Altice com dificuldades no Continente responde na Madeira

Um relatório da Anacom diz que o operador é o único que não restabeleceu todas as ligações nas zonas mais afectadas pelos incêndios em 2017. E sugere 27 medidas de prevenção geral sobre este tipo de catástrofes.

João Sousa, da Altice, e o secretário regional da Saúde, na Madeira, Pedro Ramos

O presidente da Anacom, João Cadete de Matos, revelou que a Altice não restabeleceu todas as ligações de comunicação nas zonas de Pedrógão e do Centro do país, afectadas por incêndios em 2017. Estão por reactivar 1300 conexões, detalhou em declarações para a Lusa, citada pelo Público.

O jornal diz que o total de pessoas sem ligação naquelas zonas, 97% eram directamente clientes da Altice, sendo que os 3% restantes, “tinham ligações por repor porque o respectivo serviço estava suportado na rede do operador grossista, a Meo”. Cerca de 500 clientes recusaram a “solução de reposição” proposta pelo operador, alegou o mesmo ao regulador. 

O operador não respondeu logo à agência, mas mais tarde, em declarações citadas pelo Diário de Notícias, clarificou que tem todas as ligações agendadas para os próximos meses, excepto algumas: a Altice diz estar com dificuldades em contactar várias “dezenas” de clientes.

Entretanto lançou um comunicado sobre a renovação de um protocolo com a Madeira: focado em garantias de apoio para situações de emergência.

Ao início da  tarde, o operador reage às declarações do presidente da Anacom, noutro comunicado.  Afirma não haver qualquer processo de re-ligação em falta, “por responsabilidade da Altice Portugal, desde 30 de abril”. E sublinha que “qualquer interpretação que se faça no sentido de invocar falta de reposição de comunicações por responsabilidade da Altice Portugal, é uma interpretação que não corresponde à verdade”.

De acordo com o operador,  “a clara maioria” dos clientes que falta contactar “são cidadãos emigrados, habitantes sazonais ou ainda casos que respeitam a segundas habitações. A nota de imprensa relembra ainda que no processo de recuperação estiveram envolvidos  mais de um milhar de operacionais num cenário de mais de 3500 quilómetros de cabo e mais de 45 mil postes ardidos.

Cadete de Matos fundou as suas afirmações nas informações de um relatório do grupo de trabalho coordenado pelo regulador, publicado esta terça-feira.

A equipa tinha o desafio de encontrar soluções que permitam melhorar a protecção das redes de telecomunicações em caso de incêndios florestais.  E acabou por identificar de 27 medidas para proteger melhor redes de telecomunicações.

Ainda para a Lusa, João Cadete de Matos referiu a necessidade de os operadores fazerem “todo um investimento” para evitar falhas de comunicações naquele tipo de catástrofes. E assinala áreas alvo como a utilização de traçados subterrâneos ou de feixes rádio para estabelecer contactos, a limpeza das centrais e na protecção das infra-estruturas.

Altice renova acordo com serviço regional da Proteção Civil da Madeira

Entretanto a Altice revalidou o protocolo mantido desde 2013 com o serviço regional da Proteção Civil da Madeira. No âmbito da renovação este organismo continuará a ter um centro de apoio no centro de dados da PT no Funchal. São renovados também os serviços de comunicação suportados em 25 VSATs já instalados em sites da Proteção Civil da Madeira na sequência da intempérie de 2010.

O protocolo assegura à região autónoma um centro de apoio no Funchal, com equipamentos e condições tecnológicas para fazer face à necessidade de uma alternativa, em caso de emergência, à sede do próprio Serviço Regional da Proteção Civil, detalha o comunicado da Altice. “Ao abrigo desta parceria de cooperação, e também para uma situação limite de quebra de comunicações, a Altice Portugal garante a ativação de uma rede de comunicações suportada em tecnologia VSAT que irá permitir a continuidade dos serviços de comunicações na RAM e o normal contacto com as populações”, aprofunda.

