Inteligência Artificial e Edge Computing: a combinação perfeita das Tecnologias de Informação

Tradicionalmente, a IA tinha lugar em centros de dados potenciados pela computação cloud. Com o tempo, tem-se afirmado enquanto software, incorporando-se agora em endpoints de Internet-of-Things e outros dispositivos destinados a um utilizador final.

Por Carlos Cunha, Diretor Comercial Dynabook Portugal

Inteligência Artificial (IA) e Edge Computing são naturalmente palavras-chave da indústria. A implementação de IA em diversos negócios aumentou 270% nos últimos 4 anos, prevendo-se que, nos próximos 3 anos, 30% do orçamento das empresas destinado às Tecnologias de Informação seja investido no edge cloud computing. Estando ainda em processo de amadurecimento, ambas as tecnologias estão conjuntamente a ser incluídas nos processos de decisão dos líderes das TI. Andam de mãos dadas – o uso da IA é fulcral para o edge computing, da mesma forma que o edge computing é um importante facilitador da IA. 

Um novo tipo de IA

Tradicionalmente, a IA tinha lugar em centros de dados potenciados pela computação cloud. Com o tempo, tem-se afirmado enquanto software, incorporando-se agora em endpoints de Internet-of-Things e outros dispositivos destinados a um utilizador final. 

À medida que os consumidores começaram a passar mais tempo nos seus smartphones, as grandes empresas de tecnologia perceberam que para garantirem experiências de utilização satisfatórias era necessário aproximar o poder da computação, outrora pertencente aos centros de dados, ao utilizador final. As grandes quantidades de dados serão sempre processadas via cloud, contudo, os dados instantâneos gerados pelos utilizadores podem ser tratados através da computação edge. Empresas como a Google e a Amazon estão já a explorar os potenciais benefícios do edge computing. 

De forma a acompanhar estas grandes empresas de tecnologia, mais e mais negócios envolvidos com IA começaram a perceber os benefícios da computação edge. A Deloitte prevê que mais de 750 milhões de chips edge IA – produzidos para permitir o machine-learning no próprio dispositivo – sejam vendidos este ano. 

Ultrapassar os desafios da IA com o edge

Mas porque é que o edge combina tão bem com a IA? IA é, indubitavelmente, uma tecnologia de computação intensiva que lida com vastas quantidades de dados. Como resultado disso, a largura de banda, a latência, a segurança e o custo representam obstáculos significativos para a maioria das empresas. O edge beneficia a IA ao contribuir para a superação destes desafios tecnológicos. 

A inteligência artificial tem, literalmente, um grande problema de dados. Com o edge computing, em vez de se proceder ao envio de dados para a cloud ou para um centro de dados distante, estes são processados mais perto do utilizador final. Assim, alivia-se não só a largura de banda exigida, como os custos de backhaul. Além disso, trazer o processamento até ao ponto de captura confere imediatamente valor acrescentado aos dados, que serão reunidos instantaneamente. 

Outra das razões que favorece a adoção do edge computing – talvez a mais óbvia – é a reduzida latência. À medida que as tecnologias e serviços se tornam mais dispersos pelas redes empresariais, é natural a ocorrência de latência. Sendo necessário que os processos de tomada de decisão ou quaisquer outras ações sejam acompanhadas em tempo-real por vários dispositivos, é desejável que a latência se mantenha no nível mais minimizado possível. Ao localizar tarefas chave de processamento para mais perto do utilizador final, o edge computing assegura maior eficácia, garantindo uma resposta superior dos serviços de IA de que dispõe. 

A privacidade mantém-se um desafio por resolver na indústria da IA, especialmente com o aumento do número de dispositivos que suportam esta tecnologia nas redes empresariais. O edge computing oferece uma solução para este enigma de segurança. Com o uso de tecnologia de IA baseada no edge computing, a informação sensível será armazenada e processada no dispositivo, em vez de ser enviada para a cloud. Apenas as quantidades de dados menos intensivas temporalmente precisarão de ser enviadas para a cloud, o resto é local. Ora, se existe uma menor transferência de dados sensíveis entre dispositivos e a cloud, existirá uma maior e melhor segurança para os negócios e respetivos clientes.
De acordo com a Gartner, no espaço de 2 anos, 74% de todos os dados necessitarão de uma análise e uma ação on the edge. E dados provindos de dispositivos de IA não serão exceção. De facto, edge IA é a próxima onda deste tipo de tecnologias e muitos gigantes tecnológicos estão a reconhecer isto. No início deste ano, a Intel e a Udacity anunciaram um programa nanodegree conjunto de edge IA para ajudar a treinar os programadores da área. Com a quantidade de dados a crescer exponencialmente, existe uma necessidade real de que o armazenamento e computação de dados sejam feitos no dispositivo. Não descurando, claro, outros fatores – velocidade, privacidade e segurança. Para aqueles que se questionam sobre o próximo destino da IA, agora sabem: to the edge!




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