Empresas esperam gastar mais de 50 mil euros com o RGPD

O desconhecimento sobre o RGPD domina as empresas em Portugal. E embora os líderes das maiores estejam mais cientes do que aí vem, poucos sabem quanto e no que é que se vai ter de investir.

Em geral, mais de metade dos decisores não tem ainda conhecimento claro de quais os investimentos e custos inerentes ao desenvolvimento de um programa que lhes permita estar esteja em conformidade com o RGPD. Dos que dizem ter noção (48%) cerca de metade indica que será superior a 50 mil euros.

Nas empresas com mais de 250 colaboradores (60% dos inquiridos), 75% dos decisores sabem qual vai ser o investimento, que deverá ser superior a 50 mil euros em 2018. Um quarto das grandes empresas que sabem qual vai ser o investimento admite que poderá exceder os 300 mil euros.

O facto é que a grande maioria das empresas portuguesas não está preparada para lidar com o RGPD. Apenas 2,5% dos decisores considera que a sua organização está preparada para lidar com o regulamento.

Situação que é menos acentuada nas organizações com mais de 250 colaboradores, aquelas que melhor conhecem o RGPD. Segundo os dados recolhidos pela IDC/Microsoft no início do mês de Janeiro, neste segmento, “mais de 50% dos decisores conhece ‘relativamente bem’ o regulamento”, percentagem que é mais significativa quando as empresas operam nas áreas de sistemas de informação e serviços jurídicos, nas quais dois terços dos profissionais conhecem ‘relativamente bem’ o documento.

 “As conclusões não são especialmente animadoras”, assinala André Azevedo, director executivo de tecnologia da Microsoft Portugal acrescentando que “há um longo caminho a percorrer em pouco tempo”.

RGPD é uma grande oportunidade para as empresas reorganizarem processos, Paula Panarra (Microsoft) 

Apesar de tudo, para Paula Panarra, directora-geral da Microsoft, considera que o RGPD é uma “grande oportunidade” para as empresas “reorganizarem processos e revisitarem a sua política de dados criando condições para extraírem todo o potencial e valor dessa informação”.

Mas nem tudo é negativo. No início de Janeiro, quando os questionários deste estudo foram respondidos, quase metade dos decisores (43%) acreditava que a sua organização estará preparada depois de 25 de Maio de 2018, ou não sabem especificar quando estará conforme o novo enquadramento legal europeu.

195 inquiridos dizem que a sua organização está em processo de nomeação de um responsável de protecção de dados, 177 não têm este responsável e 119 já nomeou como RPD um recurso interno a tempo parcial.  

O estudo contou com 627 respostas de profissionais de vários sectores de actividade com destaque para 30% da Administração Pública, 60% de organizações com mais de 250 colaboradores. 51% dos inquiridos tinham como função a área de sistemas de informação, seguido dos administradores (34%).

O Regulamento Geral de Protecção de Dados, que renova a actual legislação de protecção de dados,  entrou em vigor em Maio de 2016 e é aplicável a partir de 25 de Maio de 2018, dentro de menos de quatro meses. O regulamento não precisa da transposição para a legislação nacional, como acontece com as directivas europeias, e é aplicado directamente sem necessidade de adaptação.

Requer no entanto legislação complementar, que deverá ser aprovada, durante o mês de Fevereiro, apurou o Computerworld.

Principais desafios do RGPD para as empresas

– Definição de processos: 51,0%;

– Identificação, classificação e gestão de dados: 50,9%;

– Formação dos colaboradores: 40,4%;

– Estabelecimento de medidas de segurança: 34,9%;

– Lidar com a gestão do consentimento: 29,2%.                                                                                                                                                              

Principais benefícios do RGPD para as empresas                                                                                                                      

– Melhoria da segurança e privacidade da informação: 55,8%;

– Melhoria da gestão da informação: 44,3%;

– Garantir a confiança dos clientes: 34,9%;

– Redução do risco sancionatório: 31,7%;

– Melhorar a imagem pública e reputação da organização: 23,9%.




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