Ir além da eficiência na remodelação digital do negócio

A indústria está a chegar a um ponto fulcral em que haverá uma enorme consolidação do mercado, diz Susana Soares, directora de Marketing da Fujitsu Portugal.

Susana Soares, directora de Marketing da Fujitsu Portugal

Após um período em que diversos sectores (retalho, serviços financeiros, etc) se colocaram na dianteira com iniciativas digitais, o sector industrial está agora a começar a ganhar terreno e a usar todo o espectro de inovações digitais para remodelar propostas de valor e processos.

Isto é mais do que apenas uma história: 69 por cento das empresas do sector industrial entrevistadas no âmbito do Global Digital Transformation Survey da Fujitsu, envolvendo 1.535 CXO em grandes e médias empresas de 16 países, já iniciaram programas de transformação digital. Embora o seu foco esteja actualmente nos ganhos de eficiência, o paradigma está a mudar, com os fabricantes a aprenderem lições de sectores que até ao momento têm estado bastante mais à frente.

Há um padrão claro. A disrupção foi iniciada por startups online que trouxeram novos modelos de consumo e B2B para o mercado. Outros sectores tomaram nota dos mesmos e começaram a reagir. Nos serviços financeiros, os incumbentes off-line reagiram com iniciativas que se focavam inicialmente em diminuir os custos nas redes de filiais ao mesmo tempo que davam aos clientes aquilo que eles agora exigem – acesso online a informação em tempo real.

Na indústria, muito poucas empresas não estão actualmente online, embora o foco continue a ser predominantemente na melhoria da eficiência, algo citado por 40 por cento dos fabricantes no nosso inquérito global como o principal objectivo único. Eles estão a usar tecnologia edgeware para sentir as vibrações nas suas cadeias de fornecimento e centros de produção e optimizá-las através da manutenção predictiva e do evitar de perturbações na cadeia de fornecedores.

Mas será isto suficiente? Não creio que seja. Estamos a trabalhar com e a falar com fabricantes que agora compreendem que a optimização – tal como aconteceu com os bancos – é apenas o início de uma viagem rumo a uma remodelação fundamental do sector industrial. O que eles conseguem ver é que as diferenças entre as indústrias existentes se está a esbater à medida que os retalhistas se movem cadeia acima rumo à manufactura e as empresas de distribuição descem cadeia abaixo na direcção dos consumidores, deixando aqueles fabricantes que não elaboram uma resposta competitiva a ficarem asfixiados no meio. Este deveria ser um despertar para a indústria, pois estamos a chegar a um ponto fulcral – mais cedo do que tarde – em que haverá uma enorme consolidação no mercado.

Para ter sucesso na manufactura digital, a atitude é fundamental. A co-criação, que não é mais do que a disponibilidade para trabalhar com terceiros, reconhecendo que não há nenhuma entidade que possua todas as competências técnicas e domine o conhecimento necessário para a transformação digital, é um dos pilares do modus operandi da Fujitsu.

Sim, há alguns obstáculos que os fabricantes têm de superar, mas as oportunidades que eles criam são muito cativantes. O crescimento sem paralelo e o sucesso dos disruptores digitais indicam-nos que as recompensas disponíveis estão num novo patamar e ao dispor dos fabricantes – se eles agirem já no sentido de ir além da mera busca de eficiências quando abraçam a remodelação digital do seu negócio.

Susana Soares, Marketing Director, Fujitsu Portugal




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