Sawn assume liderança da Intel interinamente

Após a demissão do CEO da Intel, o director financeiro, Robert Swan, irá assumir o lugar, até à escolha do novo presidente.

Brian Kranich, antes da demissão do cargo de CEO da Intel, durante o CES 2018.

O CEO da Intel, Brian Krzanich, deixou a liderança da empresa num momento crítico da evolução da empresa. Irá a empresa procurar um futuro centrado em PC ou algo mais no espaço da mobilidade? Será provavelmente esta a principal questão para o sucessor de Krzanich.

Há cinco anos, a Intel enfrentou uma transição inesperada: o CEO da empresa Paul Otellini saiu, dois anos da altura esperada em que iria reformar-se. O anterior administrador operacional (COO), Brian Krzanich ficou no seu lugar. Agora é a vez de resignar, inesperadamente, dedepois de violar uma política interna da empresa que proíbe relacionamentos entre funcionários.

O sucessor, e a empresa, vão ter de continuar a enfrentar as mesmas forças com que Krzanich lidou: um mercado de PC em declínio e esforços contínuos da empresa para entrar no mercado móvel que tem resistido à sua entrada. A questão para os consumidores, no entanto é, qual será a o esforço dedicado pelo novo CEO da empresa ao mercado de PC que tem sustentado a empresa há décadas. 

Demissão inesperada

Tipicamente, os CEO demitem-se por razões de negócio. Neste caso, Brian Krzanich sai, porque quebrou uma regra: a Intel revelou quinta-feira que Krzanich tinha tido uma relação consensual com uma funcionária da empresa, no passado. Esta relação viola a política de anti-fraternização da empresa. Como muitas outras empresas, a Intel não permite aos administradores ter relações próximas com os empregados da empresa. De acordo com a página sobre Krzanich na Wikipedia, ele é casado.

O administrador financeiro da empresa, Bob Swan, foi nomeado interinamente CEO, anunciou a empresa. Apesar de Swan estar na empresa, como CFO desde 2016, a biografia oficial da Intel assinala que ele é um “outsider”. Swan foi, durante nove ano, CFO da eBay, e a sua única experiência enquanto administrador-executivo foi na liderança da Webvan, uma das dot-com envolvidas na “bolha das dot-com”, no início do século. Deste modo, é quase certo que Swan não será nomeado permanentemente. 

Percurso de sucesso

É difícil pôr em causa o sucesso de Krzanich durante os últimos cinco anos. No segundo trimestre de 2013, quando pegou as rédeas da empresa, as vendas da unidade de PC da empresa recuaram e a empresa apresentou receitas de 12,8 mil milhões de dólares no trimestre. Desde então as vendas da Intel têm batido recordes constantemente, com a Intel a reforçar, na passada quinta-feira, que espera receitas recorde de 16,9 mil milhões de dólares, quando a empresa divulgar os resultados no final do mês de Julho. Entretanto, a cotação das acções da Intel no mercado bolsista praticamente duplicou.

Mas a Intel, também sofreu grandes contrariedades. A sua tecnologia de fabrico tem estado parada no nível 14-nm há vários anos, com uma expansão lenta para a próxima geração, 10-nm. A Gartner disse a semana passada que foram vendidos 61,7 milhões de PC no primeiro trimestre de 2018, o 14º trimestre de quebra consecutiva do mercado. Apesar de Krzanich ter investido horas a falar publicamente sobre a aposta da Intel no espaço embebido, nos sensores e na inteligência artifical, essas unidades de negócio – Internet of Things Group e Programmable Solutions Group – ainda representam menos de mil milhões de dólares cada por trimestre. 

Mas, a Intel também conseguiu passar para gamas com margens mais elevadas, como processadores premium para gaming, nomeadamente a série Core i9. O processador Xeon para servidores continua forte. Através da parceria com a Micron, a Intel desenvolveu a memória Optane, com ofertas exclusivas como parte de uma tecnologia aceleradora de sistemas para PC. 

Quem será o próximo CEO da Intel

A PC World (EUA) avança com várias possibilidades para o cargo de CEO da empresa. Poderá ser Venkata (Murthy) M. Renduchintala, a um executivo da Intel, mas poderá ter a desvantagem de ter sido contratado fora da empresa, na Qualcomm. Acredita-se que a Intel poderá optar por alguém internamente. Neste caso, e ainda segundo a mesma publicação, um dos candidatos possíveis será Navin Shenoy, o vice-presidente executivo do grupo de centros de dados da Intel, que tem consolidado os esforços da empresa em torno da aplicação de Inteligência Artificial sobre os processadores Xeon. 

Há vários outros candidatos internos igualmente prováveis, incluindo Rob Crooke, cujas primeiras experiências na área das plataformas de negócio da Intel se compõem com o actual papel na supervisão de áreas como o negócio de memória da Intel, incluindo a  Optane. Outros nomes externos são considerados hipóteses como Patrick um veterano da Intel que se tornou CEO da VMWare e, naturalmente, o conselho de administração poderá abrir as portas a qualquer pessoa que combine a experiência em engenharia e em negócio que, tipicamente, a administração da empresa tem preferido. 

A grande questão, no entanto é se a administração quer manter a estratégia de Krzanich: manter o negócio de PC enquanto investe e procura crescer em áreas como a programação lógica, memória e comunicações, ou reduzir o investimento no negócio de microprocessadores core e procurar agitar a ameaça crescente da AMD nos processadores de PC e servidores. 

Recorde-se que a Intel contratou recentemente designers de chips, Jim Keller, que estava na Tesla, e Raja Koduri, da AMD. Este deverá desenvolver um programa de gráficos discretos para, possivelmente, concorrer com a AMD e a Nvidia no sector dos PC. Este esforço poderá ser suspenso com a mudança da liderança.

Um novo CEO, um novo caminho no futuro da Intel

Tendo em conta o crescimento regular do volume de negócios e do valor das acções, a empresa não deverá mudar a sua estratégia. De qualquer modo, as dúvidas só serão dissipadas com o novo CEO. Mas, a Intel terá de tomar uma decisão acertada e rapidamente.




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