Ether poderá ser o combustível da economia descentralizada

O Ether poderá ser o equivalente ao petróleo na futura economia descentralizada. Se, por um lado é uma referência nos mercados financeiros, é essencial para fazer funcionar a economia, quer como combustível, quer como componente de produtos, explica Joseph Lubin, co-fundador da Ethereum.

 

Joseph Lubin, fundador da ConsenSys e co-fundador da Ethereum

Joseph Lubin, fundador da ConsenSys e co-fundador da Ethereum

Quando se fala de blockchain, provavelmente associamos de imediato à bitcoin. Mas há muito mais no blockchain além da mediática cripto-moeda que nasceu de uma experiência em matéria de teoria monetária. A Ethereum – cuja unidade token é o Ether – é um exemplo disso. Pode haver buzz em torno da Bitcoin, mas, Joseph Lubin, fundador da ConsenSys e co-fundador da Ethereum, clarifica: “o buzz em torno do bitcoin existe entre as pessoas que estão interessadas em aplicações de dinheiro ou em investir. Mas as pessoas que se preocupam com o desenvolvimento de aplicações descentralizadas para a próxima geração da economia estão mais focadas na Ethereum, devido à sua maior abrangência”.

O antigo colaborador da Ethereum e fundador da ConsenSys, onde dá continuidade ao desenvolvimento do ecossistema da Ethereum, falou com os jornalistas à margem da Web Summit que decorre até quinta-feira, 9 de Novembro, em Lisboa.

O roadmap da Ethereum é “razoavelmente exacto em termos de objectivos (Em termos de prazo, como qualquer projecto de software, não se pode dizer o mesmo)”, e tem subjacente o Ether, o equivalente a uma matéria-prima na economia tradicional. Poder-se-á comparar ao petróleo. Se, por um lado é uma referência nos mercados financeiros, é essencial para fazer funcionar a economia, quer como combustível, quer como componente de produtos, assinalou.

Lubin refere que “todos os programas da Ethereum precisam algum deste combustível para funcionar. Todo os passos computacionais, todas as operações de armazenamento requerem um pequeno valor para funcionar”.

“O Ethereum foi desenvolvido para ser uma plataforma descentralizada de aplicações, para eventualmente tornar-se numa das componentes principais da web descentralizada, da web 3.0”, explicou. O Ether, por seu lado é um “cripto-combustível”, um “combustível que corre na economia descentralizada da Internet”, esclareceu Joseph Lubin.

Lubin refere que “todos os programas da Ethereum precisam algum deste combustível para funcionar. Todo os passos computacionais, todas as operações de armazenamento requerem um pequeno valor para funcionar”.

Joseph Lubin, fundador da ConsenSys e co-fundador da Ethereum

Joseph Lubin, fundador da ConsenSys e co-fundador da Ethereum

Questionado sobre a existência de especulação sobre cripto-moedas como a bitcoin, Lubin relativizou. Naturalmente, como em qualquer outra “commodity” nos mercados financeiros, haverá sempre especuladores. É sinal que “as pessoas pensam que vai ser importante” e que “é escasso”. “Os tokens [como o Ether] são muito voláteis, porque a base é muito pequena em comparação com outros valores ou commodities”. No entanto, é muito mais que isso, “é necessário [para o funcionamento da plataforma], tem funcionalidades core, é um requisito para correr as aplicações na plataforma, tal como a energia é necessária para fazer correr as aplicações do comércio tradicional”.

Lubin acrescenta “é verdade que há pessoas que especulam com petróleo, o que não significa que o petróleo exista com esse objectivo. Com petróleo pode produzir-se energia ou químicos”.

Frisando que não dá conselhos financeiros, Lubin conclui que os “os especuladores são valiosos em qualquer economia”. Questionado sobre se esses especuladores são um problema, o co-fundador da Ethereum resumiu: “penso que é necessária a existência de especulação em qualquer economia”, seja ela a economia tradicional ou a cripto-economia.

A cripto-economia é, segundo Lubin, uma das três invenções que contribuíram para o nascimento da Ethereum: Primeiro a bitcoin, nascida de uma teoria monetária, seguida do sistema blockchain que serve de base aos protocolos token (como a bitcoin ou a Ethereum)  e finalmente, a já referida cripto-economia.

Efeito economia descentralizada

Estando a surgir, levará algum tempo até que a Ethereum e tecnologias equivalentes se tornem úteis na generalidade. “A escalabilidade será atingida com a implementação de múltiplas aplicações, com mais segurança, mais descentralização, facilitando a validação das transacções”, salientou. ,Para já decorrem projectos piloto e provas de conceito com entidades como o Santander, a JPMorgan, no seio da Enterprise Ethereum Alliance.

A comunidade de programadores Ethereum, segundo as estimativas informais de um analista do Gartner, citadas por Lubin “é 30 vezes maior do que a segunda maior comunidade de blockchain, que é a comunidade da IBM”.

Actualmente, a comunidade de programadores Ethereum, segundo as estimativas informais de um analista do Gartner, citadas por Lubin “é 30 vezes maior do que a segunda maior comunidade de blockchain, que é a comunidade da IBM”.

No âmbito da actividade da ConsenSys, a empresa já tem “cerca de 20 projectos construídos sobre estas plataformas abertas em diferentes nações. Em empresas, em consultoria, na administração pública, incluindo cadastros do território, em cidades inteligentes”.

Joseph Lubin assinalou que, na base da concepção quer da Ethereum, quer da ConsenSys está a antecipação da mudança de paradigma dos negócios. “Estamos a passar de um mundo em que os negócios assentam numa relação de concorrência (adversários) entre clientes e fornecedores”. Este paradigma dará lugar “a mercados diferentes, com actores diferentes, com pessoas com diferentes papéis numa plataforma aberta”. Concluiu explicando que nesse novo ecossistema os serviços anteriormente eram prestados por determinado negócio passarão a ser descentralizados, assentes numa plataforma aberta em que não há apenas um único actor [empresa] que sobre-controla ou sobre-monetiza o mercado”.




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