Adopção de hiperconvergência deverá acelerar em 2018

Novos desenvolvimentos tendem a tornar os sistemas mais apelativos entre as grandes empresas.

As empresas estão a transferir os seus investimentos em armazenamento, das arquitecturas existentes para os sistemas definidos por software. Com esse esforço procuram ganhar maior agilidade, facilidade de aprovisionamento e menores custos de gestão.

Os sistemas de hiperconvergência, que combinam funcionalidades de armazenamento, computação e rede em uma única solução virtualizada, estão nos seus radares para adopção. O interesse das empresas no equipamento de hiperconvergência como potencial substituto de sistemas de armazenamento SAN e NAS legados, por sua vez, inspirou os principais fornecedores de armazenamento a desenvolverem a sua oferta e adquirirem adquirirem startups.

Toda essa atenção causou impacto: o maior segmento de armazenamento definido por software é o da infra-estrutura de hiperconvergência (HCI, sigla em inglês), que deverá registar um crescimento anual composto de 26,6%, nos próximos cinco anos e receitas que deverão atingir 7,15 mil milhões, em 2021, de acordo com a IDC .

“A HCI é o mercado de crescimento mais rápido de todos os segmentos de armazenamento envolvendo vários milhares de milhões de dólares”, diz Eric Burgener, director de pesquisa da IDC para o segmento do armazenamento.

Euforia promocional em torno hiperconvergência

As plataformas de hiperconvergência incluem um hipervisor para computação virtualizada, armazenamento definido por software e redes virtualizadas. Mas geralmente são executadas em servidores normais.

Suportam o agregação de múltiplos nós para se criarem conjuntos de recursos partilhados de computação e armazenamento, projectados para uma utilização mais conveniente. As empresas podem começar com estruturas pequenas e aumentar os recursos, conforme necessário.

A facilidade de expansão é um dos principais impulsionadores da adopção da HCI. “Quando o negócio cresce e é hora de expandir, é apenas necessário comprar um servidor x86 com algum armazenamento adicional nele, o qual é conectado ao resto da infra-estrutura de hiperconvergência e o software lida com todo o equilíbrio de carga”, diz Burgener.

Os sistemas HCI foram inicialmente concebidos para suportar infra-estrutura de desktop virtual (VDI) e outros volumes de trabalho de propósito geral com requisitos de recursos bastante previsíveis. Ao longo do tempo, deixaram de ser soluções especiais para a VDI e passaram a servir como plataformas geralmente preparadas para ganharem escala e suportar bases de dados, aplicações, plataformas de colaboração, serviços de impressão, entre outros.

Um dos desenvolvimentos que está a chamar a atenção das grandes empresas é o ganho de capacidade para aumentar de escala independentemente do poder de computação e armazenamento instalado, diz Burgener.

As PME têm impulsionado, à escala mundial, a maior parte da adopção de sistemas de hiperconvergência. Mas isso pode estar a mudar conforme que a tecnologia amadurece.

Um dos desenvolvimentos que está a chamar a atenção das grandes empresas é o ganho de capacidade para aumentar de escala independentemente do poder de computação e armazenamento instalado, diz Burgener.

Mas “uma das desvantagens da infra-estrutura de hiperconvergência, porque você compra o equipamento como um só nó, é que realmente não pode ajustar a quantidade de desempenho para o que se precisa, face à capacidade instalada”, diz. Se houver uma incompatibilidade de desempenho, isso muitas vezes não é relevante num ambiente menor.

Contudo, num ambiente mais amplo, uma empresa pode acabar por gastar muito mais do que pretende na componente de processamento, apenas para obter a capacidade necessária. A solução é permitir que as empresas mudem a sua implantação de HCI para um modelo desagregado, sem terem de fazer uma migração de dados, quando os volumes de trabalho assim o exigem.

“Em ambientes maiores, é muito atraente poder aumentar de forma independente a capacidade de computação e armazenamento”, diz Burgener. Com um modelo desagregado, “quando se tem um volume de trabalho que precisa de muito mais armazenamento, mas não necessita de muito mais desempenho, pode-se deixar de pagar por mais poder de processamento só para obter a capacidade de armazenamento necessária”.

“Uma das facilidades que os fornecedores deverão oferecer em 2018 é a possibilidade de os clientes configurarem as suas implementações de hiperconvergência verdadeiramente como tal ou com um modelo de armazenamento desagregado”, diz.

NVMe over Fabrics  particularmente útil nos grandes ambientes 

Um segundo grande desenvolvimento no mundo da HCI será a capacidade de criar uma solução de hiperconvergência usando NVMe over Fabrics, ou seja Ethernet, Fibre Channel e Infiniband. A maioria dos actuais sistemas de HCI ligam os nós do cluster através de Ethernet. Mas isso cria um problema da localização dos dados à medida que as empresas tentam expandir os seus ambientes de HCI.

“Este é um dos motivos pelos quais não se compram sistemas de hiperconvergência: quando o conjunto de dados é muito grande para caber num único nó e é preciso sair para outro de modo a aceder aos dados, há uma latência bastante significativa”, diz Burgener.

A baixa latência e o alto rendimento da tecenologia “NVMe ober Fabrics” pode resolver consideravelmente esse problema.

“Quando se começa a anexar nós de HCI com NVMe over Fabrics e usa-se RDMA ‒ acesso remoto e directo à memória ‒ pode-se falar de diferenças de latência na ordem dos cinco microssegundos, considerando se os dados estão no mesmo nó ou em mais. Nos ambientes maiores isso é irrelevante”, diz Burgener. Mas isso funcionará bem se a infra-estrutura estiver toda nas mesmas instalações.


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