Dell aprende com clientes para desenvolver soluções

“Estamos em constante comunicação. Aprendemos com os clientes, eles desenvolvem, pedem-nos novos requisitos, nós fazemos”, assinala Michael Dell, CEO e chairman da Dell Technologies.

Michael Dell, CEO da Dell Technologies

Michael Dell, CEO da Dell Technologies

A Dell Technologies apresentou uma nova estratégia, focada na Internet das Coisas, a IQT, em Nova Iorque.  A companhia organizou a oferta de modo a que as soluções que cada uma das empresas do grupo – Dell, Dell EMC, Pivotal, RSA Securenetworks, Virtualstream e VMWare – disponibiliza se integrem numa única visão que orquestra o edge, o core e a cloud.

Para o efeito criou uma nova divisão de IoT, liderada pelo CEO da VMware, Ray O’Farrel, focada na orquestração do desenvolvimento de produtos e serviços IoT em toda a família de soluções da Dell Technologies. “Edge, core e cloud estão mais ligados que sempre. Estar apenas numa destas áreas é disponibilizar uma solução incompleta”, frisou. A empresa vai também investir mil milhões de dólares em IoT no prazo de três anos.

Michael Dell, numa breve mesa redonda com jornalistas, explicou que muitos dos projectos apresentados durante o IQT Day, já “estão disponíveis” estando, naturalmente, “outros em desenvolvimento”. Já em fase adiantada está, por exemplo, a AeroFarms, uma empresa agrícola de New Jersey, que se dedica à produção agrícola em ambiente controlado com recurso a múltiplas tecnologias, incluindo IoT da Dell (ver caixa).

E outras estão em desenvolvimento, nomeadamente soluções criadas na “plataforma Pivotal Cloud Foundry, na Boomi, no que estamos a fazer em torno dos dados não estruturados, no projecto Fire ou no software VMWare” e “em constante melhoria, numa simbiose com os clientes: “melhoramos com os nossos clientes, porque estamos a aprender com eles. Eles desenvolvem, pedem-nos novos requisitos, nós fazemos. Estamos em constante comunicação”.

Grande e pequeno simultaneamente

“Criámos uma estrutura que nos permite ser tanto pequenos e rápidos e como ter uma escala gigante ao mesmo tempo”, Michael Dell (Dell).

Questionado sobre se não se terá a Dell Technologies tornado demasiado grande para manter a agilidade e capacidade de resposta atempada, Michael Dell refere que “criámos uma estrutura que nos permite tanto ser pequenos e rápidos, como ter uma escala gigante”. Temos unidades de menor dimensão (Pivotal, Boomi, RSA, Cloud Foundry ou VMWare) que trabalham rapidamente em determinados projectos importantes, mas que subjacente têm a escala da Dell Technologies.

Além disso, assinalou, temos a Dell Technologies Capital, uma empresa que está a investir em startups com potencial, algumas das quais mostraram os seus projectos durante o IQT Day. “É outra forma de sermos rápidos”, assinalou.

Duas faces da tecnologia

Relativamente à disrupção que as novas tecnologias de informação podem trazer ao mercado de trabalho, Michael Dell recordou a história e assinalou que desde as primeiras tecnologias – a roda ou o fogo –, as descobertas e/ou invenções terão criado postos de trabalho e acabado com outros.

Dell considera que “há um fascínio humano pelo que de mau as mudanças tecnológicas podem trazer” e que há, inclusivamente, uma indústria em torno disso: a ficção científica. “São histórias horríveis sobre o que de mau pode acontecer no futuro, como o Terminator ou o Blade Runner”, exemplificou.

No entanto, se se voltar atrás e se olhar atentamente, a tecnologia tem sido uma força imensa para o bem. “Naturalmente, há sempre riscos e desafios relacionados com as coisas novas e mudanças, mas em geral as mudanças são positivas para a humanidade”.

Michael Dell desafia todos a reflectir: “está no lado certo da história ou está a tentar evitar o avanço da tecnologia?”. E reformula a pergunta: “a questão que deveria colocar-se é como nos podemos preparar para fazer a melhor utilização da tecnologia para melhorar o potencial das pessoas. Como podemos treinar as pessoas, como podemos usar as tecnologias para ter melhores resultados na educação, na saúde, na sociedade”.

AaeroFarms produz mais 130% que um campo tradicional

A AeroFarms é uma empresa agrícola de New Jersey, que se dedica à produção de vegetais, em ambiente controlado e na vertical, com recurso a múltiplas soluções – edge, core e cloud –, incluindo IoT da Dell Technologies.

O ambiente da estufa é totalmente controlado e a entrada no espaço requer múltiplos procedimentos, incluindo a assinatura de um termo de responsabilidade onde, entre outras informações, os visitantes têm de garantir que não estiveram numa quinta recentemente. A entrada no armazém obriga à utilização de toucas e batas, à lavagem das mãos, dos sapatos. Não são permitidos brincos e colares. No fundo não pode entrar “nada que nós não quiséssemos encontrar no nosso prato”, disse o cicerone da visita, Marc Oshima, co-fundador e CMO da AeroFarms, ao Computerworld.

Após a visita ao local, o caso foi apresentado durante o IQT Day, em que David Rosenberg, co-fundador e CEO da AeroFarms, explicou como é possível produzir mais 130% do que num campo tradicional ao ar livre.

“As nossas plantas crescem sem solo, sem Sol – substituído por lâmpadas LED”. Com a combinação das tecnologias e da engenharia, “conseguimos ter uma produtividade muito superior” a um terreno normal onde pode-se fazer, no máximo, três colheitas por ano. “Nós produzimos 22 colheitas por ano, mais 130% do que um campo tradicional, utilizando 95% menos água e sem pesticidas”. A combinação das múltiplas tecnologias permite também à empresa ter vantagens ao nível da cadeia de distribuição, onde, em regra as quebras são avultadas, explicou o responsável da quinta.

David Rosenberg, co-fundador e CEO da AeroFarms (à direita)

David Rosenberg, co-fundador e CEO da AeroFarms (à direita)

Através da mais recente tecnologia – para a qual também contribui com investigação e desenvolvimento –, a AeroFarms “está a redefinir a agricultura ao combinar a experiência de topo em horticultura, engenharia, segurança alimentar, nutrição e ciência dos dados para criar um novo standard de produtos e produção de qualidade”, explica David Rosenberg, co-fundador e CEO da AeroFarms.

Para a produção, “temos milhares de sensores e centenas de milhar de pontos de recolha de dados que permitem controlar o stress ambiental. Conseguimos que a planta se alimente e viva com menos stress, tornando-se mais suave. É um processo complexo, até porque somos uma empresa que é em simultâneo agrícola e tecnológica”, sublinhou. O responsável assinala “que somos agricultores, mas em simultâneo utilizamos a ciência e a tecnologia para obter a nossa visão de uma agricultura totalmente controlada”.

A empresa tem trabalhado de perto com a Dell Technologies “para desenvolver as ferramentas para acompanhar e monitorizar os nossos produtos ao longo de todo o processo de crescimento desde as sementes até à embalagem”, explica. Rosenberg explica que a Dell Technologies compreende as nossas necessidades de infra-estrutura e de integração e nós vemos a oportunidade de colaborar em soluções adicionais à medida que construímos as nossas quintas verticais em grandes cidades em todo o mundo”.




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