A tecnologia nas empresas abre a discussão sobre o futuro do trabalho

No Portugal Digital Summit, Paula Panarra, diretora-geral da Microsoft Portugal , Nuno Luz, Diretor-Geral da FNAC Portugal, João Ricardo Moreira, administrador da NOS, e Sérgio Monte Lee, Membro do Conselho Executivo e Chief Strategy Officer da Deloitte Portugal, debateram o futuro do trabalho e adaptação das empresas aos novos processos.

Em cada um dos sectores representados identificaram-se oportunidades e desafios impostos pela pandemia e instalou-se a certeza de que nada será igual no futuro e de que muito já mudou, no passado recente. Paula Panarra, diretora-geral da Microsoft Portugal revelou aqui os resultados de um estudo que mede a evolução do número de empresas que afirma ter políticas e processos para trabalho remoto. No ano passado eram 15%, este ano 86%.

A gigante do software foi uma das muitas empresas que nos primeiros meses do confinamento deu acesso gratuito a algumas ferramentas e promoveu ações de formação gratuitas, mas Paula Panarra concorda que ainda há caminho a percorrer para consolidar os passos já dados pelas empresas nos últimos meses rumo à digitalização, uma opinião que também foi partilhada por Sérgio Monte Lee, Membro do Conselho Executivo e Chief Strategy Officer da Deloitte Portugal: não vejo no nosso mercado as empresas a aproveitarem para transformar estruturalmente os seus processos”.

O exemplo da Fnac

A Fnac trouxe ao debate a experiência de quem lida diariamente com o consumidor, comercializando produtos em algumas das áreas onde a procura mais disparou durante a tecnologia.

“Como multinacional começámos a trabalhar um plano de contingência desde fevereiro, mas o cenário de fecho de lojas foi sempre assumido como um cenário muito radical e em dias ou semanas acabou por se tornar realidade”, sublinhou Nuno Luz, Diretor-Geral da FNAC Portugal.

A empresa tem uma longa experiência no e-commerce, mas o canal representava pouco mais de 10% das vendas e “nunca pensámos que seria o único a funcionar durante um mês e meio”, confessa o responsável.

O primeiro desafio foi o das pessoas, mais de 80% dos colaboradores trabalhavam nas lojas físicas, depois o stock, que não estava preparado para uma explosão repentina da procura e a seguir o fluxo logístico e a capacidade de entregar rapidamente. “Creio que nenhum retalhista estava preparado para o que aconteceu”, reconhece o responsável, “mas no geral penso que o sector teve uma boa resposta”.

Fator surpresa da pandemia criou momento único

As telecomunicações foram outro sector testado ao limite com o confinamento. João Ricardo Moreira, administrador da NOS, reconhece que houve rapidamente a noção na operadora de estar a gerir uma infraestrutura completamente critica para o funcionamento de uma sociedade fechada em casa. “Essa perceção levou-nos a desenhar planos de contingência ainda mais reforçados”, e muitas das práticas implementadas internamente acabaram por ser partilhadas com clientes que tinham processos pouco estruturados, ajudando-os a ultrapassar algumas das questões evidenciadas pela pandemia.

Entre sectores, as várias empresas foram unânimes em considerar que a pandemia – pelo fator surpresa da 1ª vaga – criou dificuldades que não se repetirão na mesma escala, mesmo com boa parte do tecido empresarial a ter ainda muito trabalho pela frente na modernização de processos. Mas a pressa de encontrar o melhor equilíbrio para o modelo híbrido que se espera venha a dominar o mundo do trabalho daqui para a frente, é comum e a noção dos impactos de um novo confinamento bem clara.

Menos de um quarto da população apta a trabalhar a partir de casa

“Não temos seguramente mais de 25% da nossa população ativa com capacidade para trabalhar em casa”, alertou Sérgio Monte Lee. “Quando falamos num novo lock down não nos podemos esquecer que isso para muitos não significa trabalhar em casa, significa ficar em casa”.

Por outro lado, as questões da saúde mental e os impactos sociais e profissionais do teletrabalho prolongado também preocupa as empresas. Paula Panarra revelou por exemplo que a Microsoft tem feito vários estudos de neurociência, para perceber que ferramentas pode usar para diminuir a fadiga que as pesquisas sobre o impacto do modelo de trabalho remoto já revelam.

“Todas as reuniões hoje são sprints. Devíamos de deixar de falar em 40 horas de trabalho semanal para começar a falar em 80 meias horas semanais”, considerou também João Ricardo Moreira, enquanto reconhecia novos desafios no on boarding de colaboradores e na dinamização de equipas. “Há enormes desafios em galvanizar pessoas para projetos”. admitiu.




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