Bicicletas partilhadas: uma solução de transporte público

Afonso Pais de Sousa, responsável pela equipa de vendas da Intelligent Traffic Systems, na Siemens Portugal, explora a conectividade entre o sistema partilhado de bicicletas, a rede de transportes públicos e outros meios transportes.

Afonso Pais de Sousa, responsável pela equipa de vendas da Intelligent Traffic Systems, na Siemens Portugal.

As cidades estão em transformação e o seu futuro passa por encontrarem cada vez mais instrumentos que as ajudem a ser mais sustentáveis. A pressão internacional, após o Acordo de Paris, e a necessidade urgente de serem cada vez mais “verdes”, está a pressionar as cidades a encontrarem novas políticas e práticas amigas do ambiente.

A mobilidade urbana é um dos grandes desafios das cidades, uma vez que mais de metade da população mundial é aqui que vive. E não se prevê que o crescimento abrande. Uma estimativa recente aponta para um incremento de dois habitantes por segundo nas zonas urbanas, até 2050.

Em Lisboa, por exemplo, já são várias as medidas que estão a ser tomadas: veículos mais antigos não podem circular no centro da cidade, está a atuar-se ao nível dos transportes públicos, aumentando a sua disponibilidade, mesmo que para muitos ainda pareça insuficiente e, mais recentemente, foi lançado o projeto de bikesharing.

Com certeza que não se acredita que Lisboa irá “tornar-se” Amesterdão e que todos irão andar de bicicleta, até porque a sua orografia não ajuda, mas a disponibilização de um sistema eficiente de bicicletas partilhadas, amigo do ambiente, deverá incentivar as pessoas e os turistas a deixar de lado os veículos a motor e a fazer-se à estrada a pedalar.

E não se julgue que é necessária grande preparação física, uma vez que ao serem eletricamente assistidas, estas bicicletas vão aligeirar o esforço. Se pensarmos que as bicicletas ocupam menos espaço que os carros, permitem percorrer a mesma distância 15 vezes mais rápido do que a pé e ainda por cima ajudam no exercício físico, só para enumerar algumas vantagens, parecem razões suficientes para começar a mudar de hábitos.

E não falamos só da preservação do ambiente, estamos também a falar da qualidade de vida das pessoas que habitam e trabalham nas cidades, por isso acredito que um sistema de bicicletas partilhadas pode e deve ocupar um papel relevante na oferta de transporte público de uma cidade.

Segundo um estudo de mobilidade realizado na Alemanha, em 2008, os alemães deixavam, em média, o seu carro estacionado 23 horas por dia, o que demonstra a ineficiência assente no uso do transporte privado epor antagonismo, o potencial da economia da partilha. Imaginem que durante essas 23 horas em que o veículo está parado, este pudesse ser partilhado.

Mesmo sabendo que os portugueses andam mais de carro do que os alemães, se pensar que o português médio vai para o trabalho às 8 horas da manhã, estaciona perto do seu trabalho, onde permanece pelo menos oito horas, regressa a casa e torna a estacionar o carro até ao dia seguinte – ou seja, bem mais de metade da “vida” dos veículos é passada parada.

Se alargarmos o potencial aos turistas, cujo número tem vindo a crescer em Portugal, a disponibilização de alternativas amigas do ambiente com certeza que será catalisadora da mudança e de uma melhor fluidez no trânsito.

Ao analisar os dados gerados pelas viagens nestas bicicletas e construindo algoritmos de previsão, podemos ajudar a cidade a fazer uma gestão mais eficiente do tráfego e a aplicar políticas mais adequadas à sua distribuição.

A título de exemplo, é possível saber em tempo real quantas estações de ancoragem de bicicletas estão disponíveis num determinado local ou quando é expectável que fiquem disponíveis.

Na visão da Siemens, o futuro passa por melhorar a conectividade entre o sistema partilhado de bicicletas, a rede de transportes públicos e os outros modos de transporte. Pelo menos no centro da cidade, a mobilidade poderá tornar-se mais eficiente e, consequentemente, mais amiga do ambiente. E é nestas cidades que qualquer pessoa gostaria de viver!

 




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