Como será o armazenamento em 2018 e depois

Os departamentos de TI que decidiram adoptar apenas tecnologia flash, na sua estratégia para o armazenamento, terão de a rever devido aos custos, considera Israel Serrano, director-geral da Infinidat, para Portugal e Espanha.

Israel Serrano, director-geral da Infinidat, para Portugal e Espanha

Em 2018, podemos esperar que as empresas realinhem os seus orçamentos de TI à medida que continuam a investir em soluções para a transformação digital. Somemos isto ao mediatismo e pressão associada a novas leis sobre segurança de dados (na Europa, RGPD), e chegaremos à conclusão de que as soluções all flash não se encaixam na escala económica dos orçamentos de TI dos dias de hoje.

Importa mostrar como estes problemas têm efeitos negativos no armazenamento de dados, e onde as empresas devem focalizar os seus esforços de
investimento:

1‒ Transformação digital (DX): as empresas que invistam em DX também terão de conciliar as suas necessidades de mais capacidade de armazenamento e de maior rendimento para analisar os dados que estão a recolher.

Algumas previsões sobre o declínio da utilização das unidades de disco de alta capacidade estão erradas, já que a única forma económica razoável de captar, analisar e reter dados na DX radica no armazenamento persistente baseado em discos de alta capacidade. Continuaremos a assistir ao realinhamento dos orçamentos de TI, ao crescimento das necessidades de rendimento para múltiplos e crescentes “workloads” e as aplicações para questões de localidade de referência serão cada vez mais importantes na análise de dados, especialmente para aplicações em tempo real, como a detecção de fraude.

2 ‒ A segurança da informação assume o máximo protagonismo (o RGPD acelera a mudança): as organizações de TI que se assumiram como sendo “só flash” terão que rever a sua estratégia, já que a capacidade efetiva de armazenamento se limita a 1:1 e o custo por TB flash total efetivo dispara até 10 vezes o custo em discos de alta capacidade.

3 ‒ Encriptação e compressão passarão a ser commodities: o RGPD e outras novas leis vão requerer como obrigatória a encriptação global dos dados. A deduplicação e a compressão já não são suficientes nem eficazes, pelo que veremos um drástico impacto na capacidade de armazenamento. Assistiremos a uma mudança na proposta de valor para o rendimento, a disponibilidade, a fiabilidade e a simplicidade de integração com soluções verticais e horizontais.

4 ‒ A cloud assume maior importância na empresa: em 2018 e anos seguintes, começaremos a ver a proliferação do edge computing e do fog computing. A cloud é demasiado lenta (largura de banda) para muitas aplicações, e o edge computing “inteligente”; compensará isto com a recolha e análise de dados “no extremos”.

5 ‒ O networking é o novo ponto de “engarrafamento”: em 2018 veremos avanços no rendimento do armazenamento (cache otimizada, novos desenhos NVMe, etc.) que
eliminarão este elemento da lista dos “suspeitos do costume” do baixo rendimento e geradores de problemas. A Ethernet ganhará (de novo) a batalha dos protocolos na nova geração de data centers, com o NVMe como componente chave na revolução trazida pelo Fibre Channel.

Durante os próximos anos, podemos esperar níveis de transferência de 400GB/s e 800GB/s em produção. A “normalização” na Ethernet apresenta o potencial de poder melhorar drasticamente a eficiência de E/S do “stack.

Juntamente com a melhoria no rendimento que o NVMe representa, os sistemas de cache DRAM otimizada continuarão a oferecer um melhor rendimento que os sistemas all-flash, e  proporcionarão um melhor equilíbrio entre picos de múltiplas cargas e requisitos de capacidade a longo prazo.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado