atualmente, a Abaco Consulting, emprega cerca de 230 colaboradores, espalhados pelos diversos escritórios. Em 2021, a Abaco irá manter a tendência crescente de processos de recrutamento de forma a reforçar o desenvolvimento de soluções verticais por área de negócio. Este ano, ambicionamos a incorporação de 40 novos talentos, ao longo do ano, para as diferentes geografias em que operamos. Contudo, sabemos que vai ser difícil na medida em que continuamos deficitários de profissionais qualificados no sector das tecnologias de informação, quer em Portugal, quer no mercado europeu. Neste sentido, continuaremos a reforçar o nosso investimento na Abaco Academy com o objectivo de formar novos Consultores quer para integrar os nossos quadros quer para o mercado em geral.

Quais as principais dificuldades que encontram, no mercado português, neste momento, no que respeita a abordagem a digitalização das empresas? 

O maior desafio a que assistimos prende-se com  este “recomeço” que agora se está a erguer e que será, sem dúvida, mais digital, quer na forma de fazermos negócios, quer nos processos organizacionais, sendo que a tecnologia desempenhará um papel ainda mais preponderante na vida das organizações. Não obstante, apesar do impulso tecnológico que ocorreu este ano e que, numa situação normal, teria sido mais lento, ainda existem muitos entraves que limitam a nossa ação e que, na verdade, sempre fizeram parte do nosso dia-a-dia, mas nós nunca parámos para pensar neles. Por outro lado, o investimento na digitalização ainda não era para muitas empresas uma prioridade. E só agora, com as limitações que todos tivemos por causa da pandemia é que realmente percebemos o quanto o digital é importante. Assim é urgente eliminar tudo o que não seja ágil, de forma a que nos permita ter um modelo de negócio rápido a reagir. 

O desafio agora é conseguirem definir e implementar medidas de forma a se adaptarem a esta nova realidade, fazendo evoluir os seus modelos de negócios e construindo soluções que não apenas sobrevivam, mas que também prosperem no novo cenário de negócios que irá advir. É assim essencial que as empresas se prepararem para serem digitais desde o processo de venda até ao início da expedição, desde a compra da matéria-prima até ao planeamento da produção, desde o recrutamento até aos modelos de compensação e progressão na carreira.    

Que conselhos dão às empresas para ultrapassarem os difíceis momentos que passamos?  

Todos os Líderes empresariais enfrentam, neste momento, escolhas difíceis e incertas na resposta a este novo “normal”. Se, numa primeira fase, se focaram em pôr em prática todos os mecanismos necessários para que as organizações conseguissem se adaptar à situação e tirar o maior partido de tudo o que estávamos a viver, inicialmente limitado pelo confinamento, agora, é essencial focar nesta nova realidade, no qual o digital e o remoto são palavras de ordem.

É natural, que em tempos de crise, os Líderes das Organizações se concentrem essencialmente no aqui e no agora, assim como em dar respostas aos problemas mais urgentes. Mas não podemos nunca perder de vista olhar para o futuro e perspetivar que caminho queremos que a nossa organização siga daqui em diante. Saber antever novas mudanças, problemas, ser flexível, transparente e estar preparado para possíveis imprevistos é, sem dúvida, essencial para preparar o próximo ano que aí vem. Ainda mais porque há mudanças que não são circunstanciais, vêm para ficar.

Sobreviver a uma crise com uma boa liderança não é apenas apoiar os resultados ou minimizar o impacto económico nos negócios.  Acredito que o que faz uma boa liderança é a forma transparente e verdadeira como comunicamos, em qualquer circunstância. Nesta fase em particular é importante manter a calma e confiança no futuro. É igualmente importante apontar um caminho, mobilizar, motivar e materializar em ações cada passo que damos para seguir nesse rumo.

Nesta fase, mais do que nos reinventarmos temos de nos redescobrir e encontrar novas formas de criar valor para os nossos Clientes, Parceiros e Colaboradores. Considero que o mais importante continua a ser a comunicação com estes. Neste momento, é importante que se continue a dar primazia à comunicação interna e se passe mensagens que incentivem a tranquilidade e o respeito pelas regras impostas. Agora, mais do que nunca, é importante demonstrarmos aos nossos Colaboradores que, para nós, o mais importante são as pessoas e o seu bem-estar. É igualmente importante que entre Cliente e Fornecedor, Parceiro e Concorrente se estabeleçam laços de solidariedade ao invés de cada um procurar estratégias de sobrevivência individual. O sucesso na superação desta crise só pode ser coletivo. 

É um facto que os tempos de crise acabam sempre por diminuir e a vida volta ao normal – mesmo que esse “normal” pareça um pouco diferente. E, por isso, em algum momento, como já assistimos ao longo da história, uma nova crise, provavelmente, surgirá de forma inesperada, tal como aconteceu agora. Perante este contexto, o desafio dos CEOs enquanto líderes de negócios é manterem-se preparados para a próxima crise, que pode inevitavelmente surgir.




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