Blockchain pede confiança além de recursos humanos

Numa sessão da Web Summit notou-se que outro dos desafios para a implantação generalizada da tecnologia no sector público serão os quadros regulatórios.

 

Três representantes de empresas com ofertas de TI assentes em software de blockchain partilharam, durante a Web Summit 2017, as suas impressões sobre os principais desafios da adopção generalizada da tecnologia em cadeias de abastecimento.

Numa sessão patrocinada pela Accenture, Sebastian Becker, sócio gestor da Riddle & Code, constatou que além da falta de recursos humanos com competências, as principais dificuldades implicam estabelecer a blockchain como elemento de confiança.

Thane Hall, gestor de desenvolvimento de negócio na Thales

Ou seja, particularmente nas cadeias de abastecimento, os clientes precisam de reconhecer que as plataformas oferecem garantias de qualidade de informação e funcionamento. Para Thane Hall, da Thales, isso será particularmente importante na certificação de identidades.

Mark Kaplan, da Unilever, concorda com o papel determinante da experiência de utilizador na matéria. E sugere que a possibilidade de este desenvolver soluções para os seus problemas usando o software será uma ajuda importante na adopção.

Hall nota que os sistemas de blockchain estão a ser introduzidos particularmente onde há problemas concretos a resolver, no âmbito das cadeias de abastecimento. A constatação vai de encontro ao que defende para Becker para quem pretende avançar com um projecto assente naquela tecnologia.

“O foco deve ser colocado na forma de utilização, no impacto que terá nas pessoas e não na tecnologia. É o mais importante”, declara. Kaplan, que também é parte interessada numa startup, assinalou que a blockchain pode ter aplicação-chave (“killer-application”) na segurança alimentar.

No geral, nota Thane Hall (Thales), existe muita interactividade entre as pessoas e em torno da tecnologia, e isso é positivo porque é condição para a blockchain vingar, que as entidades funcionem em conjunto.

Em particular para ser empregue na garantia de que o pescado está em boas condições de consumo e confirmar a sua proveniência. O sector público parece ser o mais atrasado na adopção de blockchain e a equacionar a utilização da tecnologia nos seus processos e sistemas de informação.

Sebastian Becker, gestor da Riddle & Code

Pelo menos se tivermos em conta a opinião de Becker, que mesmo assim, destacou o facto de terem sido produzidas as primeiras certificações de dispositivos clínicos, para uso do software. Note-se que, em Portugal a ministra da Presidência e da Modernização da Administração Pública tem referido o uso de blockchain para vários efeitos, como oportunidade mas também como desafio.

Também a secretária de Estado da Justiça, Anabela Pedroso, reconheceu o potencial daquele sistema. Todavia Becker considerou que as principais barreiras à adopção da blockchain estão associadas a aspectos regulatórios.

“No sector a tecnologia pode ser bastante disruptiva”, reforçou Becker. Em geral, Thane Hall nota que existe muita interactividade entre as pessoas e em torno da tecnologia.

E isso é positivo porque é condição para a blockchain vingar, que as entidades funcionem em conjunto, defendeu. A este respeito, Becker considera relevante que depois de as administrações públicas ou outras grandes organizações decidirem avançar na adopção, deixem os pequenos fornecedores também “influenciarem ou participarem na sua estratégia”.




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