Nearshore já representará mais de 50% do negócio da BI4All

A BI4All investe mais de meio milhão de euros anualmente no centro de nearshore, avança José Oliveira, CEO da empresa, em entrevista. Em breve estará a funcionar em rede: Lisboa, Porto e Madrid. As instalações no Porto devem abrir ainda este mês. Em Espanha, até ao final do ano.

José Oliveira, administrador executivo da BI4All

O centro de nearshore da BI4All deverá representar, este ano, mais de metade do volume de faturação previsto para a empresa, disse José Oliveira, administrador executivo, em entrevista ao Computerworld. O centro  de nearshore da BI4All está a funcionar desde 2013, mas a inauguração oficial só aconteceu o ano passado, por ocasião da ampliação do espaço e como resultado de uma aposta estratégica da empresa nesta área. 

O responsável da empresa portuguesa de business inteligence, falou sobre o centro de nearshore, sobre as perpectivas de negócio e sobre o mercado globalmente.

Computerworld: Qual é o volume de negócio do centro de nearshore e que precentagem do vosso volume de negócio representa actualmente?

José Oliveira: Este ano o volume de negócio do “Centro de Nearshore” irá ultrapassar os seis milhões de euros. Representa mais de 50% do volume de faturação espectável para o corrente exercício.

Em 2017, a BI4All registou um volume de negócios de nove milhões de euros, o que representa um crescimento na ordem dos 28% durante o ano transacto. É importante referir que o volume de negócios atingido pela empresa, em 2016, foi de sete milhões de euros, o que evidencia assim, a presença sólida da BI4All no mercado.

O ano de 2017 foi, claramente, o ano de crescimento quer pelo nível de desempenho atingido quer pela qualidade do trabalho efectuado, mas também pelo crescimento sustentado da equipa. 

Para 2018, os nossos objetivos são continuar a crescer e a evoluir junto dos nosso clientes, em projectos e em equipa, de forma a alcançar um volume de negócios de 12 milhões de euros. Queremos ser e continuar a ser reconhecidos como o parceiro de confiança para os nossos clientes, nacionais e internacionais.

CW: Quanto investiu a BI4All no centro de nearshore e quais são as previsões de investimento? 

JO: O Investimento no centro foi realizado ao nível de instalações, equipamento de trabalho, formação das equipas, criação de novas metodologias de trabalho e finalmente na comunicação com o mercado. No total foi gasto cerca de um milhão e meio de euros. Todos os anos investimos entre 500 e 600 mil euros em renovação de equipamentos, formações/certificações e actualizações do espaço por forma a gerir os nossos clientes.

No entanto para nós estas verbas não são vistas em investimento. São melhorias constantes em toda a organização para melhorar as condições de trabalho, mantermos as equipas actualizadas e motivadas e assim podermos prestar um serviço de excelência aos nossos clientes.

Todos os anos investimos entre 500 e 600 mil euros em renovação de equipamentos, formações/certificações e actualizações do espaço.

CW: Como funciona o vosso centro de nearshore?

JO: Por forma a responder às novas exigências do mercado, em 2013, a BI4All criou um conceito de um centro de nearshore, para gestão remota de projectos e processos de negócio para vários pontos geográficos, ou seja, montamos estruturas em Portugal como se fossem dependências de empresas multinacionais e fazemos todo o trabalho relacionado com a nossa oferta de serviços a partir de Portugal.

Cada centro tem a sua própria organização e gestão para optimizar a partilha de conhecimentos, promover as melhores práticas e criar as melhores metodologias. Ao nível de competências, na BI4All trabalhamos com os melhores talentos e todos os nossos consultores são certificados constantemente nas principais tecnologias. Temos especialistas em analítica, análise preditiva, “balanced scorecard”, “big data”, “cloud analytics”, gestão de desempenho empresarial, gestão de dados, gestão de risco e conformidade, mobilidade, planeamento e orçamentação e engenharia de software .

Desenvolvemos muito a nossa abordagem ao nearshore. Cada cliente tem uma zona na BI4All dedicada à sua empresa. Trabalhamos em estreita ligação com os nossos clientes para compreender os seus objectivos e desenvolver soluções personalizadas, fornecendo insights, suporte e a experiência que os ajuda a desenvolver e agilizar o seu negócio. Os níveis de serviço são exigentes.

