Academia de Código quer chegar aos EUA

A startup portuguesa adquiriu a Codeplace, uma escola online de programação presente em mais de 140 países.

João Magalhães, director-executivo da Academia de Código.

A Academia de Código anunciou a aquisição da empresa de ensino de programação online Codeplace, que irá contribuir para a estratégia de internacionalização daquela empresa. O valor do negócio não foi revelado. “O nosso DNA não nos permite revelar informações financeiras relativas à operação”, justificou João Magalhães, director-executivo, Academia de Código.

Com esta aquisição, a Academia de Código dá um “passo essencial” na sua estratégia de internacionalização cujos objectivos são entrar nos EUA, ainda durante o corrente ano. Adicionalmente pretendem entrar no “continente americano em geral na Europa”, assinalou o responsável da empresa fundada em 2015, em declarações ao Computerworld.

Mas com cautela: “somos uma startup, desenvolvemos produto e testamos regularmente. Queremos fazer o mesmo com a nossa estratégia de internacionalização. Não estamos fechados a nenhuma outra oportunidade que surja e que faça sentido estrategicamente”. Além do mais, com a aquisição da Codeplace, “já estamos em 140 países”.

A Codeplace foi fundada por empreendedores portugueses e tem presença em 140 países e uma carteira de mais de 70 mil alunos.

A atestar a estratégia de testes regulares, o projecto de internacionalização da Academia do Código tem por base “o sucesso dos programas piloto” Academia de Código Júnior desenvolvido na Grécia, Itália e Polónia entre 2016 e 2017, lê-se no mesmo comunicado.  

“Acreditamos no canal online como complemento à nossa oferta e na criação de “leads” para os nossos “bootcamps”, especialmente com a nova versão de Ruby 5 que vem facilitar a introdução à programação para iniciantes”, João Magalhães (Academia de Código).

Os responsáveis da Academia do Código já acompanhavam o percurso de Tiago Martins, co-fundador da Codeplace, e da sua equipa há vários anos. “Primeiro na Stuk.io e depois na Codeplace”, explica João Magalhães. Desta observação acabou por surgir o negócio: “acreditamos no canal online como complemento à nossa oferta e na criação de “leads” para os nossos “bootcamps”, especialmente com a nova versão de Ruby 5 que vem facilitar a introdução à programação para iniciantes” assinala João Magalhães.

Com aquisição, a oferta da Academia de Código passa a integrar três produtos distintos ensino para crianças, transformação de talento no desemprego e a plataforma de ensino de programação online. “Se são três empresas ou uma empresa, neste momento não é o que consideramos mais importante”, sublinha o CEO da Academia.

Assim, um dos produtos da Academia de Código visa “transformação de talento no desemprego em programadores júnior em “bootcamps” de 14 semanas”. Com este programa a organização está presente em Lisboa, no Fundão e na ilha Terceira, estando ainda o alargamento da presença da empresa ao norte do país, em Setembro. Estes cursos têm “96% de empregabilidade”. A Academia de Código promove ainda o ensino de ciências da computação nas salas de aula a crianças e jovens dos seis aos 12 anos.

Agora, com a Codeplace, a oferta passa a incluir também uma plataforma online que permite o ensino dos “fundamentais da programação de Ruby”. Com esta plataforma a Academia vê aberta a oportunidade de “chegar a um grande número de empreendedores e pessoas que queiram começar um projecto de auto-emprego.

Empresas promovem aprendizagem prática

De facto, o objectivo da Academia de Código é “contribuir para a criar emprego”, pois “somos um projeto de impacto social”. A empresa regista “96% de empregabilidade nos nossos bootcamps e mudámos a vida a mais de 250 pessoas”, com a aquisição da Codeplace vamos chegar a milhares de pessoas em todo o mundo”.

Comum entre as duas empresas é também a metodologia “learn by doing”. Esta metodologia é, “sem duvida, a melhor maneira de manter o estudante motivado quando está a aprender pois promove a concentração nos desafios mais exóticos para quem nunca programou. Quando alguém vê que conseguiu criar uma aplicação que imediatamente pode partilhar com os amigos ou usá-la, não consegue esperar por fazer uma mais complexa”.

No caso da Codplace é promovido o “contacto com as linguagens HTML, CSS e Ruby on Rails” e, através daquela metodologia, o aluno constrói projetos reais como blogs, plataformas de comércio electrónico, listas “to-do” e serviços para software. Adicionalmente podem ser acrescentadas novas funcionalidades aos projetos, como ferramentas de pagamentos ou integrar com outras aplicações. Através da Codplace é possível construir um projecto próprio, em três meses pelo valor base de 99 dólares/ano, explicam as empresas.

Tiago Martins, co-fundador da Codeplace, está actualmente a trabalhar na adaptação do produto da Codeplace à Academia de Código.

“Muito provavelmente teremos que fazer uma ronda de investimento para acelerar ainda mais o crescimento”, João Magalhães (Academia de Código)

A Academia de Código é uma startup que está focada no investimento em produto, não considerando o volume de negócios como a medida mais importante. “Em 2017 fizemos pouco mais de um milhão de euros e esperamos estar perto dos três milhões no final de 2018”, assinalou João Magalhães.

Durante o corrente ano, a empresa vai prosseguir a estratégia de desenvolvimento e teste de produto. “Muito provavelmente teremos que fazer uma ronda de investimento para acelerar ainda mais o crescimento”, concluiu.

Sobre a procura, João Magalhães assinala que, em 2017, as linguagens mais procuradas foram Java, Python, Javascript, Swift, Ruby e Perl. Quanto a recomendações: “o Ruby é perfeito para uma introdução pois a sintaxe assemelha-se muito ao Inglês nativo. Mas com boas bases de Javascript e a Object Oriented Programming, o céu é o limite para enveredar para outras línguas e frameworks. A Java continua a ter uma forte penetração no mercado de trabalho”.




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