Tendências em equipamentos

A adopção de produtos com inteligência artificial, cada vez mais presente, deverá aumentar a necessidade de tecnologias de suporte. E a interacção com redes de IoT deverá crescer, antevê Glenn Fitzgerald, CTO da Fujitsu para o negócio em equipamento.

Glenn-Fitzgerald, CTO da Fujitsu para a linha de negócio de produtos

Durante 2018, a Inteligência Artificial (IA) será incorporada em mais dispositivos e aplicações do que nunca, estendendo-se a experiências cada vez mais quotidianas – e esperamos que sejam lançados este ano muitos mais novos dispositivos e aplicações com capacidades ‘inteligentes’. Veremos por exemplo, capacidades de síntese e reconhecimento da fala implementada sob a forma de chatbots em novos locais, como postos de abastecimento de combustível, e também iremos ver cada vez mais assistentes de retalho digitais que irão mudar a relação entre uma loja e os seus clientes.

A adopção da IA vai impulsionar a necessidade de tecnologias de suporte – Em 2018, muitas empresas vão começar a executar a sua estratégia para explorar a IA e veremos muitos projectos-piloto à medida que o potencial desta tecnologia vá sendo investigado. A IA é possibilitada pelo machine learning e a formação de redes neurais – e para gerar aplicações “inteligentes” deste modo é necessário um grande poder de computação, disponibilizado sob a forma de grandes redes com muitíssimos processadores simples.

Uma abordagem à disponibilização desta capacidade computacional a pedido é a ligação de aplicações IA a plataformas desenhadas para suportar de forma optimizada muitas GPU –, para servir como base efectiva para as empresas construírem as suas próprias redes neurais.

A interface humana com a IoT continuará a aumentar – desde sistemas de monitorização do tráfego até medições ambientais, em breve cada aspecto da nossa vida será rastreado. À medida que os sensores se tornam omnipresentes, eles permitem muito mais aplicações sensíveis à localização que levam mais além o conceito do ‘Pokemon Go’.

Poderemos assistir a isto sob a forma de aplicações que disponibilizam marketing direccionado baseado na localização de um cliente num centro comercial, através do planeamento activo de viagens que recorre a informação de trânsito fiável, até jogos de realidade virtual móvel – como “paintball” num
mundo virtual.

Vamos começar a ver sensores implantados – à medida que os sensores de IoT forem proliferando nos cuidados de saúde para monitorizar a saúde dos pacientes 24 horas por dia, 7 dias por semana, a evolução lógica será a implantação de alguns destes sensores. Este tipo de integração, como parte de pacemakers e outros dispositivos, por exemplo, permitirá que os
profissionais de saúde monitorizem de perto as condições de saúde dos pacientes e os dados permitir-lhes-ão prever uma eventual crise, como um ataque cardíaco.

A segurança biométrica tornar-se-á norma – As empresas têm tentado responder às preocupações de segurança sobretudo através da introdução de novas camadas de segurança – contudo, para muitas, a complexidade resultante tem afectado a produtividade. A solicitação mais frequente em muitos serviços de suporte TI é ‘reinicializar uma palavra-passe perdida’, o que torna a facilidade de utilização da biométrica atractiva.

Veremos muito mais empresas implementar sistemas biométricos avançados, os quais serão cada vez mais focados na análise das veias da palma da mão ou na detecção de rostos.

O mundo definido por software continuará a dominar – Os
datacenters vão tornar-se muito mais simples com uma variedade reduzida de componentes, ao mesmo tempo que os produtos de software vão ganhar importância. Este domínio crescente da definição por software mudará o hardware como o conhecemos.

O nosso mundo cada vez mais definido por software vai acelerar a desagregação do hardware – essencialmente a versão hardware da virtualização. Isto significa que em vez de ter servidores ou sistemas integrados, uma empresa possa ter grandes silos de capacidades distintas, como processamento ou memória, as quais serão montadas e desmontadas em função da tarefa que é preciso executar.

As fitas magnéticas vão regressar – à medida que as empresas implementam processos de gestão de dados eficazes e retêm grandes volumes de dados durante intervalos de tempo muito longos – o custo efectivo das fitas magnéticas vai torná-las numa escolha óbvia, especialmente à medida que as tecnologias de disco magnético forem suplantadas por discos solid state e memórias não voláteis nos servidores.

O modelo híbrido vai predominar – agora que a primeira corrida à cloud abrandou, prevemos que esta tendência comece a inverter-se, com as empresas a tirarem os sistemas da cloud. O principal responsável por isto não será a segurança, como muitos previam, mas antes o custo.

Algumas aplicações, como as que transaccionam muitos dados ou possuem requisitos de computação bastante variáveis, são caras de alojar na cloud porque o preço normalmente é baseado na acomodação de requisitos de pico. O segredo do sucesso para as empresas passa por gerir o movimento dos seus dados entre clouds públicas e sistemas internos.

Em meados de 2018, a implementação em grande escala de RAM não-volátil em servidores mudará radicalmente o mundo do software, à medida que o input/output de aplicações (por exemplo, para uma drive, um servidor ou outra aplicação) se torna síncrono em vez de assíncrono.  Isto significa que o input/output será tão rápido que irá concluir, de forma eficaz e imediata, em vez de permitir que outros processamentos continuem enquanto se aguarda a conclusão.

Já está a ser feito um investimento significativo na exploração deste novo paradigma de software que irá possibilitar que dezenas de Gigabytes sejam guardados de forma rentável na memória. Isto mudará não apenas o desempenho, mas também os modelos de gestão de dados, as soluções de resiliência e as capacidades de comunicação das aplicações.

Os primeiros a explorar esta oportunidade de disponibilizar vantagens de negócio reais vão ser muito bem recompensados!




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