30% do negócio da Unipartner está nos “managed services”

A Unisys continua a ser o principal cliente internacional da empresa, que nasceu daquela multinacional e manteve 63 dos clientes com contratos existentes antes da transição, segundo o CEO, Fernando Reino da Costa.

Fernando Reino da Costa, CEO da Unipartner IT Services

No primeiro ano completo de actividade (2016), a Unipartner IT Services facturou perto de sete milhões de euros, 30% em “managed services”, revela Fernando Reino da Costa. A organização manteve a Unisys, empresa da qual é oriundo o núcleo da sua direcção e recursos humanos, como cliente. É o mais importante no seu negócio internacional, que vale perto de 10% da facturação.

Concluído o processo de transição, em que assegurou  80% do negócio da Unisys Portugal, disse Reino da Costa ao Jornal de Negócios (acesso sujeito a pagamento), o responsável está a imprimir um modelo operacional mais flexível à organização.

Esta pode ultrapassar os 150 profissionais em 2018, está focada na produtização e não prescinde da vaga do momento no sector das TIC: aposta na oferta de inteligência artificial e está particularmente activa no sector financeiro, diz o CEO.

CW ‒ Estabilizada a actividade da empresa, quais são as suas prioridades estratégicas?

Fernando Reino da Costa ‒ Como ponto de partida, continuar a prestar serviços de excelência aos clientes actuais e aumentar a base de grandes e médias organizações, suportando a sua transformação, inovação e operação.

Em paralelo queremos fazer crescer a nossa equipa em dimensão e competência. Temos sido uma “escola” e queremos fortalecer essa posição estimulando ainda mais a excelência e a curiosidade, que são a base para a inovação, para a satisfação e para o crescimento profissional.

Como “enablers” estratégicos sublinho a nossa excelente parceria com a Microsoft, a aposta na exportação do nosso centro de competências Microsoft e no aumento da venda de soluções e serviços conjugados “em pacote” e replicáveis.

CW ‒ Quantos clientes ficaram convosco no processo de mudança? Quantos já recuperaram?

FRC ‒ O processo foi conduzido com muita tranquilidade e planeamento, e todos os clientes, 63, sem excepção, que tínhamos planeado transitar (por terem contratos em curso) acordaram a cessão para a nova estrutura e são agora clientes da Unipartner IT Services. A dinâmica que temos colocado na actividade já permitiu, entretanto, um crescimento dessa base sólida com mais 12 clientes.

CW ‒ O que procurou corrigir/implantar na nova organização face àquela da Unisys?

FRC ‒ O processo de “setup” da Unipartner teve como princípio a continuidade do modelo existente, ou seja, um modelo de organização e “governance” com alguma complexidade, mas muito maduro e que incorpora as melhores práticas de gestão. Este factor coloca-nos lado a lado com as maiores empresas internacionais que já têm esta maturidade e qualidade na gestão e entrega dos seus serviços profissionais.

Não obstante, temos hoje um modelo operacional mais flexível e que tem vindo a permitir uma maior dinâmica, através de um modelo de objectivos mais agressivo e através de iniciativas que promovem a liderança e o investimento em inovação.

CW ‒ Como se repartiu a facturação da empresa ‒ cerca de 7 milhões de euros ‒ em 2016, pelas áreas de serviço para cloud e cibersegurança, “managed services” e consultoria?

FRC ‒ Os “managed services” representam aproximadamente 30% da facturação. Os restantes 70% estão repartidos pelas áreas de consultoria, serviços aplicacionais, infra-estrutura e segurança.

CW ‒ Qual é a proporção do negócio representada pela venda de “soluções”, face à de serviços?

FRC ‒ A nossa actividade está focada em serviços profissionais que são alavancados por um conjunto alargado de soluções, “frameworks” com IP, que são disponibilizados de diferentes formas dentro dos nossos projectos.
O nosso objectivo é claramente continuar a crescer em volume a componente das soluções através de uma maior “produtização”.

CW ‒ A Microsoft é o único parceiro para cloud computing? Qual é o vosso modelo de negócio para a essa área?

