IDC antecipa mercado de Data-as-a-Service

Embora o RGPD esteja no topo das preocupações das empresas, pela sua urgência, o verdadeiro desafio passa por criar valor sobre os dados que detêm.

Gabriel Coimbra, director-geral da IDC Portugal

Gabriel Coimbra, director-geral da IDC Portugal

A conformidade com o Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD) é uma questão transversal que vai afectar todo o desenvolvimento de uma estratégia de analítica nas organizações nos próximos meses.

Gabriel Coimbra, director-geral da IDC Portugal, acredita que, não obstante o “carácter de urgência” na preparação das empresas para a conformidade com as novas regras – 40% das organizações não estará preparada a tempo -, “o verdadeiro desafio das organizações será criar valor com base na informação que dispõem no seu ecossistema”, passa pela criação de modelos de negócios assentes na venda de dados como um serviço.

O analista apresentou esta terça-feira em Lisboa, no Lisbon BI Fórum 2017, as principais conclusões do “IDC FutureScape: Worldwide Analytics and Information Management 2018 Predictions”, no qual se enquadram as matérias relacionadas com os segmentos de business intelligence, analítica ou aprendizagem  automática.

Das dez previsões apontadas nesta edição do Futurescape, o RGDP destaca-se por ser uma imposição legal que vai afectar todas as empresas que operam na Europa. “Sendo um tema complexo, aparece com uma dimensão que sobressai porque vai envolver muitos custos e trabalho por parte das organizações”, disse Gabriel Coimbra.

No entanto,  sublinha que o “verdadeiro desafio para as organizações é conseguir criar valor com base na informação que têm e que existe no seu ecossistema”, disse na conferência promovida pela Noesis e pela Qlik.

Entre as previsões, destaca ainda que, dentro de dois anos, “50% das organizações vão vender dados e informação e ter inclusive um conceito de Data-as-a Service”. E não serão apenas as tradicionais empresas que vendem informação, “mas também empresas do sector financeiro ou das telecomunicações que vão começar a vender dados, informação ou “insights”, que possam ser relevantes para outras empresas”, salientou.

Vem aí um novo paradigma no modelo de compra de software

“É o caso das seguradoras ou das entidades financeiras que podem desenvolver ‘insights’ sobre o risco em determinadas áreas ou perfis de consumidor e que podem vender a outras entidades de outros sectores. Foi também o que a Nos fez recentemente com um estudo sobre o turismo em Portugal, com base na análise do roaming na rede.

É um reflexo dessa tendência. “As organizações estão a repensar o que são os seus modelos de negócio”.  Em algumas situações pode-se desenvolver uma plataforma para criar valor com base na informação ou no digital, mas também se podem vender, dados informações ou “insights” com base na informação que têm no seu negócio.  

O analista salienta ainda a importância dos assistentes digitais inteligentes que vão permitir multiplicar por quatro a produtividade nos próximos três anos. “Vamos começar a ver assistentes digitais incorporados em sistemas de ERP, de produtividade e outras aplicações que temos nos computadores, incluindo os assistentes como a Siri, a Cortana, a Alexa”.

Estas soluções, explica “vão permitir rapidamente ter a aprendizagem automática a trabalhar para nós, a procurar informação, aumentado a produtividade do nosso trabalho”. Relacionada com a previsão anterior, o director-geral da IDC Portugal destaca ainda a aproximação de uma mudança de paradigma na forma como as empresas compram software: a Machine Learning Based Automation”.

A IDC prevê que, em 2020, “10% do investimento em software seja feito em soluções que incluam, para além do software, dados e algoritmos de aprendizagem automática que permitem automatizar processos”.  A título de exemplo refere a Feedzai, uma empresa portuguesa que disponibiliza às instituições financeiras uma solução na cloud que lhes permite aceder e validar se determinada transacção tem potencial de fraude ou não.

O que a Feedzai vende é “o software, mais os dados, mais a aprendizagem automática subjacente. São estes micro-serviços que vão mudar a forma como as organizações desenvolvem os seus processos”.

40% das organizações não vão estar em conformidade com o RGPD

– Em 2020, 10% do investimento em aplicações empresariais será em novas micro-aplicações (“task-level applications”), que incorporam software, dados e algoritmos;

– Em 2018, 50% das grandes organizações vão gerar receitas provenientes de Data-as-a-service através da venda de dados em bruto, métricas resultantes desses dados, “insights” e recomendações;

– 40% das grandes organizações à escala  mundial, vão falhar na implementação das medidas de conformidade com o Regulamento Geral de Protecção de Dados, deixando-as em risco de serem alvos de multas que podem ascender a 4% do volume de negócios global;

– Em 2020, 20% das grandes organizações vão utilizar software de aprendizagem automática para criar conteúdos de forma automatizada;

– Em 2019, a adopção da automação inteligente e de assistentes digitais vai contribuir para a multiplicação por quatro da produtividade dos trabalhadores do conhecimento.




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