“Hyper Agile” para maior longevidade das organizações

Os sistemas de informação têm papel destacado nas “organizações líquidas” e não é necessário cumprir todas as boas práticas clássicas do manifesto para ser considerado Agile, acredita Carlos Costa, director de marketing da Quidgest.

Carlos Costa, director de marketing e de desenvolvimento de negócio com parceiros, na Quidgest

A duração média de vida das organizações reduziu, para metade, no últimos 40 anos. Da lista original das 500 maiores empresas, publicada, em 1955, pela revista Fortune, apenas 12% surgem, ainda, na lista mais recente.

Qual o segredo da longevidade destas minorias? Qual a razão de tamanha mortalidade e de tanta nova empresa entrar nesta famosa lista? E qual a fórmula mágica de juventude organizacional para o futuro próximo?

Mark J. Perry, professor de economia e finanças da Universidade de Michigan, diz que este processo de destruição criativa é o combustível da prosperidade económica.

Mas terá mesmo que ser assim? Haverá uma forma eficaz de contrariar esta tendência de envelhecimento organizacional acelerado?

A “organização líquida”

Antes de 2005, o planeamento linear funcionava bem. Hoje em dia, no entanto, algo novo está a acontecer. As organizações estão em grande transformação e desenvolvem-se de diferentes maneiras, em diferentes áreas, com diferentes velocidades e datas, para se adaptarem rapidamente a novos desafios.

Onde anteriormente tínhamos estruturas muito pesadas e rígidas, vemos agora uma orientação mais flexível. São as chamadas “organizações líquidas”.

Desde as startups tecnológicas, até às empresas mais tradicionais de energia, telecomunicações, banca, agroalimentar, calçado ou turismo, existem muito bons exemplos de sucesso nesta nova forma de planeamento não linear, mais proactivo e ágil, com sucessivas guinadas de direção.

Até nas instituições públicas, habitualmente mais rígidas, conceitos como “mobilidade especial”, “ajuste direto”, “proposta economicamente mais vantajosa” ou “acordo quadro de serviços” são novidades que vieram para ficar. As condições do mercado e da sociedade mudam a um ritmo cada vez maior, e por isso novas normas, leis e mecanismos reguladores são criados constantemente.

Os sistemas de informação e o software ocupam um lugar de destaque nas organizações líquidas, para se manterem sempre na linha da frente. Daí a crescente procura por plataformas de desenvolvimento mais ágeis e produtos de software de gestão prontos para evoluir, de acordo com as suas necessidades específicas, com custos moderados, assim que são instalados.

O que é o “Hyper Agile” na gestão?

Numa gestão “Hyper Agile” falamos, essencialmente, de capacidade de adaptação à mudança ainda mais rápida. Do mercado, dos clientes, dos acionistas e dos colaboradores. Citando Claus Rydkjær, CEO de uma consultora, “os líderes do futuro têm que ser progressivamente mais ágeis, definindo a direção e o campo de jogo e atuando de maneira solidária.

Os colaboradores terão que ser mais proactivos e assumir responsabilidades. A liderança “Hyper Agile” é fundamental em todas as dimensões.

Os líderes devem, já hoje, encontrar formas de adaptar o seu estilo a este novo paradigma para se manterem relevantes no futuro.” Ora como o software é o sistema nervoso de cada organização, a gestão “Hyper Agile” vai obrigar a desenvolvimentos contínuos e muito mais rápidos.

O que é o “”Hyper Agile”” no desenvolvimento de software?

O desenvolvimento “”Hyper Agile””, conceito criado por Damon Poole, pretende dar uma resposta aos novos desafios no desenvolvimento ágil de software. A grande diferença agora é que não é necessário cumprir todas as boas práticas clássicas do manifesto para ser considerado Agile.

É uma metodologia mais abrangente e menos fundamentalista. O melhor de vários mundos. Está projetada para escalar, suavemente, de pequenas para grandes equipas e maximizar o potencial da organização a partir de uma perspetiva de retorno de investimento (ROI).

Assenta em iterações curtas, forte automação, paralelismo massivo, hierarquia e prioridades de desenvolvimento, estimativa, prototipagem, controlo de qualidade e mérito. Resumidamente:

Automação massiva e Iterações curtas – Semelhante ao desenvolvimento ágil tradicional o “Hyper Agile” baseia-se em iterações curtas no processo e usa a automação em todo o lado que seja possível. Estas práticas permitem um feedback prematuro para eventual mudança nos requisitos, permitindo criar um produto final melhor e aumentando a flexibilidade do negócio.

“Massively Parallel Virtual Pipelining” ‒Este é o processo que visa quebrar o ciclo de vida do desenvolvimento em tantas etapas separadas quanto possível, mesmo em locais diferentes, permitindo um alto grau de atividade assíncrona que, por sua vez, facilita iterações curtas.

