Helder Bastos: “Foram dias de repensar todo o planeamento, ciclo de vendas, necessidades futuras do mercado entre muitos outro”

A Computerworld está a medir o pulso aos fabricantes do mercado TI em Portugal, tendo em conta a pandemia provocado pelo Covid-19. Fomos saber como as empresas estão a reagir, como mantêm os ciclos de vendas, como respondem aos novos formatos do apoio ao cliente e como olham para o futuro. Hélder Bastos, Diretor Geral da Asus Portugal, aceitou o nosso desafio.

Hélder Bastos, Diretor Geral da Asus Portugal

Como está a vossa capacidade na entrega e implementação de produtos? 

Na Asus Portugal trabalhamos com planeamentos e encomendas à fábrica com uma antecedência muito significativa. Consequentemente toda a produção para o primeiro trimestre já se encontrava em transito antes de se iniciar o Ano Novo Chinês que coincidiu com o surto de COVID-19 em Wuhan. Por outro lado, a produção para abastecimento do segundo trimestre foi efetuada no primeiro ciclo logo após a reabertura das fábricas. 

Assim, o planeamento do primeiro semestre de 2020 para Portugal não sofreu cortes nem atrasos face ao solicitado à fábrica.

Porém, importa salientar que o que não foi contemplado na cadeia de abastecimento e mercado tem que ver com a duplicação da procura por sistemas informáticos, sejam eles computadores portáteis ou computadores de secretária, desde dia 12 de março, originando um consumo acelerado no tempo e por isso mesmo algumas dificuldades na satisfação das atuais necessidades. 

Quais os equipamentos que as empresas mais estão a adquirir?

Dentro do portfólio de produtos que a Asus disponibiliza para o mercado são os computadores portáteis os mais requeridos, especialmente a gama Zenbook com um design distinto, elevada qualidade de construção, alta capacidade de desempenho, autonomia e portabilidade, de modo a fazer face ao teletrabalho, modo adotado por boa parte do tecido empresarial português.

Na assistência e apoio técnico às solicitações cresceram? Tiveram de fazer algum tipo de ação especial para dar suporte aos pedidos nesta fase?

Com uma rede de parceiros a funcionar em pleno há 11 anos e extremamente rotinada, o esforço foi natural e cada parceiro per si, imbuído de um natural sentido cívico, para além da oportunidade de negócio adicional, desdobrou-se em tudo o que são as suas capacidades e competências para satisfazer a procura registada.

Como foram os primeiros dias?

Os primeiros dias foram obviamente de surpresa e adaptação a uma realidade inesperada. Cada dia que passava trazia-nos novos insights. Mais do que nunca, construíamos a realidade dia a dia face ao que experienciávamos, mas sem uma realidade anteriormente vivida e por isso incomparável e de difícil previsão a curto e médio prazos. 

Foram dias de repensar todo o planeamento, ciclo de vendas, necessidades futuras do mercado entre muitos outros, e mais complexos, fatores. 

Como olha para o mercado quando todo isto voltar ao “normal” ou não volta mais a ser normal? 

Se considerarmos que normal é algo que é regular ou habitual acredito que sim, iremos sem dúvida voltar ao normal. Não o normal do passado, mas um novo normal que não sabemos quando no tempo se vai tornar regular ou habitual.

A realidade que vivemos, para além de nos trazer preocupações de saúde, provoca também uma disrupção da vida familiar, profissional e social. Vivemos tempos de incerteza sem precedentes.

Aguardamos por uma vacina incerta no tempo e na eficácia, bem como, a incerteza do surgimento de novas estirpes do vírus.

O processo de tomada de decisão passa ser efetuado num contexto de incerteza e sobrecarga cognitiva. 

A jornada de compra, os motivadores de compra, a assertividade da escolha, entre outros fatores, já mudaram ao dia de hoje e, na verdade sim, tudo mudou, o anterior normal não voltará a existir e vamos ter de reaprender e perceber o que irá ser o mercado, ou seja, o novo normal.




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