CW: Estão a investir na abertura de novos escritórios. Quais são os próximos passos?

JO: Actualmente, temos cinco fracções divididas em três pisos em Lisboa e vamos abrir as instalações do Porto muito brevemente e ainda durante o mês de Setembro. Serão no TecMaia e neste momento temos 11 colaboradores nesta delegação. Vamos também ter novos escritórios em Espanha, até ao final do ano.  Estamos, neste momento, a pesquisar condições e recursos para abrir em Espanha, sendo que possivelmente será localizado em Madrid. O escritório em Espanha terá o seu cordão umbilical ligado ao Centro de Lisboa.

O “Centro de Nearshore” está actualmente localizado em Lisboa, mas o objectivo é ligarmos Lisboa/Porto/Madrid e criar uma rede nearshoring para maior dinamismo e capacidade de resposta entre as três cidades.

CW: Como está a correr a contratação de novos colaboradores? 

JO: A BI4All teve um aumento na sua equipa de 14% do número de colaboradores, tendo fechado o ano de 2017 com um total de 145 colaboradores. Dado o nosso crescimento e necessidades, é objectivo, para 2018, contratarmos cerca de 100 colaboradores.

À data já contratamos cerca de 50 e esperamos até ao final do ano atingir o marco das 100 pessoas, contudo sabemos que será um desafio atingir esse número devido à grande procura de recursos em Portugal.

A maioria dos profissionais a contratar são para Lisboa, para as funções de Consultores de Business Intelligence e Analytics, licenciados em Informática de Gestão ou Engenharia Informática. No Porto, para já, temos neste momento a equipa fechada.

CW: Como refere, existe uma grande procura de recursos em Portugal. Quais são as medidas que estão a tomar para dar resposta a essa escassez?

Apesar da crescente competitividade do mercado onde operamos, o facto de sermos especialista e líderes na nossa área ajuda-nos bastante a atrair talento. Reter os nossos talentos tem sido um desafio bem-sucedido. Contudo são claras as dificuldades em encontrar pessoas qualificadas nestas áreas, dado que a área de Analytics é uma das áreas com maior potencial de crescimento e procura no mercado nacional por parte de empresas.

A equipa da BI4All é composta por profissionais altamente qualificados e com vasta experiência no domínio tecnológico. Trabalhamos com os melhores talentos e todos os nossos consultores são formados e certificados de forma contínua nas tecnologias em que trabalham, reunindo um conhecimento único e uma vasta experiência em diferentes áreas de negócio.

Para reter os melhores talentos, constantemente assediados por empresas de maior dimensão, só é possível através de uma cultura muito orientada para as pessoas, promovendo o ambiente familiar e a proximidade, mas dando-lhes também o conhecimento e as melhores ferramentas para fazerem o seu trabalho. As contratações estão a ser feitas directamente em Portugal, a qualidade do ensino e dos profissionais da área é já reconhecida, globalmente, por grandes empresas que competem no mercado internacional.

CW: Qual o balanço que faz das actividades da vossa Academia de Talentos?

No início de Julho teve inicio a Talent Academy, um programa para jovens licenciados onde os participantes receberam formação nas diferentes tecnologias que trabalhamos e tem como objectivo colmatar a diferença que existe entre as Universidades e o mercado de trabalho. A Talent Academy terminou no final de Agosto e com grande sucesso. Neste momento os 11 participantes da Academia estão já em projectos.

“Portugal está na moda”

CW: Voltemos aos centros de nearshore, mas de uma perspectiva de mercado. Portugal está a ganhar terreno enquanto destino de nearshore? Porquê? Quais são os principais mercados concorrentes? O que diferencia Portugal de outros destinos nearshore?

JO: Portugal está na moda. Os últimos anos têm afirmado o nosso país como um dos pontos mais centrais da Europa e do Mundo. Desde as várias distinções no turismo, a organização do Europeu de Futebol e da Eurovisão da Canção, passando pela Web Summit, entre outros marcos importantes que colocaram Portugal na agenda mediática global e que, ao mesmo tempo, têm vindo a incentivar as organizações a deslocaram as suas operações para cá fazendo com que Portugal seja assim um dos locais de excelência para se investir.

Neste sentido, além de uma muito boa relação custo/ benefício devido a uma das melhores competências técnicas do mundo, especialmente devido à alta qualidade do ensino ao longo dos anos, mas especialmente das Universidades, o que também permite que os profissionais portugueses tenham elevados conhecimentos linguísticos. O nosso país tem também uma elevada percentagem de profissionais na área das tecnologias de informação, tendo uma elevada capacidade de adaptação sendo já um país reconhecido globalmente por grandes empresas que competem no mercado internacional.

Dada a localização geográfica e estratégica de Portugal e o fuso horário relacionado com o tradicional horário de trabalho, permite aos profissionais adaptarem-se facilmente a diferentes fusos horários da EMEA e da América. E é, por isso, que cada vez mais Portugal é uma opção para a instalação de centros de competências, e prestação de serviços ao nível das tecnologias de informação. Esta escolha deve-se a vários factores que vão desde as elevadas competências das equipas, qualidade técnica, capacidades linguísticas, flexibilidade, adaptação, excelente capacidade do tempo de resposta, bem como o valor competitivo face a outros países, localização geográfica, nível de segurança aqui existente.

Dada a localização geográfica e estratégica de Portugal e o fuso horário relacionado com o tradicional horário de trabalho, permite aos profissionais adaptarem-se facilmente a diferentes fusos horários da EMEA e da América.

Existem ainda outros fatores que contribuem para que Portugal seja uma opção rentável. É o caso dos custos de escritório, hotéis e restaurantes. Estes, juntamente com o bom tempo, em tudo contribuem para uma crescente vontade dos executivos para estabelecer a sua base em Portugal. Outra vantagem é o facto de Portugal apostar cada vez mais no desenvolvimento de infra-estruturas e comunicações, como a cobertura de banda larga e as redes de nova geração, bem como no incentivo à inovação, investigação e desenvolvimento, o que nos permite uma oferta de serviços bastante competitivos.

Posto isto, acreditamos que este é um caminho para o desenvolvimento de Portugal e para a criação de empregos qualificados e com capacidade de acrescentar valor, e em simultâneo, promovem-se as qualificações de talentos portugueses e criam-se oportunidades e desafios muito aliciantes também para os jovens recém-licenciados.

CW: Porque consideram o nearshoring um «novo paradigma de trabalho para a internacionalização das organizações»?

JO: Os recursos tecnológicos têm um grande valor estratégico para as empresas, como tal, o nearshore permite que uma empresa tenha em outsourcing serviços especializados numa localização acessível.

Esta escolha deve-se a diversos factores, que vão desde as elevadas competências das equipas, qualidade técnica, capacidades linguísticas, flexibilidade, adaptação, excelente capacidade do tempo de resposta, bem como o valor competitivo que oferecem. Assim, através desta filosofia, as organizações podem reduzir custos, agilizar e optimizar a gestão de processos, ampliar pontualmente a sua equipa, melhorar o tempo de resposta (time-to-market), trabalhar com equipas experientes, flexíveis e com capacidades linguísticas e, assim, operar de forma mais eficiente.

Centro de nearshore em números

Data de inauguração:  2013

Instalações e localizações: Localizado em Lisboa, tem como objectivo ligar Lisboa/Porto/Madrid, numa rede de nearshoring para maior dinamismo e capacidade de resposta entre as três cidades. São cinco fracções divididas em três pisos em Lisboa, um escritório no Porto e em Espanha, que não estão ainda em funcionamento.

Tipo de centro: É um centro de competências que tem desde especialistas no negócio, a especialistas tecnológicos. Além de inovação.

Serviços prestados: serviços de consultadoria na área de Analytics e Big data

Número de clientes: cerca de 10 clientes

Línguas utilizadas: de modo geral na língua inglesa.

Para que países: Região EMEA (Europa, Asia e Médio Oriente). Incluindo grupos económicos que actuam a nível mundial. 

Colaboradores do centro: cerca de 100 colaboradores. previsão de crescimento de 20% até ao final do ano.




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