Mulesoft quer expandir-se na Europa mas ainda não veio para Sul

As soluções da Mulesoft já chegaram a Portugal através de uma parceria com a Glintt. “Queremos continuar a expandir-nos na Europa, mas ainda não viemos para sul”, disse Ross Mason, fundador da empresa.

Ross Mason, fundador da MuleSoft

“A falta de ligação entre os sistemas e aplicações é um grande problema, especialmente para as organizações que passaram os últimos 40 anos a adoptar todas as tendências tecnológicas que apareceram. No final têm uma grande confusão [nos sistemas de informação], como uma grande bola de lama”. Resolver esta complexidade e facilitar a integração de múltiplos sistemas é o desafio da MuleSoft.

Ross Mason, fundador da empresa, em entrevista ao Computerworld, explicou o que faz a empresa e quais os planos para Portugal. Para já, está presente através de parceiros. Só o tempo dirá se irão ter presença directa no país.

Entretanto, a empresa continua a investir na investigação e desenvolvimento e está a procurar integrar segurança e analítica nas suas soluções. 

O responsável esteve na Web Summit, onde participou em diversos painéis sobre o futuro das tecnologias de informação.

Computerworld – A Mulesoft tem intenções de abrir escritório em Portugal?

Ross Mason – Ainda não estamos em Portugal. Temos um escritório europeu no Reino Unido e temos presença em na Holanda para a região do norte da Europa. Queremos continuar a expandir-nos na Europa. Mas, ainda não viemos para Sul.

CW – Mas está fora de questão?

RM – Olhamos para as oportunidades e para diferentes países na Europa e avançamos com base na dimensão do mercado e na procura. Entretanto, trabalhamos com parceiros.

CW – Em Portugal trabalham com quem?  

RM – Temos uma parceria com a Glintt, desde Setembro de 2017. Mas não temos presença directa. Seja onde for, a estratégia passa por, quando atingimos massa crítica, procuramos abrir um escritório.

CW – E trazer para cá algum centro de competências ou desenvolvimento?  

RM – O desenvolvimento fica em Buenos Aires no mesmo fuso horário de São Francisco (onde é a nossa sede), o que nos facilita a comunicação.

CW – Globalmente, quais são os sectores a que mais se dedicam?

RM – Banca, alta tecnologia, ensino superior, Administração Pública e saúde e tudo o que tem a ver com retalho ou telecom. Temos cliente de todas as dimensões, desde grandes marcas como o Bank of America até startups pequenas mas de elevado crescimento como o Spotify.

CW – O que faz especificamente a Mulesoft?

RM –A Mulesoft ajuda as organizações a conectar as suas aplicações nos seus equipamentos, de modo a que seja possível desbloquear o valor digital dos dados dessas aplicações e, desde modo, construir novos produtos e serviços, novos processos, adoptar novas tecnologias para ligar a outras partes da organização.

A falta de ligação entre os sistemas e aplicações é um grande problema, especialmente para as organizações que passaram os últimos 40 anos a adoptar todas as tendências tecnológicas que apareceram. No final têm uma grande confusão [nos sistemas de informação], como uma grande bola de lama.

Nós ajudamos a desempacotar e desmontar tudo isso num conjunto de novas capacidades que se podem compor e recompor de novas formas.

CW – Pode dar um exemplo?

RM – Se eu for um banco e estiver a construir aplicações móveis para os meus clientes, estou utilizar uma API para, por exemplo, descobrir o balanço de uma conta ou de um cartão de crédito. Estas API tornam-se na forma como qualquer aplicação na organização, ou fora dela, descobre e usa os dados para construir novos produtos e serviços.

CW – E quais são os resultados práticos?

RM – Tipicamente, estes produtos que referi são apps para consumidores ou serviços como de empréstimos.  Veja-se, para fazer uma hipoteca tradicionalmente leva quatro a seis semanas e muita burocracia. Para alguns dos nossos clientes esse prazo foi reduzido para 30 minutos, sendo totalmente automatizado. É uma solução que está a ter um grande impacto sobre os empréstimos e outros serviços que prestam aos clientes.

CW – Como é que funciona?

RM – É preciso duas coisas: ligar tudo, onde quer que esteja, e trazer à superfície a informação e capacidades nesses sistemas. As API são os blocos de construção reutilizáveis, bastante críticas. São utilizadas na web ou nas apps dos nossos smartphones, que utilizam API públicas como base das suas apps.

