Cisco aprofunda estratégia de desagregação

A Cisco está a separar o sistema operativo e as aplicações do hardware subjacente e está a tornar possível instalar aplicações em determinados “switches” e “routers”.

Cisco Nexus 9615 Credit: Network World License: IDG WorldwideA noção de desagregação – separar o sistema operativo e as aplicações do hardware subjacente – sempre foi uma questão complicada para a Cisco. Porque haveria a empresa de arriscar perder os milhões de dólares investidos no desenvolvimento e os principais recursos de rede incluídos nos actuais pacotes de hardware e software da Cisco?

Mas, no novo mundo do “software em todas as coisas”, em que a Cisco pretende ser líder, a estratégia de desagregação está a ganhar força.

Esta semana a empresa levou as coisas um pouco mais longe ao anunciar um conjunto de etapas de desagregação que poderão interessar aos clientes empresariais e aos prestadores de serviços.

O primeiro modelo de gestão de configurações CVD, um PlayBook Ansible, já disponível para descarregar no repositório Cisco DevNet no GitHub, gratuitamente.

Para as empresas, a Cisco reforçou o seu software IOS XE com um software de modelagem – Cisco Validated Design (CVD) Configuration Management Templates para IOS XE  – que automatiza a implantação do design de referência da Cisco, através da utilização de configurações declarativas, anunciou a empresa. 

“Os modelos disponibilizados neste repositório permitem utilizar partes de diversos CVD. Um dos exemplos está a alavancar populares ferramentas de gestão de configuração em código aberto orientando-as para a configuração declarativa, reduzindo erros de digitação que podem acontecer quando se transcreve a documentação para a configuração do dispositivo”, disse a Cisco.

O IOS XE é um sistema operativo baseado em Linux, da Cisco, que a empresa diz poder correr ambientes virtualizados de vários fabricantes. A Cisco disse que o primeiro modelo de gestão de configurações CVD, um PlayBook Ansible, já disponível para descarregar no repositório Cisco DevNet no GitHub, gratuitamente.

Aplicações de hospedagem nos switches Catalyst 9000

A Cisco também lançou também capacidades de hospedagem para switches Catalyst 9000 e os seus routers ISR/ASR. Este suporte permite hospedar várias aplicações da Cisco e de terceiros em contentores Linux (LXC) ou como VM baseado no Kernel (KVM) combinado com o IOS XE  16.8.1 que será lançado no corrente mês.

“Já estamos a ver clientes a utilizar estas primeiras capacidades para correr aplicações para análise de redes, segurança, fluxos de operações de redes e IoT sobre a infra-estrutura de rede”, assinala a Cisco. 

“Já estamos a ver clientes a utilizar estas primeiras capacidades para correr aplicações para análise de redes, segurança, fluxos de operações de redes e IoT sobre a infra-estrutura de rede”, assinala a Cisco.

Para os clientes de centro de dados, a Cisco vai agora disponibilizar várias opções de portabilidade para os seus switches Nexus e para o sistema operativo Nexus (NX-OS) – incluindo a interface para escalável para cloud da Cisco, Switch Abstraction Interface (SAI).

“A SAI permite aos clientes ter liberdade para correr o sistema operativo de rede que escolherem sobre as plataformas Nexus preparadas para SAI. A Microsoft e outros clientes web estão agora a correr sistemas operativos Sonic nas plataformas Nexus 9200/9300”, assinalou a Cisco.

Além disso, a Cisco diz que é agora possível correr o sistema operativo Nexus (NX OS) em plataformas de hardware de terceiros, independentemente dos switches nexus. A Cisco está também a disponibilizar uma versão virtual do NX OS onde os clientes podem avaliar como tirar o melhor partido da portabilidade.

“A Cisco continua a disponibilizar API abertas nos dispositivos de rede, integração com estruturas de automação populares como a Ansible, Puppet ou Chef” 

“A Cisco continua a disponibilizar API abertas nos dispositivos de rede, integração com estruturas de automação populares como a Ansible, Puppet ou Chef, e programação por meio de qualquer conjunto de linguagens de programação convenientes, incluindo Python”, explica.

Enquanto que essas API têm obviamente desempenhem um papel fundamental para os nosso prestadores de serviço e clientes web, a abertura também significa ter flexibilidade para escolher as combinações de hardware e software que melhor correspondem às suas necessidades, escreveu Roland Acra, vice-presidente sénior e director-geral de redes de centros de dados num blogue onde anunciou os novos recursos.

Desagregação das operadoras

Para os prestadores de serviços, a Cisco desagregou completamente o sistema operativo IOS XR para operadoras, o que significa que o sistema operativo pode agora correr em switches e routers da Cisco ou de outros. O sistema também pode correr em servidores x86 como software virtualizado em clouds públicas e determinados dispositivos de terceiros, assinala a Cisco.

Certamente no mundo dos prestadores de serviços a desagregação forçou a Cisco a agir. De facto, a empresa disse que ao longo dos últimos anos a desagregação de software e hardware tem vindo a ganhar dimensão por vários motivos. É o caso dos fornecedores de web de alto rendimento que estão a procurar soluções desagregadas para os seus centros de dados, dos fornecedores de serviços que manifestaram interesse em mudar para soluções desagregadas, dos fabricantes de design original (ODM) venderam agora hardware directamente aos clientes e de fabricantes de nicho estarem a comercializar pacotes com apenas software.

 O sistema também pode correr em servidores x86 como software virtualizado em clouds públicas e determinados dispositivos de terceiros, assinala a Cisco.

“A maioria dos nossos clientes prefere comprar sistemas completos com suporte da cisco. A maioria quer simplicidade em oposição ao fardo de ter equipas de design e desenvolvimento a criar e a integrar hardware e software”, diz a Cisco. “Tornar-se integrador de sistemas implica custos de longo prazo significativos para as organizações. Mas há determinados tipos de clientes com exigências únicas de automação e a escalabilidade para as quais a desagregação do hardware e do software pode oferecer vantagens”.

“A grande maioria dos nossos clientes prefere comprar sistemas completos com suporte de classe mundial da Cisco. A maioria deseja um nível de simplicidade em vez do fardo de ter equipes de projeto e desenvolvimento criando e unindo hardware e software”, disse a Cisco. “Tornar-se integradores de sistemas exige custos significativos a longo prazo para as organizações. Mas há certos tipos de clientes – provedores de serviços e empresas de escala na Web, por exemplo – com demandas exclusivas de automação e dimensionamento, para as quais a desagregação de hardware de software pode oferecer vantagens fundamentais”.


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