Venha o RGPD!

Carla Gomes, directora de vendas para o sector público, na Quidgest, explica porque o RGPD vai muito além da mera gestão da privacidade dos dados. É uma oportunidade para as organizações melhorarem a qualidade do serviços cada vez mais assentes em relações de confiança.

Carla Gomes, directora de vendas para o sector público, na Quidgest.

O Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD) começa a ser aplicado na íntegra esta sexta-feira, 25 de Maio de 2018. O prazo que, em Abril de 2016, se afigurava demasiado distante, parece agora insuficiente para a maior parte das organizações.

Falhar no cumprimento das normas regulatórias do RGPD poderá ter consequências graves para as organizações, não só a nível financeiro, mas também a nível reputacional o que, na maior parte dos casos, tem um efeito devastador para o negócio.

Sendo certo que no mundo on-line de hoje, a maior parte das organizações são digitais por defeito, com culturas de trabalho, tecnologias e processos cada vez mais em rede, o mundo parece estar hiper-conectado, móvel e convergente, cada vez mais ligado pela Internet das Coisas (IoT).

A paisagem digital é tão vasta que, acredito, nunca ter sido tão difícil para as organizações mapear o ambiente digital em que operam e protegerem-se de todos os vectores de risco. O facto de os titulares dos dados beneficiarem de novos direitos ou verem reforçados os anteriores, obriga estas organizações a repensar e a melhorar procedimentos, uma vez que a confiança se torna um factor chave da economia digital. Sem confiança, os negócios digitais não podem usar e partilhar os dados que sustentam as suas operações.

Para ganhar a confiança dos indivíduos, dos ecossistemas e dos reguladores na economia digital, as empresas devem possuir uma forte componente de segurança e de ética, em cada fase da viagem do cliente. Estou certa de que as empresas que apostarem nesta estratégia atingirão níveis muito mais elevados de confiança do mercado, assegurando assim modelos de negócio digitais de sucesso e mais sustentáveis, pela atracção, satisfação e fidelização dos seus clientes.

Um foco exclusivo ou excessivo sobre os importantes, mas estreitos requisitos de segurança, pode dificultar ou mesmo inibir as enormes oportunidades de criar valor com o RGPD.

Contudo, é minha opinião, que um foco exclusivo ou excessivo sobre os importantes, mas estreitos requisitos de segurança, pode dificultar ou mesmo inibir as enormes oportunidades de criar valor com o RGPD.

Este é ponto de partida para muitos dos eventos que têm vindo a ser organizados sobre esta temática do RGPD. Uma resposta descontextualizada ou guiada pelo desespero perante o RGPD, com um foco exclusivo nos requisitos de protecção de dados e na segurança da informação, reduz o impacto da estratégia de dados e de gestão da informação nas organizações.

Será necessário ter uma visão mais ambiciosa e disruptiva e encarar a implementação do RGPD como uma oportunidade de melhoria contínua. Não se trata de trabalhar, apenas, para estar em conformidade. Trata-se de uma completa mudança de paradigma, que veio para ficar.  Tal como é o dever de cada um de nós, as organizações caminharão, cada vez mais, no sentido da ética da reciprocidade ou do princípio moral que diz que “cada um deve tratar os outros como gostaria que ele próprio fosse tratado”.

As organizações aprenderão a olhar para o RGPD com uma oportunidade de melhorar a qualidade do serviço que prestam aos seus clientes e a basear a sua estratégia em relações de confiança.

Assistimos a uma tomada de consciência cada vez maior, por parte, não só das organizações, mas também dos indivíduos, cada vez mais informados e atentos, preocupados em salvaguardar os seus dados pessoais e a forma como estes são geridos pelas entidades com as quais se relacionam, num mundo cada vez mais em rede.  As organizações aprenderão a olhar para o RGPD com uma oportunidade de melhorar a qualidade do serviço que prestam aos seus clientes e a basear a sua estratégia em relações de confiança. Hoje sentimos, nos pequenos episódios do nosso dia a dia, que as coisas estão a mudar e que essa mudança vem, efectivamente, salvaguardar a nossa identidade.

Estou certa de que estes eventos continuarão a contribuir, de forma relevante, para que as organizações se envolvam nesta jornada de forma cada vez mais construtiva e dinâmica, trazendo-lhes conhecimento, competências e ferramentas que as ajudem a compreender a essência do RGPD, a utilizar, não só de forma mais correta e segura os dados que possuem, mas também com mais inteligência. A confiança passou a ser, no mundo digital de hoje, uma grande vantagem competitiva.

É por acreditar que esta é uma viagem que só agora começou, que considero importante a continuidade destes debates. À semelhança de outras viagens que fazemos diariamente, a segurança dos nossos dados estará apenas dependente de não nos esquecermos de colocar o cinto de segurança. O que começou por ser uma imposição, acabou por fazer parte da nossa rotina sempre que nos deslocamos. Hoje viajamos de forma mais segura, sem pôr em causa o objetivo da colocação do cinto de segurança.

Acredito estarmos, hoje, “todos” mais atentos, protegidos e preparados. Venha o RGPD!

 




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