Ninguém escreve software de mapas, utiliza-se o Google Maps. Ninguém escreve software de telefonia, usam o Trillium, ninguém escreve API para pagamentos, usam o Stripe. Estas são API, os tijolos das novas aplicações, que permitem às organizações recolher os dados e as capacidades das aplicações que foram adquirindo ao longo dos últimos 40 anos. É sobre essa camada de API que tudo é construído.

CW – Como está o processo de construção de segurança e analítica sobre essas API, intenção avançada pelo vosso CEO, Greg Schott, em Outubro?

RM – A segurança é um tema importante para toda gente. Quando se fala de API, uma das primeiras preocupações que se coloca é se “estou a expor-me de uma forma que não compreendo” ou se “estou a colocar a minha empresa em risco?”

Uma das coisas boas nas API, e que as empresas começam a entender, é que as API são um melhor ponto de controlo para segurança, de governação, para compreender de que modo é que a informação é movimentada em comparação com outros métodos tradicionais em que existe apenas um login e que, quando se entra ou se tem acesso a tudo ou não se tem acesso a nada.

Com as API podemos saber quem é o consumidor e dar-lhe uma visão diferente. Posso ter dados apenas de leitura (read-only) para relatórios, posso ter dados “read-write para determinado tipo para aplicações, para outras poderei ter uma visão parcial da organização. As API permitem criar modelos de segurança mais sofisticados. É nisto que estamos a investir.

CW – E quanto às capacidades analíticas?

RM – É muito importante, porque, as aplicações falam através de API, e vão aos sistemas backend. O que se quer, de facto, é compreender quando o utilizador faz qualquer coisa nesta aplicação móvel, quais são as API, os sistemas que atinge ao longo da empresa.

A analítica que disponibilizamos permite às empresas compreender de uma forma holística como é que a rede de chamadas acontece, mas também fazer o “drill” e compreender que informação foi utilizada, que credenciais de segurança foram utilizadas, quantas vezes pediram determinada quantidade de dados para que possamos fechar a aplicação a determinados clientes.

Podemos fazer muito com analítica para compreender quem está a usar o quê e a partir daí também podemos ver os dados que a aplicação está a enviar ou receber. Podemos estar em conformidade com os standards de segurança PCI (regulamenta os requisitos de segurança para as empresas que armazenam, processam e transmitem dados pessoais), podemos “tokenizar” dados para que qualquer dado pessoal que chegue a uma API, possa dizer automaticamente que esta informação nunca pode sair da API sem ser ofuscada ou removida, por exemplo.

Temos a solução para o controlo dos movimentos dos dados dentro e fora da organização.

CW – Quem são os vossos concorrentes?

RM – Para compreender o mercado em que operamos, gastam-se 400 mil milhões de dólares na interligação de dados e aplicações, diz a Forrester. É o valor gasto em integradores de sistemas que trabalham neste tipo de trabalho.

É provavelmente o maior problema de TI por resolver, daí o investimento massivo. O que muita gente faz é tentar fazer o código eles próprios. O código personalizado é provavelmente o nosso maior concorrente, porque é o que tem acontecido nos últimos 20 anos.

Também temos concorrentes tradicionais como a IBM, Tibco, Oracle que têm procurado resolver este problema com tecnologia de geração anterior, mas ainda têm alguns controlos.

CW – Como é que estão a automatizar?

RM – A MuleSoft permite às empresas construir as suas API e depois usamos inteligência de máquinas de diferentes maneiras. Por um lado, olhamos para forma como a informação atravessa as API, acompanhamos e detectamos padrões. Se virmos padrões estranhos, como por exemplo mil pedidos de um endereço IP ou algo mais coordenado escondido profundamente nos sistemas de backend, conseguimos verificar que há um padrão para a analítica da infra-estrutura.

Estamos a investir em algo como isso para usar a inteligência para que os humanos não precisem de identificar e arranjar os problemas. A solução faz ela própria essa identificação e faz recomendações.

Também fazemos recomendações em ferramentas de desenvolvimento. Há pouco falei de API reutilizáveis no mercado das API, mas requer que os programadores procurem e encontrem o que precisam. Por isso usamos motores de recomendação para integrar com outras ferramentas de desenvolvimento para ajudar os programadores e encontrar e utilizar a API adequada no desenvolvimento de software.

Ross Mason fala sobre banca, o futuro da tecnologia ou da mobilidade

Ross Mason esteve em Portugal, durante o Web Summit, onde participou em várias conferências. Pode ver ou recordar as suas participações em Unbundling the bank: Why customers need more,The future of technology: Will everybody benefit?, What Apple’s App Store can teach us about digital transformation e Desktop and apps: Is mobile the future of enterprise?




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