FRC ‒ A Microsoft é o nosso parceiro estratégico, e a nossa aposta é claramente ser o parceiro que apoia as organizações na sua transformação com recurso às soluções cloud da Microsoft.

Enquanto consultor e integrador, a oferta cloud da Unipartner vai nesse sentido, suportamos a estratégia e o planeamento, a arquitectura, que cada vez é mais complexa, a implementação e a adopção, bem como a gestão através de “management services”.

CW ‒ Quantas pessoas ficaram no centro de competências Microsoft? A Unisys mantém-se como cliente?

FRC ‒ Sim, o cliente base deste centro é a Unisys, fruto do modelo criado, mas diria que o centro de competências é hoje mais forte do que em 2015. O número de consultores é similar, cerca de 100, mas o número de competências Microsoft faz da Unipartner um dos parceiros mais qualificados, mesmo à escala europeia.

E o prémio da Microsoft recebido este ano, enquanto “Digital Transformation Enterprise Partner”, fortaleceu a nossa posição de “advisor”.

CW ‒ Quanto do negócio será internacional? Que percentagem são vendas para a Unisys? E quanto será de serviços de nearshoring?

FRC ‒ O negócio internacional representa cerca de 10% e tem sido baseado no centro de competências que presta serviços à Unisys, maioritariamente no mercado europeu, e em modelo de “nearshore”.
No entanto, como a Unipartner é um dos parceiros da Microsoft com mais competências, actualmente 11 Gold e 3 Silver, em áreas chave como Azure, Dynamics 365, plataforma de dados e analítica avançada, mobilidade e segurança, temos já vindo a interagir com clientes internacionais que querem contar com o nosso apoio.

CW ‒ Quantas pessoas deverão ser contratadas para a Unipartner, excluindo subcontratação, até final de 2017?

FRC ‒ A estimativa actual aponta para um reforço da equipa em 10 colaboradores aos quais se adicionam cerca de 30 estágios profissionais e académicos, que tipicamente resultam em contratações no ano seguinte. A equipa é neste momento formada por cerca de 130 pessoas.

CW ‒ Com que oferta e serviços se posicionam no segmento de inteligência artificial?

FRC ‒ Posicionamo-nos no desenho e construção de “soluções que aprendem” através da integração de diversos serviços cloud que nos permitem rapidamente implementar e testar cenários de negócio de elevado valor. Destaco as soluções de combate à fraude para o sector financeiro, em que estamos muito activos, e onde conjugamos CRM com aprendizagem automática.

Estamos também a promover soluções que permitem aumentar as vendas e a qualidade do serviço prestado aos clientes e cidadãos, através de um conhecimento inteligente do perfil individual, permitindo personalizar a relação e a interacção digital e antecipar necessidades. Na área da eficiência operacional, estimulamos também a utilização da IA em conjunto com outras tecnologias, como as de “Robotic Process Automation” (RPA).

Não obstante, diria que é talvez a área de maior inovação aquela em que é necessário ter uma equipa muito qualificada na tecnologia, e uma abordagem de inovação com os clientes para identificar casos que criem impacto e transformação.

CW ‒ E no âmbito da preparação da conformidade com o RGPD?

FRC ‒ Neste campo temos vindo a promover uma abordagem consultiva muito objectiva que encara o regulamento como uma oportunidade e não como um custo de “compliance”, e algo que irá mudar a forma como encaramos e gerimos os dados pessoais. De forma resumida, diria que os nossos projectos abraçam os aspectos jurídicos, de segurança, tecnológicos, de gestão e de transformação de uma forma integrada, criando um programa de transformação com várias iniciativas, que incorporam os vectores da inovação e da gestão de mudança como fatores chave.

E fazemo-lo com uma metodologia muito estruturada e baseada em “quick-wins”.

CW ‒ Quanto esperam crescer em 2017 depois de terem facturado perto de sete milhões de euros, em 2016?

FRC ‒ Em 2017 queremos garantir o crescimento sólido nos vários indicadores chave de desempenho.




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