Backup: o novo trending topic para a empresa

Vincenzo Costantino, director de serviços técnicos da Commvault, reflecte sobre o novo paradigma do backup na Era da cloud e do RGPD.

Vincenzo Costantino, director de serviços técnicos para a EMEA Sul na Commvault

A protecção dos dados mudou drasticamente na última década. Passámos de um cenário em que “quantas mais cópias de segurança, melhor” (desta forma assegurava-se que, se uma falhasse, havia outra cópia para a substituir) para uma realidade oposta, em que a prioridade é restringir ao máximo o número de cópias. É a nova era do backup, que se tornou – por necessidade urgente – no trending topic das empresas.

E porquê? Os motivos são variados, mas há dois que influenciaram de forma fundamental esta mudança de paradigma: o Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD) e a cloud.

Nas empresas, com o tempo, foram sendo criadas inúmeras cópias de segurança, com o objectivo de proteger e governar os dados. Hoje em dia, calcula-se que a maioria das organizações conta pelo menos com dez backups de cada base de dados. E foram sendo criadas por diferentes razões: para efeitos de teste, recuperação, continuidade de negócio, etc. Realizar cópias de segurança indiscriminadamente era a forma mais simples de assegurar que não se perdiam dados e não lhes era atribuída grande importância.

Com a nova normativa de protecção de dados europeia passou a ser importante saber com exactidão onde estão os dados pessoais, para os poder modificar, eliminar, mover ou comprovar se estiveram envolvidos em alguma falha de segurança. Isto inclui tanto fontes de dados estruturados como não estruturados. Com o RGPD, as empresas passaram a ver-se na obrigação de gerir todos estes dados, e quantas mais cópias existam, maior é o risco de incumprimento.

O problema dos custos ocultos da cloud

Também a cloud está a obrigar a reduzir o número de backups. E por uma razão muito simples: poupança de custos. Ou seja, se se armazenarem seis cópias na cloud, há que pagar pelas seis. E não nos podemos esquecer que foi precisamente para reduzir custos operacionais que as empresas começaram a adoptar a cloud, acabando, no entanto, por gastar mais do que o previsto porque consomem mais do que o inicialmente estabelecido, como atesta um relatório recente da 451 Research.

Embora seja verdade que as empresas obtêm poupanças imediatas ao passar a utilizar a cloud, o problema surge quando os consomem a mais e se esquecem de controlar ou limitar esse consumo, simplesmente porque é tão fácil aceder e guardar informação na cloud.

Tendo em conta que o modelo de consumo cloud foi e continuará a ser a tendência para os próximos anos (93% dos líderes tecnológicos estão a migrar para a cloud, segundo um estudo encomendado pela Commvault à CITO Research), controlar os custos neste aspecto tornou-se numa prioridade para as organizações.

A resposta está em gerir os dados com uma solução de backup que tenha a capacidade de indexar e deduplicar dados e que seja capaz de implementar políticas que estabeleçam quais os dados que devem ou não ser guardados na cloud.

Segurança e novas ameaças: outro incentivo para o backup

Além dos já mencionados, há mais motivos para que a palavra backup volte a estar na moda. Um deles é a segurança. Ou melhor, as falhas de segurança provocadas por ataques de cibercriminosos ou simplesmente por falhas ou downtime nos centros de dados.

No caso do ransomware, contar com uma solução de segurança é apenas uma peça do puzzle, já que o cibercrime está sempre um passo à frente e, mais cedo ou mais tarde, acaba por furar as defesas. Por isso, como parte fundamental da sua estratégia de protecção de dados, as organizações devem contar com políticas de recuperação que permitam dar uma resposta tão rápida quanto possível e mitigar o efeito das falhas de segurança. A recuperação também é indispensável para fazer frente a qualquer problema relacionado com falhas no centro de dados. Em todo o caso, é indispensável saber quando e onde aconteceu o problema ou o incidente e como recuperar o mais rapidamente possível do mesmo.

Hoje em dia todo gira em torno dos dados. Como protege-los, utilizá-los e obter valor deles. A IDC prevê que, para 2027, poderemos atribuir um valor aos dados nas folhas de balanço contabilístico das empresas. Compreender este activo é uma prioridade para que as empresas tenham êxito no futuro. E, sendo o backup essencial para entender, proteger, aceder e recuperar esses dados, está mais do que explicado e justificado o protagonismo que começa a assumir nas empresas.

Vincenzo Costantino, EMEA South Technical Services director da Commvault




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