Startup Lyme prossegue apenas com capitais próprios

A startup portuguesa desenvolveu uma solução que transpõe para o mundo digital a formalidade e legalidade do serviço de correio registado postal com aviso de recepção.

A equipa da Lyme, durante a Web Summit

A Lyme nasceu do desenvolvimento de uma solução com o mesmo nome que se posiciona como um “serviço de registo formal de correio digital”. O objectivo, explica António Machado, fundador da empresa, é levar “para o mundo digital a formalidade e legalidade do serviço de correio registado postal com aviso de recepção.

As metas são ambiciosas. “O nosso objectivo é que em Portugal, a curto prazo, a grande maioria das mensagens que necessitem de registo do seu envio e recepção e que não careçam da transmissão de algum suporte físico, sejam registadas pela nossa plataforma. E ainda que, a médio prazo, o mesmo aconteça a internacionalmente”.

A solução começou a ser desenvolvida no início de 2016 e todo o percurso, “até ao momento, foi feito com capitais próprios. Não tivemos ainda nenhum financiamento, mas também não nos candidatamos a nenhum”. Actualmente, a empresa de Amares, Braga, tem cinco colaboradores, incluindo dois programadores.

O serviço está totalmente funcional desde Julho de 2017

O projecto foi desenvolvido “autonomamente sem recurso a nenhum tipo de acelerador”, explica António Machado. E, embora ainda haja muito trabalho pela frente, “o serviço em si está totalmente funcional desde Julho de 2017, altura em que foi pela primeira vez apresentado a público em Londres na conferencia Unbound Live 2017”.

A empresa, por seu lado, foi criada especificamente para este projecto “para lhe transmitir o carácter formal” e para “desenvolver regularmente a sua actividade”.

António Machado explica que este é um serviço disponível para todos, “tal qual como os serviços dos correios” tradicionais. No entanto, sendo um serviço “muito legalista e formal”, numa primeira fase, a startup está focada em captar entidades governamentais e empresas com grandes carteiras de clientes individuais.

A atenção a estes dois grupos visa criar um efeito de propagação. “Para que seja utilizado por alguém, esse alguém tem que compreender exactamente o que fazemos e como o fazemos”, explica António Machado. “Tentar fazer isso caso a caso, seria uma tarefa impossível”.

O responsável considera que é “simples reunir e explicar detalhadamente o nosso serviço a algumas instituições que, posteriormente, na sua utilização diária, o farão chegar a todos os restantes potenciais utilizadores, dispensando apresentações, uma vez que o serviço lhes chegará pela mão das maiores e mais respeitadas instituições nacionais”.

 A empresa “irá procurar obter uma patente de utilidade com vista a protecção internacional do nosso serviço”.

Confrontado com as estatísticas de reduzida sobrevivência de startups, António Machado refere que “infelizmente a estatística está contra nós. No entanto, não avançamos para este projecto sem uma firme convicção que o mercado existe, tem dimensão e pode pagar o serviço”.

António Machado explica que o mercado potencial tem uma dimensão considerável e tem tendência a crescer à medida que os meios digitais substituem os meios físicos. Os envios de mensagens de correio electrónico estão divididos em dois segmentos, equivalentes ao correio registado e ao correio “normal”. O primeiro (“sign for delivery”) representa aproximadamente 400 milhões de envios por dia. O segundo (o trânsito diário de emails profissionais livres de spam) representa aproximadamente 70 mil milhões de envios por dia.

O modelo de negócio da Lyme passa pela cobrança do equivalente a um selo no correio físico. “Tal como nos correios compramos um selo para enviar uma carta, no Lyme compramos um LymeStamp para enviar um email registado. Tendo a vantagem de, dependendo do pack adquirido, poder enviar um email registado por até menos 90% do custo de uma carta registada com aviso de recepção (apenas 0,25€ por cada registo)”.

Web Summit deu visibilidade e 2conversas iniciais”

Em matéria de concorrência, António Machado assinala que tem feito pesquisas “para encontrar algum serviço `escala mundial que faça o mesmo que o Lyme faz: registos formais de correio digital. Mas na verdade nunca encontramos”. A empresa “irá procurar obter uma patente de utilidade com vista a protecção internacional do nosso serviço”.

A Lyme participou na segunda edição da Web Summit em Portugal, em Novembro, e saiu satisfeita. “Foi excelente porque o nosso objectivo era conseguir alguma visibilidade junto das empresas nacionais com maiores carteiras de clientes. E isso aconteceu com várias delas.  Estamos neste momento a dar seguimento a essas conversas iniciais”, conclui António Machado.




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