“Dotar a empresa de mais tecnologia, embora seja um passo importante, não é por si só transformar digitalmente a empresa”

O “annus horribilis” de 2020 chega ao fim, com a esperança ao fundo do túnel. Claramente marcado pelos efeitos da pandemia, o exercício deste ano empresarial caracterizou-se pela entrada em cena de uma nova forma de operar por parte de empresas e instituições, que se viram obrigadas a dar o último salto para o mundo digital. Hélder Bastos, Diretor Geral da ASUS em Portugal, falou com o Computerworld sobre o ano que encerra, mas essencialmente analisou o que nos reserva 2021.

Por João Miguel Mesquita

Hélder Bastos, Diretor Geral da ASUS em Portugal

Em termos de negócio, que balanço faz de 2020? De que forma a pandemia influenciou o negócio da Asus e quais as consequências?

A pandemia, pela necessidade dos diversos confinamentos, ensino à distância, apelo ao teletrabalho, entre outros, acabou por forçar o aceleramento do processo de transformação digital tanto a nível empresarial quer institucional, educação e saúde. Consequentemente as necessidades de utilização e aquisição provocaram uma elevada procura de dispositivos e sistemas informáticos. 

Sendo a ASUS uma marca líder e desejada pala inovação, design e desempenho, fomos sempre a primeira escolha do consumidor e registámos vendas no primeiro semestre do ano muito superiores ao planeado. Durante o segundo semestre, pela escassez a nível mundial da oferta de diversos componentes, essencialmente processadores e painéis/ecrãs, não foi possível fabricar e colocar no mercado as quantidades necessárias para satisfazer a procura existente. Não obstante esta dificuldade, o negócio da ASUS em Portugal registou um crescimento superior a dois dígitos em 2020.

Quanto vale o negócio da Asus em Portugal e qual a percentagem que representa no negócio global da Asus na Europa?

Dada a população, o poder de compra e a apetência tecnológica que constituem o nosso mercado local, o negócio da ASUS para Portugal representa 3% face ao global na Europa, ou seja, superior à razão da sua população.

Contudo, mais do que o volume de negócios para Portugal, mais do que sermos a marca líder de mercado em computadores portáteis em sete dos últimos 10 anos, em motherboards 10 anos nos últimos 10, placas gráficas, monitores LCD, entre outros, estamos mais focados em transmitir ao consumidor final, a garantir a quem investe na marca ASUS o melhor retorno do seu investimento, quer seja através do design, qualidade dos materiais/componentes utilizados, inovação apresentada, desempenho oferecido, entre outros fatores, que diferenciam a nossa marca das restantes.

O verdadeiro valor do negócio da ASUS em Portugal está no reconhecimento dos consumidores e meios de comunicação especializados na marca, o qual se tem manifestado, ano após ano, através da atribuição dos mais diversos prémios e galardões acompanhando a nível nacional o que vem também acontecendo em termos internacionais.

Quais as expectativas para 2021? O negócio vai crescer? Quais as áreas mais relevantes?

2020 ensinou-nos que expectativas não passam de meras possibilidades com todas as incertezas que estas acarretam. Acreditamos que se o negócio se mantiver nos níveis de 2020 estaremos na presença de um cenário muito positivo embora acreditemos que o mais provável será atingir os níveis de 2019 no que diz respeito a sistemas e dispositivos informáticos na sua globalidade. Acresce, para os que acreditavam, que um sistema informático, como é o caso de um computador portátil, um computador de secretária integrado em ecrã (AIO – All in One) ou tradicional, eram já única e simplesmente mercadorias, o momento que vivemos em consequência da pandemia acabou por provar precisamente o contrário.

O design, a inovação, a qualidade, o desempenho, entre outros, contam cada vez mais. Os sistemas informáticos, como são exemplo os computadores portáteis, são atualmente como nunca o foram antes, utilizados para trabalhar, para estudar, para nos mantermos ligados e por isso a exigência aumentou, e o investimento deve ser assegurado.

E é por estas razões que os equipamentos ASUS são valorizados e se tornaram best-sellers em todos os segmentos, desde os ProArt StudioBook, ZenBook, VivoBook, ROG Zephyrus, ROG Strix, TUF, ExpertBook, ExpertCenter, Zen AIO, entre outros.

A educação e a saúde serão duas áreas relevantes a dotar de ferramentas para a necessária transformação digital. Bom será, que não se façam apostas, por exemplo na educação, que visem única e simplesmente o curtíssimo prazo e o interesse populista levando as famílias a despender poupanças em dipositivos que se tornem rapidamente obsoletos e inúteis.

Tendo em conta a necessidade de criação de emprego em Portugal a Asus tem previsto contratar em 2021? Com quantos colaboradores fecham 2020, e quantos pensa ter no final de 2021?

A ASUS é uma empresa internacional gerida por uma visão global a qual é adaptada à realidade de cada país. Não havendo expectativas de um crescimento significativo do volume de negócios para 2021, não obstante a necessidade de emprego em Portugal, esperamos continuar a ter os mesmos 24 colaboradores atuais no final de 2021. Obviamente, caso surjam novas oportunidades e/ou áreas de negócio em que a ASUS Portugal possa vir a aportar valor serão reforçados os recursos e consequentemente aumentaremos o número de colaboradores.              

Quais as principais dificuldades que encontram, no mercado português, neste momento, no que respeita a abordagem a digitalização das empresas? 

Embora este seja um tema muito discutido e que muito evoluiu em consequência da pandemia também é verdade que continua a existir bastante confusão e, por outro lado, mais dificuldades no curto prazo do que no passado na implementação.

Dotar a empresa de mais tecnologia, embora seja um passo importante, não é por si só transformar digitalmente a empresa. Esta é uma grande dificuldade que encontramos. As empresas portuguesas são conservadoras na sua forma de encarar o negócio. Ultrapassar esta forma de pensar é caminhar para o sucesso e as barreiras que se encontram têm que ver maioritariamente com a definição e implementação de uma cultura digital na empresa. Há-que romper com grande percentagem da filosofia de negócio que está em vigor. 

A mudança é uma dificuldade por si só que encontramos e a transformação digital para além de ser uma mudança é uma mudança urgente, exige rapidez no teste de processos, para que se aprenda e evolua. Exige líderes inspiradores e não autoritários e controladores. Exige a capacidade e a audácia de desmaterializar o papel. Exige que sobretudo se perceba que não é uma moda. Exige que se perceba que é preciso fazer urgentemente porque é uma questão de sobrevivência a médio e longo prazo. Acresce a dificuldade da descapitalização de muitas empresas para fazer face a novos investimentos na fase em que nos encontramos perante uma enorme crise económico-social.

Que conselhos dão às empresas para ultrapassarem os difíceis momentos que passamos?  

Na verdade, não há receitas para ultrapassar momentos difíceis sobretudo quando nunca vivenciámos nada parecido nem tão grave ao longo da nossa vida pessoal e profissional. Há por isso que acreditar que mudaremos para melhor no médio prazo e nada será como foi.

Teremos, portanto, que nos reinventar, adaptar a dinâmica do negócio aos novos tempos, colocarmo-nos na pele do nosso cliente e entender as suas necessidades atuais de produto/serviço, comunicação, logística, pós-venda/apoio ao cliente, entre outros, preservando a imagem de marca que fomos construindo ou pretendemos construir sempre ao abrigo de uma cultura digital adequada à atividade. O básico é manter – execução de um plano de negócios realista, adaptar os recursos e custos ao volume de negócio expectável, controlar e acreditar.




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