Continente disponibilizou fatura electrónica com validade fiscal

O “soft launch” decorreu durante cerca de duas semanas. Está disponível para utilizadores com o cartão de fidelização da marca, nas insígnias Continente, Continente Modelo e Continente Bom Dia.

A cadeia de hipermercados anunciou oficialmente, esta segunda-feira, a disponibilização do serviço de fatura electrónica em Portugal, para os detentores do cartão de fidelização “Continente” e do cartão Universo.

Integrado num programa de desmaterialização e de melhoria da experiência do cliente mais abrangente, o desenvolvimento da aplicação, realizado internamente, levou alguns meses. Após um piloto interno, o serviço foi disponibilizado em “soft launch” a 26 de Novembro, tendo-se registado durante esse período cerca de 15 mil adesões à aplicação. O potencial de crescimento é elevado uma vez que existem 3,7 milhões de utilizadores activos dos cartões de fidelização da marca.

A funcionalidade faz parte de um plano de transformação mais abrangente, tendo sido antecedida por outras medidas como a associação dos dados fiscais dos utilizadores à conta “Cartão Continente” ou a disponibilização, na aplicação associada, de talões de compra sem validade fiscal. A funcionalidade de emissão de faturas com validade fiscal “enquadra-se num desafio constante que nos move em prol da melhoria da experiência dos clientes”, explicou Bruno Mourão, director de arquitectura de sistemas de informação do Continente.

Segundo Bruno Mourão, “é através destas abordagens incrementais sustentadas por metodologias ágeis que conseguimos antecipar a entrega de valor ao cliente, não ficando presos ao tempo de implementação do desafio mais complexo”.

“É através destas abordagens incrementais sustentadas por metodologias ágeis que conseguimos antecipar a entrega de valor ao cliente, não ficando presos ao tempo de implementação do desafio mais complexo”, Bruno Mourão, director de arquitectura de sistemas de informação do Continente.

A disponibilização da fatura electrónica com validade fiscal é mais um passo no processo de digitalização da experiência do cliente, explicou Bruno Mourão, em declarações ao Computerworld. “A representação digital, sem validade fiscal já estava disponível anteriormente na aplicação” e faz parte de um conjunto sistemas internos que, não obstante alavancado num ou noutro pacote de parceiros, “é uma solução proprietária Sonae”.

A grande novidade neste processo contínuo de desmaterialização é “que agora a solução também armazena e disponibiliza versões digitais da fatura com validade fiscal”. Em matéria da arquitectura de sistemas o impacto da nova funcionalidade foi “a criação de um repositório em conformidade com os pedidos da Autoridade Tributária”, disponibilizando, através do portal e da aplicação, “o acesso ao serviço por parte dos clientes e dos colaboradores”. Os clientes podem consultar as suas faturas, os colaboradores podem, por exemplo, utilizar a aplicação para suportar processos de devolução.

A rede de retalho assegura que, com a utilização da aplicação, os consumidores poderão poupar cerca de 20 segundos por compra, por não ter de aguardar a impressão da fatura, o  que representa um ganho de 35 minutos por ano para quem faz compras duas vezes por semana.

Próximos desenvolvimentos

Num primeiro momento, e sempre associado aos cartões já referidos, a solução estará disponível nas insígnias Continente, Continente Modelo e Continente Bom Dia. Numa segunda fase, ainda durante o primeiro semestre de 2019, está prevista a inclusão de outras insígnias como a Well’s, a Note e Zu , disseram Bruno Mourão e Tiago Simões, director de Marketing da Sonae MC, ao Computerworld. Posteriormente os desenvolvimentos irão abarcar outras insígnias da Sonae. De fora, para já, devido à complexidade de integração, fica por exemplo a rede de supermercados, em franchising, Meu Super.

O Computerworld experimentou a solução no final da semana passada e atestou no local que as equipas, após formação, já estão preparadas para atender quem opte pela nova opção. A formação foi realizada ainda durante o mês de Novembro, através de vídeos e com o apoio dos operadores principais.

Além da poupança de tempo, o serviço irá também reduzir a impressão de papel. Cada POS pode gastar, “dois rolos de papel térmico para as facturas num só dia”, exemplificou Neuza Lopes, operadora principal da linha de caixas numa das lojas da cadeia. Fazendo uns cálculos por algo, e tendo em conta que na loja do Centro Comercial Vasco da Gama, há 64 caixas de saída, entre “self checkouts”, “compra e siga” e caixas tradicionais). O Computerworld fez uns cálculos rápidos e para apenas esta loja e arrisca a dizer que poderão gastos, no total,  mais de 120 rolos por dia, ou mais de 43 mil por ano.

Segundo informação partilhada pela empresa do grupo Sonae, se todos os utilizadores de cartão continente aderirem a este serviço, o consumo de papel em faturas irá cair aproximadamente 193 toneladas, o que equivale a cerca de 4000 árvores.

Para aderir, os clientes deverão ser titulares do cartão Continente ou do cartão Universo. A adesão pode ser efectuada na aplicação móvel ou no site do cartão. Após estes passos, e aquando de uma compra, a fatura deixa de ser impressa e é enviada por correio electrónico para os utilizadores. Durante 30 dias, todas essas faturas poderão ser ainda consultadas na aplicação e no site do cartão.

Recorde-se que o desenvolvimento da experiência digital no Continente tem várias dezenas de anos. A título de exemplo, a desmaterialização dos processos junto dos fornecedores remonta à década de noventa.

Continente rumo à desmaterialização

Este programa de digitalização no universo do retalho da Sonae já começou há vários anos. Ao longo do tempo têm sido feitas entregas incrementais de acordo com o contexto possível. “Se só entregássemos valor através de uma fatura electrónica alinhada quer com requisitos do Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD) quer com requisitos da Autoridade Tributária (AT), tínhamos estado estes anos todos sem conseguir fazer entregas intermédias, nem melhorar a experiência do cliente”, explicou Bruno Mourão.

Por isso, dentro do que foi legalmente possível ao longo dos anos, “fomos digitalizando e melhorando a experiência sem desvirtuar as regras”, acrescentou. “Não podíamos, até agora, assumir o que assumimos agora”.

Até agora os clientes podiam consultar o seu talão de compra digitalizado sem validade fiscal. “Não podíamos, até agora, inibir a impressão por motivos legais”.

Outras entregas, relacionadas com a digitalização, foram a possibilidade de consulta de cupões em formato digital na aplicação e no portal ou a possibilidade de inibir o envio de cupões pelo correio, por iniciativa do cliente, ou a associação do número de identificação fiscal ao cartão Continente.  “Teve uma adesão brutal por parte dos clientes”, sublinhou Tiago Simões, porque “simplifica bastante o processo de compra”.

O Continente assume ser a primeira cadeia retalhista a disponibilizar uma solução de desmaterialização de faturas com validade fiscal, no retalho.

Notícia actualizada a 24 de Dezembro.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado