Venda de licenciamento na AMT Consulting deverá duplicar em 2018

O negócio cloud da AMT Consulting está a aumentar. Em 2017 representou 10% da facturação. Este ano deverá ser o dobro. Globalmente a empresa está a crescer a dois dígitos.

Joaquim Francisco, sócio da AMT Consulting

 

Focada totalmente em SAP, a AMT considera-se uma consultora “boutique”, especializadas em determinadas áreas de actuação como a Recursos Humanos e Logística, mais recentemente na cloud. Em 2017, ano em que a faturação ascendeu a 4,8 milhões de euros, a venda de licenças representou 10% do volume de negócios. Este ano a empresa antecipa o crescimento deste segmento de mercado ao mesmo tempo que espera crescer a dois dígitos, embora, a um ritmo mais moderado que no ano anterior (tinha crescido 35%), disse, em entrevista Joaquim Francisco, sócio da empresa.

Ao Computerworld Joaquim Francisco recordou ainda que que a origem da empresa está na consultoria focada nos recursos humanos tendo derivado rapidamente para ofertas complementares incluindo consultoria logística, financeira e tecnológica.

A empresa aposta na inovação, tendo por isso, desde o início um laboratório de investigação e Desenvolvimento na Universidade do Porto (AMT Labs).

Computerworld – Qual a estratégia da empresa para o corrente ano e os próximos? 

Joaquim Francisco – A estratégia da AMT divide-se em quatro pilares fundamentais para os próximos anos. Em primeiro lugar, consolidar a liderança na aposta cloud no mercado nacional.

O segundo pilar, passa pela internacionalização da empresa com a criação de escritórios fora de Portugal. Directamente relacionado com este está a criação de centro de competências no mercado nacional que suporte a operação internacional.

Finalmente, desenvolver as unidades de negócio, criadas o ano passado: Desenvolvimento das unidades de negócio criadas no ano passado, que complementam a oferta da empresa com serviços de consultoria estratégia de negócio para servir as implementações de projectos e uma área de BPO para apoio transaccional de Recursos Humanos

 CW – Como tem evoluído o vosso volume de negócios? 

JF – O volume de negócios de 2017 foi cerca de 4,8 milhões de euros, o que representa um crescimento de em volta de 35%. Para 2018, apontamos para um crescimento de dois dígitos, embora mais moderado.

CW – O negócio internacional já é representativo?

JF – A nível internacional, o volume de negócios ainda não tem a expressão que pretendemos. Em 2017 representou apenas 10% das nossas receitas de serviços.

CW – Como se estão a adaptar à mudança de paradigma do negócio de TI, o modelo “as a service”? 

JF – Há cerca de cinco anos apercebemo-nos que o futuro do negócio das TI estava na cloud e, por conseguinte, baseado no modelo “as a service”. Com a massificação e modernização das comunicações os clientes têm vindo, gradualmente, a deixar de fazer questão de ser os “donos” das suas aplicações optando por subcontratar esse serviço, tendo ferramentas sempre actualizadas com as melhores práticas do mercado e prontas a usar.

Nós posicionámo-nos nesse mercado de uma forma decidida. Tal resultou no reconhecimento da SAP Portugal que nos considerou o “Maior Parceiro Revendedor de Software SAOP na Cloud”. Neste momento, estamos a focar-nos na solução SAP Success Factors, na área de capital humano. É uma aposta ganha e estamos fortemente empenhados em fazer o mesmo com a solução SAP Ariba, ferramenta de gestão de toda a função de compras, o mesmo.

CW – Sendo a cloud uma das vossas apostas, que percentagem do negócio é originária da venda de licenças?

JF – O ano passado a venda de licenciamento representou cerca de 10% da nossa faturação total. Este numero deverá crescer em 2018 sensivelmente para o dobro.

CW – Há quanto tempo são parceiros da SAP. Porquê?

JF – Somos parceiros SAP desde o início da AMT.  Sendo os sócios fundadores ex-consultores SAP sempre fez sentido. Isso aliado à vontade e desígnio de sustentar a actividade da AMT de forma distinta, usando essa experiência de consultoria para criar uma oferta em parceria, com investimento nosso nos clientes criando relações de proximidade, duradouras e de confiança.

CW – Dedicam-se exclusivamente a SAP? 

JF – Actualmente, as soluções SAP representam 100% do nosso negócio. As duas novas áreas de negócio, criadas no final de 2017, ainda não têm expressão no volume de negócios.  15

CW – Qual o perfil dos vossos clientes?

JF – Variado. De variada dimensão, sector e região do país. Temos clientes como a Sonae Distribuição ou Araúco, até à EDP, Mota Engil, Seguradoras Unidas, Montepio, Banco de Portugal, RTP, Amorim, Grupo Bensaúde, Grupo Pestana, Sovena, Exictos… e estou a esquecer-me decerto de alguns. Em suma temos uma representatividade geográfica total, de dimensão variada e nos mais variados sectores de actividade

CW – O que diferencia a vossa empresa da concorrência? 

JF – Desde a nossa constituição que sempre primámos por fazer questão de uma grande proximidade com os nossos clientes. Fazemos questão de acrescentar valor os nossos clientes através do nosso trabalho. Queremos que o cliente sinta que os seus problemas e desafios também são nossos. Muitas vezes sacrificamos a margem dos nossos projectos em prol de uma relação de longo prazo.

CW – Continuam a investir no vosso laboratório de I&D na Uptec, na Universidade do Porto?

JF – O nosso laboratório, o AMT Labs, tem vindo a ser reforçado. Criado originalmente como centro incubador de ideias e com uma proximidade muito forte com a FEUP, tem-se vindo também a afirmar como um centro de aquisição de novas competências que procuramos depois disseminar pelos nossos consultores e que temos vindo a incorporar gradualmente nos serviços que prestamos aos nossos clientes.

São exemplo disso as competências em ferramentas de integração cloud que tiveram origem no nosso laboratório. Em termos de futuro, e dada a nossa aposta em novas ferramentas que nos permitam diferenciar a nossa oferta, quer no mercado nacional quer noutros mercados, o “AMT LABS” surge como uma aposta estratégica da AMT.  

“Não há nada mais humano que a transformação digital”.

A transformação digital dos recursos humanos trouxe uma série de possibilidades para os departamentos de recursos humanos, que passaram a ter um posicionamento cada vez mais estratégico dentro da empresa.

Hoje, através das ferramentas de última geração, o sector possui muitas condições de trazer sucesso e aumentar o impacto de um negócio a longa distância no mercado. Outra mudança importante é que, aos poucos, os recursos humanos têm caminhado em direcção às tendências de marketing deixando de ter aquele papel cinzento e reactivo a que estava confinado.

Como os departamentos deixaram de focar as suas atenções nas tarefas administrativas e burocráticas, de baixo valor acrescentado, passaram a ocupar, com a ajuda das novas tecnologias, as suas equipas em trabalhar na satisfação dos seus trabalhadores e na procura de novos talentos. Podemos considerar, com alguma ironia, que não há nada mais humano que a transformação digital.




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