Nova estratégia da Dell para IoT já arrancou em Portugal

A Dell Technologies apresentou a nova estratégia para IoT no início do mês em Nova Iorque. No mercado português, algumas das iniciativas já arrancaram, com o apoio a startups a fazer parte do negócio.

Tiago Carrisosa, director de vendas de soluções de protecção de dados na Dell EMC Portugal.

A nova estratégia IoT da Dell Technologies está centrada numa nova divisão de especialistas que tem como objectivo ajudar os clientes a adoptar mais rapidamente a tecnologia. O Computerworld procurou saber como está a decorrer a implementação da nova estratégia da Dell Technologies para IoT, apresentada no início do mês, em Nova Iorque.

A divisão de soluções para IoT combina várias tecnologias Dell de todas as áreas de negócio como o hardware Dell Gateway ou o Pulse IoT Centre da VMWare, com um leque de serviços de consultoria. Em Portugal, a divisão “já existe em Portugal há mais um ano”, assinalou Tiago Carrisosa, director de vendas de soluções de protecção de dados na Dell EMC.

Em Portugal, algumas das iniciativas da nova estratégia IoT da Dell Technologies já estão em curso, diz Tiago Carrisosa (Dell EMC Portugal)

O responsável explicou que a “estratégia de comunicação é global e abrangente a todas as geografias onde a empresa se encontre presente. Deste modo, Portugal será sempre um país que beneficiará da implementação desta estratégia”.

Para o efeito “a empresa irá desenvolver todas as acções necessárias a adequar esta estratégia global às necessidades e dimensão de Portugal, tendo algumas destas iniciativas sido já espoletadas”.

A Dell também planeia investir mil milhões de dólares em investigação e desenvolvimento nos próximos três anos para a criação de novos produtos e soluções IoT, valor que deverá também beneficiar o negócio nacional lembra o responsável.

A Dell Technologies Capital tem investido em variadas startups tecnológicas ao longos dos últimos anos, desde um designer de micro-processadores, a software que promete tornar os dispositivos IoT mais seguros.

Também em Portugal, “há muito tempo que a Dell apoia e suporta startups, bem como outras empresas e universidades. Seguramente continuará a fazê-lo”, assinalou Tiago Carrisosa.

Que tipo de startups apoia a Dell Technologies Capital?

Em Nova Iorque, Scott Darling, presidente da Dell Technologies Capital, apresentou cinco das startups em que a tecnológica investiu recentemente. “Investimos no que conhecemos”, disse Darling. A abordagem é desenvolver empresas, ocupando lugares na direcção e tirando partido do canal da Dell para ajudar essas empresas a crescer.

A Dell Tecnhologies Capital tornou-se mais relevante em 2017, mas, tem vindo a investir em empresas desde 2012, sob o nome EMC Ventures.

Processadores de IA da Graphcore

A Graphcore desenvolve processadores especificamente criados para soluções de IA, a que chamam unidades de processamento inteligente (IPU). O CEO e co-fundador da empresa, Nigel Toon, disse que o interesse do investidor tem sido criar a próxima geração de hardware para suportar sistemas de aprendizagem automática”.

“À medida que nos envolvemos mais na construção de sistemas com capacidades mais elevadas, as redes tornam-se mais complexas. Quando precisamos compreender o contexto de conversas, o que implica feedback e memória no sistema, temos de criar sistemas mais inteligentes e robustos”.

A complexidade leva a uma estrutura de dados mais complexa que não é facilmente  no hardware actual, utilizando “clusters” de CPU e GPU para conseguir corresponder à necessidade de computação, por isso precisamos de novo hardware para corresponder a estes fluxos de trabalho.

A Dell Technologies Capital participou numa ronda de financiamento, série A, de 30 milhões de dólares em Outubro de 2016.

Analítica de dados da Moogsoft

A Moogsoft especializou-se na utilização de inteligência artificial para fazer analítica dos dados das operações de TI. A proposta da Moogsoft aparenta ser semelhante à que a Splunk tem apresentado ao mercado nos últimos dois anos.

O fundador e CEO, Phil Tee, explicou que a “génese da empresa está na compreensão da linguagem natural para ajudar os clientes a identificar os eventos relevantes e que afectam o serviço entre os milhões de mensagens que se recolhem de infra-estruturas. Utilizamos algoritmos, não os antigos modelos baseados em regras, para prever falhas”.

A Dell Technologies Capital participou em duas rondas de investimento na empresa. A primeira, de série B, e mais recentemente numa ronda de de série C no valor de 31,6 milhões de dólares, em Março de 2016.

Analítica nos dispositivos da FogHorn Systems

A FogHorn Systems desenvolve analítica IoT para dispositivos de edge computing. O fundador, David King, diz que a FogHorn faz “inteligência nas extremidades” aplicando “regras complexas aos dados transmitidos”.

King concorda com Michael Dell num ponto: quando se trata de IoT, da perspectiva do custo e da latência, é melhor processar os dados nas extremidades, perto da fonte, do que enviar tudo de volta para uma cloud centralizada.

“A FogHorn é um pequeno motor de software que utiliza processamento em memória para analítica e inteligência artificial para executar sobre dados onde está quando é produzida”, explicou King. A Dell foi o principal investidor na ronda, série A, de 3 milhões de euros , em Maio de 2017, tendo também participando na ronda de série B.

Segurança da Zingbox

A Zingbox cria soluções de segurança IoT que permitem às organizações de saúde utilizar dispositivos conectados, mantendo-se em conformidade com os regulamentos da agência federal dos EUA, Food and Drug Administration (FDA). De acordo com o co-fundador e CEO, Xu Zou, a solução da empresa, a Zingbox, “utiliza aprendizagem automática para disponibilizar ‘insights’ e detectar anomalias”.

É promovida como uma solução que ajuda as instituições de saúde a evitar vulnerabilidades de segurança prejudiciais quando utilizam dispositivos “wearable”. Os CISO dessas organizações “ querem assegurar-se que não aparecem nas notícias, por isso, incidentes como o WannaCry chamam a atenção para necessidade de investir mais na segurança”.

A Dell foi o principal investidor na última ronda de investimento Série B na Zingbox, com 22 milhões de dólares, em Agosto de 2017.

Análise do genoma humano da Edico Genome

Finalmente, a Edico Genome desenhou um processador – Dragen (Dynamic Read Analysis for Genomics) – para analisar os dados de sequenciação do genoma humano.

Gary Nealey, vice-presidente de vendas da Edico Genome disse que a plataforma Dragen permite aos investigadores e clínicos “pegar nos dados do genoma, processá-los e analisá-los rapidamente e de uma forma mais acurada, permitindo identificar doenças mais rapidamente e encontrar melhores tratamentos para doenças genéticas”.

Nealey disse que a Edico Genome permite aos clientes processar a totalidade do genoma em 20 minutos, face aos anteriores três a cinco dias necessários. A Dell foi o principal investidor na ronda, Série B, (20 milhões de dólares) da Edico Genome, em Setembro de 2017.




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