“A aposta na retenção de talento através do reforço nas competências das equipa são a chave para ultrapassar os momentos difíceis”

Rui Reis explica à ComputerWorld como correu o ano de 2020 e quais as expectativas para 2021. O Diretor Executivo da Mind Source fala ainda de política de contratação e deixa alguns conselhos para as empresas nacionais do setor de TIC.

O “annus horribilis” de 2020 chega ao fim, com a esperança ao fundo do túnel. Claramente marcado pelos efeitos da pandemia, o exercício deste ano empresarial caracterizou-se pela entrada em cena de uma nova forma de operar por parte de empresas e instituições, que se viram obrigadas a dar o último salto para o mundo digital.

Em termos de negócio, que balanço fazem de 2020? De que forma a pandemia influenciou o negócio da Mind Source e quais as consequências?

Apesar de atípico, terminaremos o ano de 2020 em linha com o que tínhamos projetado e de acordo com as nossas expectativas, com um crescimento de 6,5% face ao ano de 2019.

A principal mudança que se fez notar em 2020 foi na forma de prestar serviços, o teletrabalho trouxe resultados muito positivos em termos de produtividade e o impacto da pandemia revelou-se residual na nossa atividade. Acreditamos que o teletrabalho vai ser um dos grandes legados da pandemia para as empresas por todo o Mundo, tendo vindo acelerar uma tendência que está aqui certamente para ficar.

Em 2021, esperamos uma maior contração no mercado onde atuamos, com alguns dos nossos clientes a colocarem em standby alguns dos seus projetos e, por isso, contamos com um crescimento mais moderado relativamente a 2020. No entanto, mantemo-nos disponíveis e recetivos a propostas de parcerias, bem como, a prospetar novos sectores de atuação e estamos confiantes que hão de surgir novas oportunidades.

Quanto do negócio da Mind Source é feito dentro de portas e qual a percentagem e valor do negócio internacional?

Neste momento, o nosso negócio é desenvolvido maioritariamente a nível nacional, sendo que o valor de negócio internacional realizado em nearshore situa-se entre os 5% e os 8%.

Quais as expectativas para 2021? O negócio vai crescer? Quais as áreas mais relevantes?

Ainda que de uma forma mais moderada, estamos confiantes num crescimento na produtividade e rentabilidade em 2021. O desenvolvimento de produtos e soluções em áreas analíticas e de colaboração são de extrema importância e a nossa maior aposta nesta fase.

Espera-se aumento da equipa no próximo ano? Quantas pessoas tem a Mind Source e quantas terá daqui a 12 meses?

É um facto que 2021 trará muitas incertezas ao nível do mercado de trabalho e se por um lado há menos permeabilidade do mercado para mudanças, por outro lado mantemos a nossa a intenção de contratação e gostaríamos de manter a tendência no próximo ano. Atualmente, contamos com 215 profissionais especializados nas áreas de Business Analytics, Development e Governance, e esperamos chegar aos 230 colaboradores até ao final de 2021.

Quais as principais dificuldades que uma tecnológica nacional enfrenta quando compete com players internacionais?

A principais dificuldades prendem-se sobretudo com o facto de os players internacionais apresentarem uma capacidade de investimento superior e, consequentemente, maior capacidade competitiva. Em oposição as empresas nacionais apresentam um pricing mais atrativo que coloca Portugal como um centro de nearshore apetecível para empresas internacionais.

Existe também um estigma no mercado nacional em apostar nas tecnológicas portuguesas, apesar dos resultados positivos e constantes demonstrações de um trabalho de excelência. Dever-se-á sobretudo à capacidade de empresas internacionais de conseguirem transmitir confiança, num clima de grande incerteza como é o cenário pós-pandemia. A forma como combatemos este estigma é através da nossa experiência de mais de uma década no desenvolvimento de projetos para os principais players do mercado nacional e também a excelência com que entregamos cada projeto.

Que conselhos dão às empresas nacionais de TIC para ultrapassarem os difíceis momentos que passamos?

Em tempos atípicos como os que vivemos, as empresas precisam tanto dos colaboradores como os colaboradores precisam das empresas.

A aposta na retenção de talento através do reforço nas competências das equipas e na garantia da sua saúde e bem-estar são a chave para ultrapassar os momentos difíceis pelos quais muitas empresas estão a passar. É fundamental garantir a segurança dos colaboradores para assegurar a continuidade de qualquer negócio e este esforço por parte das empresas será certamente reconhecido pelos colaboradores, resultando em pessoas mais felizes e produtivas. A Mind Source lançou em Março um Health Program que veio apoiar os seus Talentos durante o cenário COVID e pós-covid com uma abordagem 360 às necessidades das suas equipas, contando com apoio psicológico, consultas de nutrição, plafond para a aquisição de material de escritório, entre outros benefícios.

A par do trabalho e da resiliência, a criatividade é fundamental para ultrapassar qualquer situação de crise. Durante o processo criativo, surgem novas formas de agir e inovar que se traduzem num potencial competitivo das empresas.

Numa altura em que a incerteza impera, a garantia de compromisso com clientes e parceiros é igualmente importante. Conscientes que os resultados dependem das ações e desempenho individuais, é crucial que a liderança transmita uma mensagem de otimismo que garanta a união da equipa e o espírito de missão. Só assim acreditamos que o empenho individual vai trazer frutos à equipa e assegurar a continuidade das empresas nacionais.




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