Hierarquia ‒ Uma hierarquia de desenvolvimento é simplesmente uma representação das dependências entre grupos que inclui etapas do processo, como integração, garantia de qualidade e revisões de código. Abrange uma série de práticas recomendadas, incluindo múltiplos níveis de isolamento, gatekeepers, checkpoints e move-se sempre de um bom estado conhecido para um bom estado conhecido.

Prioridades ‒ As prioridades são atribuídas colocando todos os itens planeados numa única lista. O primeiro item é o de maior prioridade e o último é o item de prioridade mais baixa. Isto é conhecido como backlog na metodologia Scrum Agile.

Esta prática simplifica muito o planeamento do projeto, mantém as equipas focadas no objetivo e ajuda a evitar o aparecimento de novos requisitos.

Estimativa ‒ À primeira vista, pode parecer que a estimativa é uma tarefa relativamente simples e mundana. Mas não é bem assim. Tem a sua ciência. Damon Poole recomenda que se use o conhecido método PERT.

Use a estimativa de tempo de duração mínima, adicione três vezes a esperada, depois a estimativa máxima e divida a soma por cinco.

Definição prévia de testes e prototipagem ‒ Se a pessoa responsável por programar os testes está em dificuldades, é provável que esteja pouco claro o que é que é suposto o software fazer. E, se não está claro o que o software deve fazer, é pouco provável que possa satisfazer o utilizador final.

Assim, faz sentido definir os testes primeiro e desenvolver protótipos para reduzir a probabilidade de inconformidades.

Controlo de qualidade ‒ Uma das objeções frequentes ao Agile está relacionada com a qualidade. Uma vez que não há uma boa maneira de determinar a qualidade exata de um produto, é difícil comparar empiricamente uma iteração contra outra iteração para ajudar a determinar se uma iteração está pronta para entrega.

Auditorias para avaliar o grau de maturidade desta qualidade, pelo CMMI (Capability Maturity Model Integration) são uma boa solução.

Meritocracia ‒ Permite aos analistas e programadores contribuir fora de suas áreas tradicionais, criar confiança nas suas capacidades e permitir que elas gravitem naturalmente nas áreas onde elas são mais efetivas. A transparência, por exemplo, é uma ideia que vem da comunidade open source, que promove uma discussão aberta e uma trajetória clara, desde o início até a entrega.

Podem usar-se fóruns e wikis e, ao usar-se um sistema de registo e tratamento de problemas, todos podem ver.

“Fake Agile” ‒ Apenas algum cuidado. Quando um determinado novo conceito ou ideia se torna moda, todos os grandes velhos fabricantes tentam contestá-lo. Depois, não conseguindo, acabam por segui-lo, inicialmente apenas usando o seu poder de marketing, sem fazerem grandes alterações ao produto.

Por exemplo, nos automóveis, assim que o elétrico ganhou maior notoriedade todas as marcas criaram conceitos de ecologia como o start stop, o híbrido, ou o GPL. Mas atenção que essas inovações não são zero-emission (0% CO2). Uma coisa é um veículo que reduz a poluição e outra é o veículo que não polui.

De igual modo, atenção, pois, aos fabricantes de software que estão a contestar ou a anunciar “agilidade”, apenas para se colarem ao conceito que está na moda. De agilidade podem não ter nada, a não ser alguns truques de marketing.

Esperemos que este novo conceito, “Hyper Agile”, possa ajudar a separar melhor o trigo do joio.

Acelerar

Em todas as organizações, mesmo as mais tradicionais, o negócio e a tecnologia estão cada vez mais ligados (DevOps) e, com a acelerada mudança nos processos, o desenvolvimento de software vai ter que ser ainda mais rápido. Previsões (da IDC) apontam que, em 2021, 20% das aplicações de negócio serão criadas por developers não tradicionais.

Por isso fala-se agora em “Hyper Agile”, um conceito que junta gestão e tecnologia, como a via para o sucesso e maior longevidade das organizações. De acordo com as previsões anteriormente citadas, cerca de 50% do PIB mundial será proveniente de operações alicerçadas no digital, e os novos serviços exigirão uma velocidade mais ágil do que nunca.

O desenvolvimento de software está a acelerar exponencialmente. É melhor prepararmo-nos. Acredito que só uma nova abordagem, baseada em modelação e geração automática de código, nomeadamente as chamadas plataformas no code, poderá dar a resposta adequada a estas novas exigências de desenvolvimento de software “Hyper Agile” e de gestão de organizações líquidas.

Votos de um 2018 com muita agilidade, longevidade e boas tecnologias.




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