Entrevista da Semana: “A Vision-Box orgulha-se de desenvolver todo o software e hardware internamente”

A Computerworld falou com Pedro Pimenta, CTO da Vision-Box , para saber como está o negócio da biométrica no mundo, e como se posiciona a Vision-Box relativamente aos avanços e recuos, do projeto de fronteiras biométricas da União Europeia.

Por João Miguel Mesquita

A Vision-Box é uma multinacional de tecnologia, que desenvolve soluções integradas de software e hardware de gestão automatizada. A empresa é responsável por mais de 6.000 soluções biométricas, utilizadas por mais de 700 milhões de pessoas em todo o mundo. A sua intervenção e contributo, nomeadamente junto do setor da aviação, tem sido crítica e e de alguma forma chave no atual contexto, através da implementação de soluções de biometria, aliás presentes em mais de 80 aeroportos a nível global. Mas o seu contributo não se limita apenas ao setor da aviação, já que são parceiros líderes de governos e entidades privadas com desafios críticos de segurança, aos quais asseguram a interoperabilidade dos seus processos.

Há uma ano a Vison-Box instalava em Portugal, mais propriamente na Abóboda, concelho de Cascais, uma fabrica com uma área de 8 mil metros quadrados, procurando então, responder à crescente procura por soluções tecnológicas biométricas.

Fomos conversar com Pedro Pimenta, CTO da empresa, para saber como está a correr a aposta na fabrica, como está o negócio da biométrica no mundo, e como se posiciona a Visin-Box relativamente aos avanços e recuos do projeto de fronteiras biométricas da União Europeia.

Faz um ano que a Vision-Box instalou em Portugal uma unidade de Produção e Logística em Portugal. Pode fazer-me um balanço desta operação? 

 Pedro Pimenta, CTO da Vision-Box

Este é um projeto de expansão da unidade de produção existente, junta fábrica e armazém, numa área de oito mil metros quadrados. Está situada na Abóboda, no concelho de Cascais, e reflete o crescimento da empresa, oferecendo uma produção em larga escala, respondendo assim à crescente procura global de soluções biométricas de software e hardware para gestão de identidade digital.

Como fornecedores de soluções completas para automação, facilitação e identificação de pessoas em contextos de controlo de fronteiras, aeroportos ou serviços governamentais, a Vision-Box orgulha-se de desenvolver todo o software e hardware internamente.  Desta forma, e dominando 100% da cadeia de valor, estamos numa posição mais confortável para responder aos desafios dos nossos clientes.

Após um ano, o balanço é positivo, uma vez que ao apostarmos neste espaço e nesta localização, reforçamos a nossa prioridade no talento nacional e na tecnologia portuguesa. 

Sendo a gestão de software de dados biométricos uma das vossas principais áreas de negócio, seria interessante perceber como é pensada a segurança de dados, quer do ponto de vista do fabricante, quer dos vossos clientes e de quem são recolhidos os dados? Ainda a este nível, gostaria de perceber se já incluem no software metodologias de segurança de dados ou se este aspeto é deixado ao critério de cada cliente?

A segurança e a privacidade são duas das nossas prioridades. A Vision-Box recolhe dados críticos e sensíveis como dados biográficos e biométricos, mas sempre garantindo o cumprimento das normas e critérios de segurança impostos e certificados pelas entidades competentes, conforme comprova a nossa certificação em ISO 27001 que atesta a segurança nos nossos processos de desenvolvimento e operação da solução. Isto permite ao mundo da aviação (e não só) garantir máxima proteção aos seus utilizadores, preservando sempre a segurança.

Temos também o exemplo do nosso software integrado de gestão de toda a experiência do passageiro, o Orchestra, através do qual é partilhada informação sensível entre aeroportos, linhas aéreas e autoridades de controlo fronteiriço e governos. Flexível, escalável, e com o conceito de segurança intrínseco, tem a particularidade de ser a única no mundo desenhada e certificada de acordo com as definições da maior autoridade internacional em Privacy By Design, o centro de Excelência da Universidade de Ryerson no Canadá.

Pode explicar-nos em que consiste o projeto de fronteiras biométricas, em que ponto se encontra e se o objetivo de obrigatoriedade em 2022 será atingido?

O pacote legislativo chamado “Fronteiras Inteligentes”, composto por um sistema de registo automatizado de entrada e saída de estrangeiros e por um programa de passageiro frequente, foi proposto pela Comissão Europeia em 2013 e insere-se no domínio da política de controlo da fronteira externa da União Europeia (UE), que tem o objetivo de se construir como um espaço de liberdade, segurança e justiça.

Na nossa perspetiva, existem dois cenários numa fronteira: ou deixamos entrar alguém não autorizado, ou bloqueamos a entrada a alguém autorizado. São parâmetros opostos. O primeiro cenário é o de uma fronteira fechada. O outro é o de uma fronteira aberta. E é preciso saber como trabalhar entre os dois. Há mais de dez anos que a Vision-Box se lançou no mercado das e-gates, as passagens automáticas de passageiros, que controlam passaportes e bilhetes de avião nos aeroportos. Portugal foi o primeiro país europeu a lançar um projeto piloto no âmbito do programa Smart Borders, da Comissão Europeia, destinado a estudar o processo de entrada e saída de passageiros fora do Espaço Schengen através de fronteiras terrestres, marítimas e aeroportos.

Com este projeto apercebemo-nos que com um prazo tão curto de implementação, os países precisam de otimizar os seus processos para cumprirem todos os requisitos até 2022. E é aqui que a Vision-Box entra. O nosso objetivo é ajudarmos a facilitar todo este processo. Com o nosso conhecimento em mais de 80 aeroportos e experiência de décadas no controlo de fronteiras, conseguimos agora potenciar esta transformação digital obrigatória, antevendo cenários críticos e trabalhando sobre casos reais que conhecemos de perto e para os quais já temos solução.




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