CEO têm de capacitar colaboradores para as tecnologias inteligentes

Caso não reforcem as competências das equipas em inteligência artificial, as empresas arriscam-se a perder importantes oportunidades de negócio, antecipa a Accenture.

Ellyn Shook, da Accenture, e Mark Knickrehm, Accenture Strategy

As organizações que investirem na inteligência artificial (IA) e na colaboração homem-máquina podem potenciar as suas receitas e aumentar a taxa de emprego. As conclusões são do estudo “Reworking the Revolution: Are you ready to compete as intelligent technology meets human ingenuity to create the future workforce?”, desenvolvido pela Accenture Strategy e apresentado no âmbito do Fórum Económico Mundial, que teve lugar a semana passada em Davos.

O documento revela que as empresas “arriscam perder importantes oportunidades de negócio caso os CEO não tomem medidas imediatas para reforçar o know-how das suas equipas de trabalho em Inteligência Artificial e para capacitar os seus colaboradores no domínio das tecnologias inteligentes”.

O estudo recomenda às organizações o investimento na IA e na colaboração homem-máquina, na mesma proporção que as empresas de alto desempenho. Deste modo será possível potenciar 38% as receitas e aumentar 10% a taxa de emprego, até 2022. Em números absolutos, poderá significar um incremento médio das receitas na ordem dos 7,5 mil milhões de dólares e mais 5000 empregos em cada empresa do índice S&P500 até essa data.

O documento revela que tanto os líderes como os colaboradores estão optimistas face ao potencial da IA ao nível dos resultados das empresas e na experiência de trabalho. 72% dos 1200 executivos inquiridos considera que a tecnologia inteligente será crítica para a diferenciação das organizações no mercado e 61% acredita que o número de funções que vão implicar a colaboração com IA vai aumentar nos próximos três anos. Do lado dos 14 mil colaboradores inquiridos, 69% está ciente da importância de desenvolver competências específicas para trabalhar com máquinas inteligentes.

No entanto, não obstante os colaboradores considerarem importante aprender novas competências para trabalhar com AI nos próximos três a cinco anos, não é essa a intenção dos líderes. Apenas 3% dos executivos tem intenções de aumentar significativamente o investimento em formação e requalificação nos próximos três anos. Esta percentagem é significativamente inferior ao sentimento que os líderes empresariais têm face à importância da relação homem-máquina para as suas prioridades de negócio (54%).

Para atingir elevadas taxas de crescimento na era da IA, as organizações têm de investir mais na capacitação dos seus colaboradores para trabalharem de uma forma inovadora com as máquinas”. Mark Knickrehm (Accenture Strategy)

O alerta está lançado: “Para atingir elevadas taxas de crescimento na era da IA, as organizações têm de investir mais na capacitação dos seus colaboradores para trabalharem de uma forma inovadora com as máquinas”, refere Mark Knickrehm, group chief executive da Accenture Strategy. “Cada vez mais as empresas vão ser avaliadas pelo seu compromisso com o que designamos por applied intelligence – a capacidade de rapidamente incluir tecnologia inteligente e racional humano em todas as áreas do seu negócio core, de forma a assegurar este crescimento”.

Tanto os líderes como os colaboradores estão optimistas face à inteligência artificial. 63% dos líderes acredita que a sua empresa irá gerar ganhos de produtividade através da IA, nos próximos três anos. 62% dos colaboradores acredita que a IA terá um impacto positivo no seu trabalho.

O estudo apresenta alguns casos de empresas que estão a utilizar a colaboração homem-máquina de forma pioneira para melhorar a eficiência e potenciar o crescimento através de novas experiências do consumidor. É o caso de uma marca de roupa online que utiliza a IA para ajudar os estilistas a conhecer melhor as preferências dos seus clientes ou de uma marca de calçado desportivo que deu um passo à frente na personalização ao combinar fabricantes de sapatos qualificados e engenheiros com robots inteligentes para desenhar e criar peças para cada mercado.

As decisões não podem esperar, os líderes empresariais “têm de tomar medidas imediatas para enquadrar as suas equipas na nova realidade da IA, de forma a potenciar novas formas de crescimento”, refere Ellyn Shook, chief leadership and human resources officer da Accenture.

Recomendações da Accenture

Re-imaginar o trabalho. Reconfigurar o trabalho desde a base até às hierarquias superiores. Atribuir tarefas e não empregos; alocar tarefas a máquinas e colaboradores, equilibrando a necessidade de automatizar o trabalho e levando mais além as capacidades das pessoas.

Preparar as equipas de trabalho para áreas que revelem novas formas de valor. Ir além da eficiência dos processos e preparar as equipas para criarem novas experiências de consumidor. Desenvolver novos modelos de crescimento ao reinvestir as poupanças obtidas com a automação em equipas futuras. Gerar um novo ADN de liderança que se enquadre neste mindset e agilidade requeridos, de forma a procurar novas oportunidades transformacionais a longo prazo.

Aumentar o “New Skilling”. Analisar o nível de competências e a vontade de as equipas apreenderem novos conceitos ligados à IA, de forma a poderem trabalhar directamente com esta tecnologia. Utilizar plataformas digitais, programas específicos para os diferentes segmentos e personalizá-los para melhorar a adopção de novas competências.




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