Saúde é uma das prioridades da Altran em Portugal

O responsável pela área de “healthcare” na Altran Portugal antecipa que, nos próximos anos, “vamos assistir a inovações extraordinárias” nas TI para a saúde.

Paulo Ferreira, director de healthcare, da Altran Portugal.

Paulo Ferreira, director de healthcare da Altran Portugal.

“O sector da saúde é um dos eixos prioritários de desenvolvimento da actividade da empresa em Portugal”, afirmou Paulo Ferreira, director de healthcare da Altran Portugal. 

Os consultores que trabalham na empresa no sector da saúde prestam serviço ao mercado nacional, mas são também “responsáveis pela exportação de serviços de elevado valor acrescentado, contribuindo desta forma para um posicionamento diferenciado do país enquanto mercado emissor de tecnologia e conhecimento”, enquadrou o director da área de saúde da empresa francesa.

A empresa conta, apenas nesta área, com 300 postos de trabalho a que irão somar-se mais 50 nos próximos meses, explicou o responsável no rescaldo da participação na Portugal e-Health Summit, organizada no mês de Março pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS).

“A indústria da robótica aplicada à medicina é provavelmente uma das áreas tecnológicas mais promissoras”.

Sobre a importância de Portugal para o desenvolvimento de tecnologias de informação relacionadas com a saúde, Paulo Ferreira considera que “indústria da robótica aplicada à medicina é provavelmente uma das áreas tecnológicas mais promissoras, onde Portugal, a par de outros países, está já a adoptar estas tecnologias de ponta”. É o caso da própria Altran que “está a trabalhar com os principais clientes internacionais, através de projetos de co-inovação”.

Outra área em que Portugal se distingue é “ao nível das aplicações digitais, nomeadamente no que se refere aos dispositivos móveis”. Nesta área “temos assistido a um crescimento exponencial das soluções colocadas à disposição do utente”, de entre as quais Paulo Ferreira destaca o mySNS, desenvolvido pela SPMS para o sistema de saúde nacional, “que está ao nível do melhor que se faz a nível mundial. Nesse campo Portugal está claramente na linha da frente”, assinala.

Globalmente, “com o constante avanço das Tecnologias da Informação, os agentes dos sistemas de saúde passaram a depender cada vez mais da informação (dados) e de sistemas computacionais”, refere Paulo Ferreira.

“Nos próximos anos vamos assistir a inovações extraordinárias nestas áreas”.

Os sistemas de informação da saúde saem também “beneficiados pelo aumento da capacidade de armazenamento e processamento de dados e a possibilidade de articulação entre subsistemas e agentes do sistema de saúde”.  O responsável antecipa que, nos próximos anos, “vão observar-se progressos enormes nestes domínios, nomeadamente ao nível da Inteligência Artificial, que vai auxiliar o diagnóstico de doenças em estágios mais prematuros, melhorando a qualidade de vida dos utentes”.

Enquanto isso, “os sistemas de informação têm permitido configurar e interligar dispositivos médicos que proporcionam muitas contribuições ao sector saúde. Dessa forma, os sistemas de informação apoiam a organização administrativa e clínica das consultas, fazendo não só a recolha dos dados, o armazenamento, o processamento da informação, auxilio no diagnóstico e prescrição terapêutica”. Antecipando o futuro, “os próximos anos vamos assistir a inovações extraordinárias nestas áreas”.

Organizações procuram soluções de saúde conectada

Muitas empresas estão actualmente a procurar componentes de saúde conectada (connected health) para integrar nos seus portefólios de produtos e serviços. Internamente essas empresas debatem-se com a procura de equilíbrio: como “balancear positivamente a estratégia de negócio, a inovação, as características do core organizacional e as parcerias certas para a criação de valor”, reflecte o responsável assinalando que é aí que a Altran pode ser uma mais-valia tanto no mercado nacional, como internacional.

Um dos casos citados por Paulo Ferreira é o Infarmed. A Altran trabalha com este instituto público na desmaterialização dos processos de negócio. Da colaboração entre as duas organizações tem “resultado o desenvolvimento de novas aplicações, que têm sido reconhecidas pelos seus pares europeus, fazendo do Infarmed uma referência na área. A nossa colaboração com o Infarmed consiste no apoio no levantamento e otimização dos processos de negócio, no desenvolvimento de aplicações de suporte às áreas de negócio e suporte aplicacional às aplicações já existentes”, detalha o responsável.

A Altran também colabora com a SPMS, no desenvolvimento de soluções que visam aumentar a proximidade com o utente. Sem referir para que organizações, Paulo Ferreira acrescentou que “prestamos igualmente apoio no desenvolvimento de plataformas tecnológicas na área da saúde, por exemplo, aplicações que auxiliam a toma e dosagem de medicamentos” ou “plataformas que permitam o acompanhamento remoto de um paciente e respetivo diagnóstico”.

Portugal é utilizado pela Altran como “laboratório de desenvolvimento e investigação, através do nosso Global Delivery Center, que tem áreas de especialização que competem a nível global no desenvolvimento de produto, como é o caso dos dispositivos médicos conectados”, referiu Paulo Ferreira.

Além disso, a área de ciências da vida da Altran Portugal “é um Centro de Entrega Global que produz e entrega soluções para a indústria farmacêutica em todo o mundo”, explicou o responsável. As três principais áreas de serviços são qualidade e conformidade, engenharia de processos e área regulamentar.

Na área de qualidade e conformidade “asseguramos remotamente de Portugal a gestão de todas as reclamações de uma multinacional farmacêutica situada na Bélgica, garantimos a gestão de todo o sistema de qualidade associado à qualificação de equipamentos de outra grande multinacional situada nos EUA, entre outros”, detalhou o responsável. Na área da engenharia de processos “temos vários projetos de validação de sistemas computorizados para os parceiros da indústria farmacêutica, mas também para toda a cadeia, como por exemplo, os distribuidores”.

Privacidade no sector da saúde vai ser um desafio

“Os dados que são recolhidos dos pacientes são cada vez mais importantes e determinantes para o avanço da ciência. A privacidade e o modo como os mesmos são utilizados são um dos grandes desafios para os próximos anos”, foi deste modo que Paulo Ferreira resumiu as conclusões de um painel de debate sobre inteligência artificial e analítica, organizado pela Altran, durante a Portugal eHealth Summit, promovida pelos SPMS.

A participação da empresa no evento deve-se às referências que tem na área, nomeadamente em matéria de co-inovação de produtos e serviços com os clientes.




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