A ler: Máquinas vão dizer aos humanos o que fazer, não o contrário

O CIO da GE, Jim Fowler, apresenta a sua visão sobre como as máquinas conectadas e a analítica.avançada vão ter um impacto tangível nas empresas e na economia.

Jim Fowler, CIO da GE.

Jim Fowler, CIO da GE

A General Electric forneceu sensores e software para 650 plataformas petrolíferas da British Petroleum (BP) que transmitem dados operacionais para uma plataforma central da GE onde os dados são analisados para optimização do funcionamento das plataformas, o que as tornou 2 a 4% mais eficientes que antes.

O CIO da GE atribui esta melhoria não aos trabalhadores, mas às máquinas. “As máquinas estão a dizer às pessoas o que fazer, mais do que o contrário”, disse Fowler numa reunião do Open Networking User Group (ONUG), esta semana em Nova Iorque.

Os sensores e a respectiva plataforma de software ajudaram a introduzir melhorias incrementais na produção, evitando tempos de inactividade.

O responsável refere-se a este panorama como a fusão da tecnologia de informação e da tecnologia operacional para criar valor.

Eficiência de IoT

As máquinas equipadas com estes sistemas avançados podem fazer um auto-diagnóstico de problemas para acelerar a manutenção e reduzir o tempo de inactividade. A aplicação Field Vision da GE tira partido da abordagem interna da GE sobre as suas próprias linhas de produção, onde são fabricadas turbinas a gás ou equipamentos de imagiologia.

O equipamento na fábrica agora reporta dados de diagnóstico para um “hub” central, e, se uma peça no equipamento precisa ser substituída, o sistema dá início automaticamente a um processo de cadeia de abastecimento para o encomendar.

Fowler refere-se a esta situação para explicar a próxima evolução do Enterprise Resource Planning (ERP): o “Machine Resource Planning” (MRP). Quando os trabalhadores chegam para arranjar a máquina, já têm as peças necessárias e podem gastar o seu tempo a resolver o problema, em vez de o terem de diagnosticar.

A “Inteligência Artificial (IA)  está a ser utilizada para determinar 75% das necessidades de trabalho”, de muitas reparações. “Sabemos que peças trazer, que competências precisamos, temos a lista completa de materiais, os projectos das máquinas e os registos anteriores de manutenção”, refere. A GE espera que estas medidas possam vir a representar poupanças nos custos de produtividade na ordem dos 2,5 milhões de dólares, este ano.

A GE também está a disponibilizar esta tecnologia aos seus clientes através da marca GE Digital. Os objectivos incluem melhorias no tempo de funcionamento dos sistemas dos clientes e maiores rendimentos operacionais o que significa que as máquinas estão a produzir mais do que foram projectadas para fazer.

“A ideia é ajudar os nossos clientes a retirar mais valor dos produtos que já têm”, assinala Fowler. Acrescenta ainda que poderá gerar receitas na ordem dos 10 mil milhões de dólares para a GE.

Papel importante da cloud computing

Além de utilizar dados baseados em máquinas para ajudar a melhorar as operações, a empresa também está a envolver-se na utilização da cloud pública para potenciar muitos destes projectos. A GE construiu uma plataforma de software que funciona como o principal agregador central para muitas das suas inovações, o Predix.

Este sistema pode ser executado tanto em cloud privada, hospedada nas empresas, como em recursos de cloud pública como é o caso da Amazon Web Services (AWS) e da Azure da Microsoft.

A cloud pública é menos dispendiosa para a GE do que a infra-estrutura existente na empresa, diz Flower que admite que nem todas as empresas podem chegar a essa conclusão.

Fowler diz que o objectivo é capitalizar a utilização de recursos “on premises” e construir quaisquer novas aplicações em cloud públicas. Assinala que a cloud pública é menos dispendiosa para a GE do que a infra-estrutura existente na empresa, apesar de admitir que nem todas as empresas podem chegar a essa conclusão.

O CIO estima que 40% da infra-estrutura da empresa está na cloud pública, acrescentando que “vamos crescer tanto quanto possível”.

Mudança na GE começou por dentro

Instituir essas práticas na GE não aconteceu de um dia para o outro, explica Fowler, e tem feito parte de um esforço mais abrangente, na empresa, para utilizar software e outras tecnologias emergentes para ajudar o negócio. Essencial na implantação desta estratégia, diz Fowler, foi acabar com as tradicionais estruturas de gestão verticais para criar plataformas de software horizontais e partilhadas.

A aplicação Field Vision, por exemplo, é utilizada tanto nas unidades de turbinas de gás, como de equipamentos de imagiologia médica, quando, anteriormente poderia estar em grupos separados dentro da empresa em que cada uma das unidades estaria a trabalhar com a sua própria versão de um recurso semelhante. Os trabalhadores também são encorajados a tornar-se multi-disciplinares e a formação de desenvolvimento profissional é encorajada, e integrada nos horários de trabalho”, assinala Fowler.

Com Brandon Butler da Network World


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