Forrester descontrói seis mitos de blockchain

Há obviamente valor no blockchain, mas também há mitos subjacentes à tecnologia . A Forrester aponta-os e explica-os.

A actividade empresarial em torno do blockchain está a começar a aparecer. Nos serviços financeiros, o Banco Commmonwealth deu indicações de que pretende utilizar uma solução de blokchain comercial que já testou com sucesso na África do Sul.

A ANZ e a Westpac já terminaram um teste de tecnologia de registo distribuída para o processo de garantias bancárias utilizadas no leasing de propriedades comerciais. A Mastercard está a lançar a sua própria rede de blockchain para permitir aos bancos e lojas associadas fazer pagamentos transfronteiriços mais rapidamente e em segurança.

Na edução, a Universidade de Melbourne associou-se à aprendizagem automática norte-americana para fazer um sistema de blockchain piloto para partilhar e verificar micro-credenciais. E a lista continua.

Há, obviamente valor no blockchain, mas quais sãos os mitos mais comuns que prejudicam a tecnologia? Um grupo de quatro analistas da Forrester, liderado por Martha Bennett, assinalou-os num novo relatório.

1. O mito da imutabilidade

O termo “imutável que, em termos de blockchain, significa que “não pode ser alterado nunca” é tecnicamente impossível, dizem os analistas no relatório. Há duas formas principais de fazer alterações em blockchain. “Uma é re-computar a cadeia, quer na totalidade, quer a partir do ponto anterior ao evento indesejável ocorrido. Isto apaga ou recria a história. No início da bitcoin aconteceu algo do género”, dizem.

“Outro é o ‘fork’ da cadeia [NR: fork é uma situação em que o blockchain se divide em duas cadeias separadas temporária ou permanentemente], que preserva o código e transações históricas, mas significa que o software funciona agora de outro modo. O melhor exemplo conhecido desta situação é provavelmente quando o exemplo o ‘fork’ Ethereum que foi introduzido para lidar com o desastre DAO”.

Os analistas dizem ainda que de uma perspectiva técnica, o blockchain local é mais fácil de alterar e têm menos nós do que os blockchains públicos, em particular nas primeiras fases. “isto também os torna tecnicamente mais vulneráveis a ser subvertidos por criminosos que têm credências para a rede. Na prática, os mecanismos de segurança e de governação que se aplicam à rede mantêm o risco controlado”, assinalam.

“Os participantes no ecossistema devem reconhecer o facto de que não é a tecnologia per ser que protege os registos blockchain protegidos de mudanças, mas a forma como as redes são desenhadas, implementadas e como funcionam. Isto aplica-se a redes com mecanismos de consenso, que suportam maior escalabilidade mas que sozinhas dariam pouca ou até nenhuma protecção contra ataques maliciosos”, dizem os analistas.

2. O mito da desintermediação e descentralização

A redução de custos e o aumento da eficiência são os principais motivos por que uma organização quereria mudar um processo para uma rede baseada em blockchain, dizem os analistas. “Em muitos casos, isso implica descartar algum intermediário anteriormente utilizado. Por que processar transacções e trocas através de terceiros quando se pode fazer o negócio directamente entre parceiros de negócio?”, questionam.

“Não há dúvida que haverá cenários em que isto se poderá traduzir na realizada. Mas é uma falácia assumir que não existirão intermediários de confiança em redes blockchain ou que essas redes são de facto e totalmente descentralizadas”.

Na prática, os analistas dizem que as redes blockchain não vão acabar totalmente com os intermediários, são redes distribuídas que retêm algum tipo de centralização e irão surgir novos intermediários, enquanto que alguns dos existentes poderão sofrer mudanças profundas tornando-se irreconhecíveis.

3. O mito da confiança zero

As duas principais blockchain – bitcoin e ethereum – demonstraram é que possível trocar “valor” entre pessoas sem que se conheçam ou confiem uma na outra, dizem os analistas.

“Mas também demonstraram que isso é um mito. Nenhuma das redes está totalmente ausente de confiança. Os participantes têm de confiar no funcionamento contínuo dessas redes e têm de o fazer a vários níveis. Por exemplo, precisam confiar na matemática e na cifragem bem como no código que irá funcionar sempre como se pretende”, dizem os analistas.

4. O mito de que as blockchain são máquinas da verdade

Muitos casos de utilização de redes baseadas em blockchain prometem prevenir a fraude e assegurar a origem dos bens nos mundos físico e digital, dizem os analistas.

“Até certo ponto, é uma afirmação correcta, porque as as transacções baseadas em blockchain são extremamente difíceis de manipular e é óbvio quando ocorre alguma tentativa. Mas, nenhuma tecnologia, seja ou não blockchain, poderá agir com dissuasor em alguns casos”, dizem.

De qualquer modo, é essencial ter em mente de que só porque está num blockchain não é necessariamente verdade. Os blockchains por si não podem garantir a proveniência de bens físicos e casos de rastreabilidade puros devem ser separados daqueles que requerem provas de proveniência.

5. O mito da transparência

Tornar as transações mais transparentes é um benefício claro nas redes baseadas em blockchain, dizem os analistas.

“Mas, para a maioria das empresas, a transparência é muito mais uma maldição do que uma bênção. Além de resolver as questões de escala, dar resposta à necessidade de confidencialidade é o maior desafio técnico que os programadores precisam de resolver”, dizem.

Os CIO têm de estar conscientes que num pacote blockchain típico todos os conteúdos na cadeia são visíveis por todos os elos da cadeia e que preservar a privacidade dos dados e a transparência e rastreabilidade comercial não é o mesmo que provar a origem e a integridade e os executivos precisam estar de acordo sobre os requisitos de confidencialidade antes de escolherem a tecnologia, assinalam os analistas.

6. O mito dos contratos inteligentes

Para muitas organizações os contratos inteligentes são “uma” e até mesmo “a” principal razão para iniciar a jornada blockchain, dizem os analistas.

“Mas é necessário entender o que são e o contexto em que operam”, acrescentam. Os contratos inteligentes estão relacionados com a automatização de processos. Eles encapsulam as regras de negócio num código, os eventos accionam-nos para realizar determinada função que por seu lado desencadeiam outro evento, explicam os analistas.

“E, por definição, um contrato inteligente só é tão bom quanto a pessoa ou equipa que criou as regras e os programadores que as traduziram em código”, dizem.

Os contratos inteligentes também requerem contratos do mundo real juridicamente vinculativos e executáveis.

“Não obstante o que muitos apoiantes do blockchain possam dizer, o código não é lei. A lei é a lei. Mesmo que os participantes numa rede de blockchain queriam respeitar os termos de um contrato inteligente, ainda irão necessitar de um acordo legal separado que declare tanto quanto possível e assegure outros princípios contratuais padrão”.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado