Freelancers facturam o equivalente a 8% do PIB norte-americano

1,4 milhões de milhões de dólares terá sido o volume de negócios conjunto dos freelancers nos EUA em 2016, segundo as estimativas da UpWork. O crescimento terá rondado os 25% entre 2016 e 2017.

Stephane Kasriel, CEO da Upwork

“Os freelancers estão aí”. São altamente qualificados, apostam na formação contínua, mais do que os empregados por contra de outrem. “Querem trabalhar consigo, mas não para si”, estas foram algumas das mensagens deixadas por Stephane Kasriel, CEO da UpWork, uma plataforma online que coloca em contacto freelancers com quem procura trabalhadores.

Kasriel aconselha as empresas a mudar. “As empresas devem procurar as pessoas onde elas estão, dar-lhes trabalho – o que gera outros empregos a montante”. Deste modo, “a sua empresa será melhor, porque terá acesso a talento que permitirá ao seu negócio crescer, contribuindo em simultâneo para resolver a desigualdade salarial global e para um melhor futuro da sociedade. Estará a fazer bem e a fazer o bem em simultâneo”.

Numa das múltiplas conferências que aconteceram durante a Web Summit que se realizou entre 7 e 9 de Novembro, em Lisboa, o CEO da Upwork sumariou sete coisas que deve saber sobre os freelancers, que já representará actualmente um terço dos trabalhadores nos EUA e na Europa, segundo o McKinsey Global Institute. A facturação conjunta destes profissionais, apenas nos EUA rondará, de acordo com as estimativas da UpWork rondará os 1,4 milhões de milhões de dólares ou 8% do PIB norte-americano. Este valor deverá crescer 25% entre 2016 e 2017.

Kasriel assinala que com a 4ª revolução industrial em curso, com a robótica, a automatização e a inteligência artificial, não só as empresas como os trabalhadores se estão a ajustar.

Há 200 anos, com as duas primeiras revoluções industriais (motor a vapor e electricidade) as pessoas deslocaram-se do campo para a cidade, porque tinham de trabalhar nas instalações das fábricas, de preferência perto de casa com horários bem definidos.

Hoje, os trabalhos que estão a ser criados envolvem conhecimento e podem ser teoricamente ser feitos em qualquer lado, não há necessidade de os concentrar nas grandes cidades como acontecia há 200 anos.

Ainda não é um facto, afinal 50% do PIB mundial é oriundo de 200 grandes cidades, embora a maioria da população não resida aí. Como menos acesso às vantagens inerentes à vida cosmopolita, quem vive fora dos grandes centros urbanos acaba por ter menos acesso a boas oportunidades de trabalho.

No entanto, tudo aponta para a mudança. Pese embora se ganhe mais nas cidades, os custos são também mais elevados “em São Francisco, as rendas têm subido a um ritmo de 7% ao ano, há 45 anos. Os salários das pessoas não têm sido aumentadas à proporção. Acresce a este desequilíbrio problemas como o tráfego ou a poluição.

Entre vantagens e desvantagens “o trabalho tem de mudar”, assinalou: “os líderes da economia global têm de recriar postos de trabalho, onde eles costumavam em existir antes das primeiras revoluções industriais: fora das grandes cidades”. E o trabalho em freelance permite relaxar as obrigações de horários e localização: “não precisa de ser na sede na cidade, mas pode ser feito em qualquer lado”.

Sete coisas que tem de saber sobre freelancers

– A força de trabalho freelancer é muito maior do que se pensa. O McKinsey Global Institute estima que cerca de um terço dos trabalhadores na Europa e nos EUA é freelancer. Os freelancers facturaram 1,4 milhões de milhões de dólares (8% do PIB norte-americano), estima a UpWork. E cresceu 25% entre 2016 e 2017.

– Em breve, mais cedo do que se pensa, a maioria das pessoas trabalharão em freelance. Nos EUA essa poderá ser uma realidade daqui a 10 anos. E na União Europeia a tendência é semelhança.

– Os freelancers querem ser chamados de “frelancing Economy”. Dois terços dos freelancers trabalham assim por opção e não porque não tenham outra solução. Em geral são mais felizes no trabalho do que aqueles que têm trabalhos tradicionais a tempo inteiro. Metade dos freelancers diz mesmo que “não há dinheiro que pague para os convencer a trabalhar a tempo inteiro”, explica Kasriel. Se [a sua empresa] pretende trabalhar com estas pessoas, tem de ir ter com eles e não esperar que eles venham ter consigo. “Os freelancers organizam a vida profissional em torno da vida pessoal. As pessoas que trabalham por conta de outrem procuram preencher os pequenos intervalos que são libertados da vida profissional para dedicar à vida pessoal”, assinala.

 – Freelancers tem a ver com liberdade. Os freelancers consideram-se “livres”, “em controlo”, “independentes”, “bem”, entre outras expressões positivas.

– Tecnologia está a permitir mais freelancing. Tradicionalmente os freelancers passavam um terço do tempo a fazer o que gostam de facto. Outro terço do tempo era tradicionalmente gasto a desenvolver o negócio: encontrar novos clientes e reactivar antigos e o restante em tarefas relacionadas com facturação, cobrança e impostos. Actualmente, com as tecnologias de informação, é possível encontrar trabalho através de plataformas online e reduzir o tempo gasto com o trabalho administrativo. Têm mais tempo para trabalhar com os clientes

Os freelancers estão mais bem equipados para o futuro. Todos precisamos de nos “re-treinar” continuamente ao longo da vida, ou ficamos para trás. Os empregados por conta de outrem (30%) vão formar-se ao longo da vida, um número muito inferior ao dos freelancers (55%)

– Contratar freelancers contribui para a criação de trabalho e melhora a economia global. Segundo a McKinsey Global Institute “as plataformas de talentos online estão a ligar cada vez mais as pessoas às oportunidades de trabalho ideais”. Até 2025, essas plataformas poderão adicionar 2,7 milhões de milhões de dólares ao PIB mundial, mitigando muitos dos problemas persistentes dos mercados de trabalho”. Indirectamente, quando se cria um posto de trabalho altamente qualificado fora das cidades são criados quatro trabalhos adicionalmente.




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