O acordo foi renovado no contexto da presença da Altice Portugal na Madeira para a realização do PT Empresas Day, o primeiro encontro estratégico entre a sua marca para o segmento empresarial, clientes e os principais parceiros do sector das TIC. O secretário regional da Saúde, Pedro Miguel Câmara Ramos, com a tutela da Proteção Civil na região, acredita que a parceria deverá “assegurar maior eficiência nas comunicações em situação de emergência”, na Madeira.

João Sousa, membro da Comissão Executiva da Altice Portugal, diz ser um privilégio para o operador ser uma vez mais considerado parceiro tecnológico preferencial da Proteção Civil para o desenvolvimento de soluções de suporte às suas operações”.

27 medidas distribuem-se por quatro áreas

A Altice Portugal também fez parte do grupo de trabalho da Anacom que surgiu na sequência do relatório preliminar sobre «Incêndios Florestais – Medidas de Proteção e Resiliência de Infraestruturas de Comunicações Eletrónicas» realizado pela Anacom.

As 27 medidas distribuem-se por quatro áreas: rádio, traçados subterrâneos, energia e protecção, e procedimentos. Eis algumas:

– Utilização dos feixes hertzianos como alternativa aos traçados de cabo aéreo ou para assegurar redundância na rede, que deverá ser ativada em caso de falha da rede por cabo;
– também para assegurar a redundância em zonas de elevada perigosidade de incêndio florestal, propõe-se a promoção da utilização de ligações via satélite;
– considera-se importante a conversão dos traçados aéreos de cabos de comunicações eletrónicas existentes para traçados subterrâneos, utilizando infraestruturas já existentes ou construindo novas infraestruturas;
– é recomendado o estabelecimento de condições que promovam a construção de infraestruturas aptas ao alojamento de cabos de comunicações electrónicas em traçados subterrâneos, em zonas de muito alta e alta perigosidade de incêndio florestal. Por exemplo, propõe-se que, aquando da construção e requalificação de estradas, que integrem a Rede Rodoviária Municipal, Nacional, ou de ferrovias, seja sempre incluída a construção de canal técnico rodoviário ou ferroviário, ou a sua reabilitação, apto ao alojamento de redes públicas de comunicações eletrónicas;
– são propostas diversas medidas de proteção dos sites onde se localizam as estações e antenas, nomeadamente (i) a criação de faixa pavimentada de 1 a 2 m em redor dos sites; (ii) corte e desbaste das copas das árvores e dos arbustos estabelecendo uma distância mínima adequada ao site de 5 m; (iii) impeza do terreno em redor da estação de radiocomunicações, mediante o corte e remoção da vegetação numa faixa adequada de 50 m;
– propõe-se a definição de regras, com o adequado enquadramento legal, para criação e manutenção de uma faixa de proteção contra incêndios com uma largura adequada ao longo dos traçados aéreos de cabos de comunicações em zonas de alta e alta muito perigosidade de incêndio florestal, incluindo a possibilidade de partilha das faixas de proteção com as empresas do sector eléctrico;
– são propostas diversas medidas para assegurar a resiliência de energia nos sites de telecomunicações, incluindo a elaboração de especificação técnica com vista à implementação de soluções de energia de socorro (ex.: baterias) e de energia de emergência (ex.: grupo gerador) com eventual partilha de equipamentos;
– é proposto o estabelecimento de condições para instalação de sistema de detecção automático de incêndios florestais nas proximidades dos sites e subsequente emissão de aviso às entidades competentes;
– recomenda-se a aprovação e revisão de planos municipais de emergência de proteção civil e de defesa da floresta contra incêndios para as zonas de maior perigosidade de incêndio florestal que assegure a melhoria da proteção das infraestruturas de comunicações electrónicas que se constituem como infra-estruturas de relevância operacional necessárias para assegurar os serviços essenciais em caso de emergências decorrentes dos incêndios florestais;
– uma medida considerada particularmente relevante consiste na análise dos requisitos e das soluções técnicas para o estabelecimento de programa de desenvolvimento de plano de comunicações de emergência em roaming nacional em situação de catástrofe, por exemplo por recurso a um conjunto de cartões.


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