“As empresas devem acompanhar a adoção do digital com a redefinição da sua cultura e processos, tendo os líderes um papel fundamental a este nível”

O “annus horribilis” de 2020 chega ao fim, com a esperança ao fundo do túnel. Claramente marcado pelos efeitos da pandemia, o exercício deste ano empresarial caracterizou-se pela entrada em cena de uma nova forma de operar por parte de empresas e instituições, que se viram obrigadas a dar o último salto para o mundo digital. Paula Panarra, Diretora Geral da Microsoft, em Portugal, falou com o Computerworld sobre o ano que encerra, mas essencialmente analisou o que nos reserva 2021.

Por João Miguel Mesquita

Paula Panarra, Diretora Geral da Microsoft, em Portugal

Em termos de negócio, que balanço faz de 2020? De que forma a pandemia influenciou o negócio da Microsoft e quais as consequências?

Este ano foi, sem dúvida alguma, um dos anos mais desafiantes das nossas vidas, tanto ao nível da saúde pública, como pelo impacto económico e social. Em termos de transformação digital: em 2 meses, assistimos a um avanço tecnológico que seria expectável, em circunstâncias normais, em 2 anos.

Na Microsoft, desde o início da pandemia que respondemos sempre às circunstâncias de forma célere e ágil, beneficiando da cultura de tele-trabalho que a nossa equipa já tinha. Mas o maior desafio foi estar ao lado dos nossos clientes, a garantir a continuidade dos seus negócios, alguns críticos até ao próprio combate à pandemia ou para evitar a disseminação do virus: os nossos serviços de dados ajudaram as autoridades de saúde pública a tomar decisões informadas e eficazes, chatbots e consultas de tele-saúde para responder de forma imediata e com segurança, Inteligência Artificial e Big Data para acelerar a investigação científica; paralelamente, assistimos à utilização massiva das nossas plataformas de trabalho colaborativo e ensino remoto, o Microsoft Teams; mais tarde, surgiram prioridades relacionadas com a segurança, otimização de custos, criação de eficiências, automatização de processos e reforço dos serviços remotos.

Mas foi também um ano de comemorações. Foi com grande orgulho que celebrámos os 30 anos da Microsoft Portugal em conjunto com a nossa comunidade de colaboradores, clientes e parceiros, através de várias iniciativas que refletiram as conquistas e sucessos do caminho sustentado e equilibrado que temos vindo a percorrer. Ainda de realçar o Memorando de Entendimento que assinámos com o Ministério da Economia e Transição Digital agora em finais de novembro, em que nos propomos desenvolver uma série de iniciativas que irão acelerar a digitalização da sociedade, das empresas e do Estado português nos próximos anos.

Quais as expectativas para 2021? O negócio vai crescer? Quais as áreas mais relevantes?

Se neste ano a aceleração e a transformação digitais foram cruciais para garantir a continuidade da economia, é fundamental que em 2021 apoiemos as organizações e a sociedade na recuperação económica e a re-imaginar um melhor futuro para o nosso país. A tecnologia vai continuar a ter um papel fulcral  e as organizações deverão aumentar o seu investimento para se poderem re-inventar nesse novo futuro.

Vamos continuar a assistir à aceleração da adoção da cloud; de tudo o que são tecnologias que permitam o “Remote everything”, desde o trabalho, o ensino, o atendimento ao cliente, o e-commerce; o low code vai permitir a otimização e agilização dos processos; o poder dos dados serão essenciais para a reinvenção dos negócios; e não esquecer a necessidade das organizações investirem em cibersegurança, a sofisticação dos ataques cibernáuticos continuará a ser uma realidade para a qual é urgente estar preparado.

Tendo em conta a necessidade de criação de emprego em Portugal a Microsoft tem previsto contratar em 2021? Com quantos colaboradores fecham 2020, e quantos pensam ter no final de 2021? 

Neste momento contamos com uma equipa de 1.200 colaboradores em Portugal e prevemos a contratação de 300 pessoas até 2022, atingindo um total de 1.500 colaboradores.

Quais as principais dificuldades que encontram, no mercado português, neste momento, no que respeita a abordagem a digitalização das empresas?

Os maiores desafios que vemos neste momento para a digitalização das empresas são a não urgência na adoção de tecnologias e falta de investimento na capacitação digital dos colaboradores. É perfeitamente natural que ainda existam este tipo de lacunas, já que estes são temas que não eram “top of mind” para muitas organizações, mas que têm de ser prioridades do novo ano.

Que conselhos dão às empresas para ultrapassarem os difíceis momentos que passamos?  

Nesta fase de transformação, as organizações devem construir a sua própria resiliência e recursos digitais através da tecnologia, de forma a garantir que recuperam mais rapidamente e que saem desta crises mais fortes. Paralelamente, é crucial avaliarem, repensarem e re-imaginarem as suas estratégias de negócio, até os próprios produtos e serviços,  tendo em conta que estamos perante uma economia cada vez mais global e digital.

As empresas devem acompanhar a adoção do digital com a redefinição da sua cultura e processos, tendo os líderes um papel fundamental a este nível. Assim como será essencial o investimento em competências digitais de forma transversal na organização, até em funções onde antes não seria tão crítico.

E, por fim, a recuperação deve ser mais sustentável também do ponto de vista ambiental, alinhada com uma agenda que se assume cada vez mais verde. Na Microsoft, temos fortes compromissos de sustentabilidade: queremos ser uma empresa carbono negativa, até 2030, e retirar do ambiente todo o carbono que emitimos, até 2050, e queremos ajudar os nossos clientes a fazer este caminho.




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