Cloud computing vs. edge computing: repensar a infraestrutura do teletrabalho

Por Luis Polo | Dynabook Iberia

A computação cloud ou cloud computing não é propriamente um conceito inovador. Os seus benefícios são amplamente reconhecidos no mundo dos negócios. Sem o cloud computing não teríamos hoje o largo conjunto de serviços de que dispõem empresas de todas as dimensões. Assim, não é surpresa nenhuma que 85% das empresas acreditem que a adoção da computação cloud é condição necessária à inovação. Contudo, é no decorrer da atual pandemia Covid-19 que a cloud tem ganho importância, ao permitir que milhões de empresas de todo o mundo continuem ativas enquanto praticamente toda a sua força de trabalho se encontrava a produzir a partir de casa.

Conceitos mais recentes como edge computing são abordados regularmente enquanto alternativas à cloud, como se se tratasse de abordagens exclusivas de infraestrutura. Porém, a utilização de um não anula a possibilidade de recorrer ao outro. Há quem acredite até que o edge computing vai, eventualmente, substituir a tradicional computação cloud, contudo, não é esse o caso. Ambas as tecnologias têm papeis importantes e distintos a desempenhar no ecossistema da IT.

Dito isto, há casos em que o edge computing apresenta vantagens sobre a infraestrutura centralizada tradicional da cloud, especialmente durante este período no qual se verificou um aumento sem precedentes do trabalho remoto, como a maior capacidade de superar problemas de latência, constrangimentos operacionais e de segurança. Mas, afinal, em que é que estas vantagens se traduzem?

Redução de constrangimentos operacionais

Comparando a tradicional computação cloud com o edge computing, a principal diferença que ressalta é o local e a forma como ocorre o processamento de dados. Com a cloud, os dados são armazenados e processados numa localização central (por norma, um centro de dados), enquanto o edge computing gere o processamento de dados mais perto da sua fonte.

Vivemos já num mundo dados complexos, com a proliferação de novas tecnologias como o IoT, 5G, wearables e realidade assistida (AR), responsáveis por criar elevados volumes de dados gerados perto do utilizador ou dos endpoints. A isto, acrescenta-se o trabalho remoto que faz com que mais e mais dispositivos tentem aceder a redes de trabalho fora de localizações centrais, como é o caso dos escritórios. Em si, a cloud tem capacidades significativas de computação e armazenamento, contudo, a crescente pressão na largura de banda da rede torna necessário um tipo diferente de infraestrutura – e é aqui que entra o edge computing.

Proceder a uma reforma completa da infraestrutura no sentido de atender à procura pode ser bastante caro e exigir demasiados recursos a uma empresa. Com o edge computing, não é necessário substituir totalmente os recursos já existentes. O uso desta tecnologia facilita a vida das empresas, na medida em que processar dados mais perto da sua fonte reduzirá tensão na cloud. Em conjunto com  edge data centres, o edge computing tem capacidade para processar dados de uma forma mais localizada, libertando, dessa forma, a cloud para as necessidades mais gerais do negócio e contribuindo para uma performance mais eficiente das aplicações.

Segunda Vantagem: latência

No âmbito da cloud, as informações são remetidas aos data centres, processadas e depois enviadas de volta para a outra ponta da rede, onde se encontra o dispositivo. Este processo pode causar atrasos ou latência. Em alguns casos, nos quais a necessidade de processamento de dados não é eficiente temporalmente, a cloud oferece maior capacidade de processamento, armazenamento e análise em larga escala. Contudo, a latência pode afetar as pessoas que se encontram em regime de teletrabalho. Por exemplo, durante a crise da Covid-19, os colaboradores dependeram amplamente de videoconferências para as quais é importante a conexão em tempo-real.

Talvez este último exemplo de um trabalhador de escritório não seja crítico, contudo, questões de latência relacionadas com a rede podem ter efeitos prejudiciais para um diferente tipo de trabalhador remoto – aqueles que se encontram na linha da frente ou que trabalham no terreno. Por exemplo, imagine-se um membro de staff a trabalhar num armazém utilizando a funcionalidade de Realidade Assistida (AR) “pick-by-vision” com smart glasses, úteis para facilitar a seleção, classificação e gestão de armazenamento, de mercadorias e processos de remoção. No caso de ocorrer latência durante esta tarefa, e o trabalhador receber informação atrasada, a sua produtividade pode ser significativamente afetada, podendo, até, resultar em erros contínuos, afetando, por último, os resultados de uma empresa. A tecnologia edge computing oferece uma solução para este problema ao realocar o processamento de dados para mais próximo do dispositivo que se encontra na ponta da rede, eliminando, dessa forma, a latência e, assim, reduzindo os possíveis incidentes advindos de um atraso de rede.

Terceira Vantagem: segurança e privacidade

Com mais e mais pessoas a trabalhar fora do escritório, regista-se um aumento dos dados que são acedidos remotamente. Por sua vez, o aumento de incidentes relacionados com esta forma de acesso conferem aos cibercriminosos uma maior oportunidade de obter informações sobre as empresas, que podem, posteriormente, ser utilizados de forma prejudicial. Com a tecnologia de edge computing, os dados são filtrados e processados de forma localizada, em vez de serem enviados para um data centre central, antes de serem transmitidos ao núcleo da rede da organização via cloud. Quanto menor for a transferência de informações sensíveis entre dispositivos e a cloud, melhor será a segurança das empresas e dos seus clientes. A COVID-19 alterou, indubitavelmente, o cenário de trabalho de muitas empresas, obrigando os líderes empresariais a repensar as suas estratégias de trabalho remoto. Durante este período, a cloud permitiu que os dados fossem partilhados por todas as organizações de forma segura. Contudo, como discutimos acima, existem situações nas quais o edge computing pode ser útil, ao aliviar a largura de banda, aumentar a velocidade de rede e combater preocupações de segurança. A questão não está na escolha entre computação cloud ou edge – ambas as tecnologias têm diferentes propósitos e utilizações, e continuarão a desempenhar importantes papéis no futuro. Com o trabalho remoto a configurar-se enquanto nova norma para os negócios, prevê-se que o futuro das infraestruturas de redes combine as duas.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado