Cerca de 39% dos europeus aceitaria vender os seus dados pessoais

De acordo com uma investigação da Kaspersky, partilhar os dados pessoais de forma irresponsável está a deixar os consumidores cada vez mais expostos aos perigos online.

Apesar das consequências associadas ao facto de os dados privados serem utilizados de forma errada ou acabarem nas mãos erradas, um em cinco (18%) indivíduos facilmente sacrificaria a sua privacidade e partilhava os seus dados para receber algo gratuito em troca. Mais de um terço (39%) até aceitaria receber dinheiro em troca para dar acesso total aos seus dados pessoais a estranhos. Com os utilizadores da Internet a ceder facilmente as suas informações privadas por algo em troca, este tipo de comportamento pode levar a danos a longo prazo.

Vários casos recentes, tais como os tweets partilhados por James Gunn ou Kevin Hart, demonstram como é que informação que partilhamos online por vontade própria pode ser uma armadilha no futuro – causando vários danos a reputações e carreiras. Para as pessoas do dia-a-dia, é cada vez mais comum os empregadores e potenciais empregadores utilizarem plataformas sociais, como o LinkedIn, Instagram e Facebook, para saberem mais sobre a reputação dos seus colaboradores e candidatos, e verificarem se estes não têm comportamentos que desrespeitem a empresa.

Porém, os colaboradores devem ter atenção quando revelam muita informação sobre si próprios e sobre o seu trabalho nas redes sociais. Estatísticas divulgadas pelo Career Builder demonstram que 57% dos empregadores já encontraram conteúdos nas redes sociais que estiveram na base da não contratação de candidatos e que um terço (34%) já repreendeu ou despediu um colaborador devido a conteúdo online.

Partilhando-a ou não abertamente, se a nossa informação for parar às mãos erradas online, isto pode ter um grande impacto no mundo real. A investigação da Kaspersky Lab descobriu que cerca de um quarto (26%) das pessoas já viu os seus dados pessoais serem acedidos por alguém sem o seu consentimento – valor que aumenta para um terço (31%) entre os 16 e os 24 anos. As consequências deste acontecimento foram vastas e variadas: mais de um terço (36%) acabou, como resultado, por se sentir stressado. Isto cresce para 42% entre os 16 e os 24 anos; um em cinco (21%) inquiridos acabou por perder dinheiro, enquanto um quarto (25%) passou a ser incomodado por spam e anúncios indesejados.

Estas consequências acontecem apesar de muitos indivíduos adotarem certas medidas para manter a sua informação secreta ou para bloquear o acesso a dados pessoais e confidenciais. Com os hackers a assumirem-se aqueles que mais tememos que vejam ou acedam às nossas informações pessoais – seguindo-se a Internet, em geral, e o Governo – 62% das passwords dos utilizadores protegem os seus dispositivos, mantendo os dados privados. Cerca de um terço (35%) verifica regularmente e altera as suas definições de privacidade nos dispositivos, serviços e apps que utiliza (subindo para 42% entre os 16 e os 24 anos e apenas um quarto (28%) para os utilizadores com mais de 55 anos); um quarto (25%) tapa as suas webcams para se proteger e um em cinco (21%) homens encriptam os seus dados, em comparação com apenas uma em dez (11%) mulheres.

É importante ter em conta que os dados podem ser utilizados contra os consumidores em diferentes cenários e por diversas razões, como aconteceu no caso do ataque de dados do Marriott, em 2018, que afetou 500 milhões de clientes e que levou a que, como resultado, muitos se tornassem vítimas de uma fraude de identidade. Apenas uma boa “higiene digital” e consciencialização sobre a importância da privacidade online podem impedir que os dados pessoais fiquem comprometidos.




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